sexta-feira, 30 de maio de 2008

O'Malley's Bar - justiça poética

Parceiros do Mal,

Atingidos que estão os 15 posts mensais da praxe, permito-me levantar um pouco a fasquia e acrescentar mais um, para que no próximo mês nem nos lembremos de tal coisa!

Desta feita, ocorreu-me escrevinhar uns ditos sobre um álbum que me apraz particularmente já desde os tempos em que a Masmorra Infernal não passava de uma referência de renome por entre todas as entidades infernais de peso, quando ainda estava longe a projecção cósmica que sabíamos na altura viríamos a alcançar mas que nem nos passava pela cabeça.

Refiro-me a um dos primeiros não-Heavy Metal álbum que realmente apreciei, tanto pela música em si (sempre positivo tratando-se de um disco) como pelas letras e neste caso, pelo conceptualismo em torno da referida obra.

Refiro-me como já terão todos adivinhado (com excepção obvia dos dois colegas de Masmorra) do disco “Murder Ballads” do sombrio e maquiavélico Nick Cave.
Este conjunto de músicas de 1996, é integralmente dedicado à descrição em forma cantada de assassinatos a sangue frio, sem excepção!
Do princípio ao fim, somos brindados com as explicações sobre métodos e motivações por parte dos executores e dos sentimentos e tristeza das suas vítimas. Sempre em ambientes idílicos e inocentes.

Deste compêndio da arte de assassinar sem remorsos nem emoções, destaco um tema que é por demais interessante tanto pela extensão temporal (14’28”), como pela quantidade de mortos (12): “O’Malley’s bar”.
O enredo é basicamente o seguinte, a personagem principal, um ser solitário e atormentado por pensamentos deviantes, entra num bar de uma pequena cidade americana de onde ele é natural. Após tomar uma bebida, pega na sua arma e dá inicio a um processo de reflexões filosóficas e de execuções sumarias dos restantes convivas, à medida que tece comentários sobre os próprios. A letra é por demais extensa para ser colocada aqui na MI (4 paginas A4), mas vou destacar algumas passagens para que tenham uma ideia mais correcta do que me refiro:

“I am tall and I am thin
Of an enviable hight
And I've been known to be quite handsome
In a certain angle and in certain light

Well I entered into O'Malley's
Said, "O'Malley I have a thirst"
O'Malley merely smiled at me
Said "You wouldn't be the first"

I knocked on the bar and pointed
To a bottle on the shelf
And as O'Malley poured me out a drink
I sniffed and crossed myself

My hand decided that the time was nigh
And for a moment it slipped from view
And when it returned, it fairly burned
With confidence anew

Well the thunder from my steely fist
Made all the glasses jangle
When I shot him, I was so handsome
It was the light, it was the angle”

(…)

“Well, the light in there was blinding
Full of God and ghosts of truth
I smiled at Henry Davenport
Who made an attempt to move

Well, from the position I was standing
The strangest thing I ever saw
The bullet entered through the top of his chest
And blew his bowels out on the floor”

(…)

“Well, I checked the chamber of my gun
Saw I had one final bullet left
My hand, it looked almost human
As I raised it to my head

"Drop your weapon and come out!
Keep your hands above your head!"
I had one one long hard think about dying
And did exactly what they said”


Simples e poético!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Encontro de irmãos

mafarrico,

Encontro De Irmãos é um filme realizado por Barry Levinson em 1988. Ganhou 4 óscares e eu não o aprecio muito. Mas há quem goste.

E encontros de irmãos há muitos, não se pense que é só esse, nós próprios já presenciamos muitos, de quase todas (se não todas) as vezes que nos encontramos.


Estes, já agora, podiam ter-se encontrado escrevendo uma musiquinha melhor, mas já não está mal. Com aquela besta a correr e a fazer barulho também não seria fácil concentrarem-se , ainda assim já os ouvi a fazer melhor.

M.P.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Boris @ LX Factory 27/05/08

mafarrico,

ontem dirigi-me a uma fábrica abandonada e sem condições para receber um concerto rock'n'roll. Para quê? Para assistir a um concerto rock'n'roll. Foi pena que me tenha deslocado para assistir exactamente a um evento para o qual o local não era adequado, mas ... acho que já percebeu a ideia. Mas afinal, uma fábrica abandonada é adequada para quê? Grandes questões do nosso tempo.

É que o som, ao ser debitado em grande volume fazia eco em tudo quanto era paredes e tectos e parecia que vinha de cima e era preciso uma grande dose de concentração para se perceber o que é que o colectivo japonês estava a tentar fazer em cima do palco. Outros presentes, porventura mais familiarizados com o trabalho do trio (eram quatro) estavam em extâse, mas eu não, eu estava só a pensar que a prestação de uma grande banda, com grandes músicas e grande postura estava a ser arruinada por um som deficiente.

Foi pena, mas lembre-se, vizinhos dos nossos vizinhos, nossos vizinhos são (se não formos nós, claro!).




M.P.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Terasbeton - onde os homens cavalgam!

Vivam parceiros do Mal!

O Mal não conhece fronteiras e o Demo reina de cima do seu trono!
Assim ficou provado durante a realização de mais um fantástico festival da eurovisão, que desta feita e de forma aleatória, foi apelidado de: "o 53º"!

Como saberão, esta festividade musical tem a particularidade de reunir o que de pior se faz, em termos musicais, um pouco por todo o mundo (desde que seja na Europa), e de forma massiva e maciça entrar nos lares, ouvidos, olhos e mentes de milhões de pessoas, que sem saberem exactamente porquê, assistem impávidos a toda aquela exibição a roçar o decadente, absorvendo tudo com um sorriso nos lábios.

O nosso Mestre, Sr. Satanás, não poderia obviamente estar desatento a esta oportunidade! Aproveitando o relaxe das hostes celestiais, e após alguns anos de ausência voltamos a pisar o palco desta grande e apoteótica ode à degradação humana!

Desde a longínqua participação da Adelaide Ferreira, corria o ano de 1985, os desígnios infernais foram mantidos afastados destes eventos. Na altura a colega usou assim uma espécie de hard-rock e conseguiu um razoável 18º lugar (eram 19 os concorrentes…). Talvez por os resultados terem ficado um pouco aquém do esperado, ou por se formarem no horizonte novas frentes de combate (recordo o estrondoso triunfo de 1987 das nossas hordas em Viena), os nossos esforços foram de certa forma redireccionados e o festival da eurovisão foi esquecido.

Mas eis que este ano surgiram, vindos das longínquas estepes geladas da Lapónia (longínquas obviamente para quem não está lá perto), um agrupamento musical de verdadeiro Power Metal denominado Teräsbetoni, constituído por uma dezena (ou quase) de diabos a fazerem lembrar os veteranos Manowar, que levou ao palco o tema “Missä miehet ratsastaa”. Para quem não sabe, significa “onde os homens cavalgam” o que por si só já é suficientemente indicativo do teor da grandeza dos nobres conteúdos declamados por estes jovens aprendizes, dedicados a aclamar a honra e a gloria de batalhas que terão ocorrido e onde terá sido derramado uma quantidade significativa de sangue!

O resultado final, é que voltou a não primar pelo excelente. Um enaltecedor 22º em 25, apesar de tudo, não pode ser considerado um falhanço total, absoluto e conclusivo. Como falha na performance (e daí termos perdido alguns pontos) há apenas a apontar que o recinto não foi consumido pelas chamas durante a actuação e não foram registadas quaisquer vítimas mortais por entre a audiência. Apenas foram mencionados casos de ataques de riso brutais que levaram alguns dos presentes a recorrerem a ajuda medica no local.

Mas deixo-os com a performance (na integra) desta emblemática banda e com o desafio de a verem até ao fim. Penso que conseguirão:





domingo, 25 de maio de 2008

Recordações

mafarrico,

descobri nos arquivos da masmorra um video da altura em que o meu colega era um aprendiz. É verdade! Que bela surpresa! Mas antes que desate para ai a verter lágrimas de nostalgia, elucide-me quanto a qual dos três seres de vermelho é o nosso conhecido mafarrico.



M.P.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Trio infernal

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.

É só isto, e nada mais."
e etecetera e tal. Todos conhecemos esta tradução de referência, e todos a sabemos de cor. Sendo de bom tom chamar a atenção para ela quando passa aproximadamente uma hora que escrevi na masmorra um excerto do poema original.

Pessoa, que fez a tradução, é por muitos considerado o maior escritor de língua portuguesa de todos os tempos, pela qualidade da sua escrita, pela profundidade dos sentimentos que imprime nos seus escritos, mas também e principalmente por ter sido a primeira pessoa a arranjar a palavra "umbrais" para rimar com "mais" e com "jamais", permitindo assim a tradução do poema de Poe.

Claro que Pessoa militava nas nossas hostes infernais, tendo o seu encontro com Aleister Crowley em Lisboa feito correr muita tinta. Tanta que o Sr. Ozzy Osbourne teve a ideia de fazer uma música sobre o nosso conterrâneo ao ler a noticia sobre o encontro num jornal da época. Quando lhe disseram que o poeta português era o "Mr. Pessoa" ela achou que o nome não ficava bem e era um pouco redundante pelo que terá dito "Fuck! Faço uma música sobre o outro".



M.P.

Olha o passarinho!

Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of some one gently rapping, rapping at my chamber door.
"'Tis some visitor," I muttered, "tapping at my chamber door —
Only this, and nothing more."

And so on and so on .... É uma obra de referência, todos a sabemos de cor. Acho que é meu dever chamar a atenção para ela no dia em que passam aproximadamente 159 anos, 4 meses e 14 dias da morte do autor.

A sua obra é extensa e fica marcada principalmente pelas fortes influências retiradas da N.W.O.B.H.M . Sabe-se que o autor era um ávido fã deste género de musica e que muita da sua inclinação para temas mais lúgubres e melancólicos se deve ao facto de as suas bandas preferidas teimarem em não fazer digressão nos US of A.



Voltarei a este tema na próxima efeméride digna de nota, relacionada com este ou com outro qualquer escritor,
M.P.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

O mistério de Ugolino

mafarrico,

Dante nas suas deambulações pelo nosso lar cruzou-se com várias personagens (que nós, na maioria, conhecemos de vista), entre elas encontra-se Ugolino de Pisa encarcerado no circulo nove, circulo destinado aos traidores. O homem está congelado nos gelos do Inferno, só com a cabeça de fora e roendo a caveira de Ruggieri que fora o Arcebispo de Pisa.

Parece que em vida, não morriam de amores um pelo outro.

Em tempos idos, antes da morte de ambos, Ruggieri teria razões de queixa de Ugolino e , tendo poderes para isso encarcerou-o mais os quatro filhos na Torre da Fome onde os deixou até sucumbirem à ... fome.

Em conversa com Dante, Ugolino conta como ao fim de uns dias na dita torre e após pesadelos terríveis começa a enlouquecer e a morder as próprias mãos. Os filhos pensado que o seu pai tinham fome ainda lhe disseram :
... tu ne vestisti queste miseri carni, e tu le spoglia (Inferno, XXXIII, 62-63)
Ele não liga muito a isso, e ao quinto e sexto dia vê-os morrer (presumivelmente uns de cada vez e não todos ao mesmo tempo). No dia seguinte Ugolino fica cego e apalpa os corpos dos filhos falando com eles. Um terror imaginável.

É então que é proferida a frase que até hoje não está bem clarificada e que tem sido objecto de debate por pensadores através dos tempos. Diz Ugolino
"Poscia, piú che'l dolor, potè il digiuno."


É claro que eu nunca li Dante, aquilo pode ser porreiro mas é em verso e é grande à brava e eu não estou para ai virado. No entanto, tenho na minha posse um livro escrito pelo génio Jorge Luis Borges intitulado "Nove Ensaios Dantescos" que é a compilação de nove pontos de vista de Borges sobre nove passagens do livro de Dante e mais um prólogo interessante.

É mais um livro que nos convém porque assim com pouco esforço podemos passar a ilusão que lemos esta obra maior que todos conhecem ... de nome. Pode dar bom aspecto, depende da situação.

Finalizo com a convicção que se esta minha referencia literária tiver tanto sucesso como as outras me pedirá o livro emprestado por alturas do primeiro equinócio do próximo milénio, e então terei muito gosto em o deixar passar os olhos pela capa.

M.P.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Momentos de qualidade

colegas,

volto mais uma vez aqui hoje só para informar que a encomenda já chegou. A antiga mesa de matrecos já estava a cair aos pedaços, as figuras já estavam desactualizadas e desde que a atiramos para o fogo infernal ficou um vazio ali no canto do tasco. Por isso , não me fiz rogado e mandei vir uma nova mesa. Aqui ficam algumas imagens e constituição das equipas em jeito de convite.






20 paus, 7 bolas. Eu fico nos maus e quero ficar com o espeto do Hitler. Quem ficar nos bons perde e é obrigado a usar asinhas durante um mês.

M.P.

Cinema só se for com pipocas

caros colegas do mal,

chamo a atenção para um colega que se tem mantido muito atarefado ao longo dos anos e que merece agora uma referência na masmorra por ter decidido espalhar a palavra por um novo meio.

Paul Bruce Dickinson foi durante anos a voz de uma das bandas mais queridas da Masmorra (tão querida que já foi aqui enxovalhada pelo colega mafarrico), é a voz mais carismática do som infernal e conhecido por todos.

Se essa faceta é a mais conhecida do senhor, também é sabido que tem carreira como piloto de aviões comerciais, sendo mesmo ele que pilota a sua própria banda para países longínquos durante as suas extensas digressões musicais. Além disso é por poucos conhecida a sua incursão pelos caminhos literários quando lançou um livro que não me lembro do nome e que não devia ser muito bom porque ninguém ouviu falar nele, mesmo aqueles que ouviram falar nele (se é que me faço entender).

Ora, há gente que não para queta. E o nosso querido frontman, e menos querido escritor e desconhecido aviador lançou-se na aventura da sétima arte. É verdade, escreveu um filme a que deu o nome de "Chemical Wedding" e como não sabia realiza-lo (já seria demais) deu-o para realizar a um tipo Julian qualquer-coisa que ninguém conhece e nunca realizou nada de jeito.

Pelo que vi o filme não será muito bom, mas pela amizade que nutro pelo sr. Dickinson deixo aqui um pouco de publicidade gratuita.



M.P.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Edição comemorativa

mafarrico,

a Masmorra não pára, não pense nisso porque a prova-lo acaba de chegar ao universo o primeiro CD comemorativo deste projecto masmorrifico!

Sendo a musica do Demo o fio condutor das nossas mensagens escrevinhadas a sangue nestas paredes que melhor maneira de comemorar este feito do que editar um trabalho discográfico contendo algumas das referências musicais feitas neste espaço?

Numa edição limitada a 2 cópias, e após aturada pesquisa e selecção aqui fica, com um tema inédito nunca antes mencionado nestas paredes o Masmorra Infernal - Vol. 666. Aprecie ....


Entombed - Serpent Saints
Satyricon - K.I.N.G.
Motorhead - Iron Fist
Annihilator - Human Insecticide
Megadeth - Tornado Of Souls
Slayer - Angel Of Death
Carcass - No Love Lost
Opeth - The Grand Conjuration
Morbid Angel - Blessed Are The Sick
Death - Cosmic Sea/Vacant Planets

Aqui ficam mais umas imagens exclusivas, onde se pode ver o carimbo de aprovação do nosso mestre ,















mantenhamos a calma com este acontecimento brutal!
O que fizer headbanging mais lento é um anjinho depenado ....

M.P.

o trabalho do Demo, Diabolus in Musica

Maléfico, Diabolicus,

Sinto a ausência de som a reverberar pelas paredes da nossa oca masmorra.

Estando eu em silêncio profundo, imóvel, observante, a aguardar uma qualquer resposta ao meu post anterior, não pude deixar de me sentir impactado pelo poderoso e frio silêncio que preenche este antro maléfico.
O vazio e o desespero que isso me transmitiu, foram particularmente acolhedores e encheram um dos meus corações com aquele calorzinho a que chamamos a sensação “lar-doce-lar”.

Estava eu nisto, quando me apercebi que afinal não seria de facto o silêncio lúgubre e absoluto o que escutava! Havia ali algo. Um ritmo soturno, uma batida quase fúnebre que alegrava todo o ambiente e me causava esse bem-estar. E que batida era esta que me causava tal sensação?

Em poucos segundos, vasculhei no fundo da minha vasta mente, profusamente instruída em todos os ensinamentos negros e recordei-me de uma longínqua aula de educação musical, éramos nós petizes diabinhos, onde o então mestre de educação musical fez menção a uma técnica que tem como objectivo causar o desconforto e lançar a inquietude nas mentes de quem escuta uma melodia de forma menos atenta.

Dessa técnica, que dá pelo nome de Tritone, pouco mais sei. Desse dia, guardei mais vividamente, a imagem do dito tutor musical a ser projectado ainda vivo e em chamas pela janela.
Talvez por isso os nossos conhecimentos musicais serem um pouco limitados, mas recordo que ainda deu para fazer umas brincadeiras mais ou menos bem conseguidas. Assim de repente vem-me à ideia uma 9ª sinfonia de Beethoven (o que a gente se riu quando escrevemos esta pequena obra).
Mas voltando ao Tritone, basicamente trata-se de um intervalo musical que dura 3 tons (o que é equivalente a dizer que é o mesmo que um quarto aumentado). É vulgarmente referido como um intervalo dissonante ou desarmónico. Por isso mesmo, e pelos efeitos subversivos que causa nos desprevenidos ouvintes, foi classificado pela igreja medieval como a nota do Diabo, o seu uso foi proibido e correctamente baptizado de Diabolus in Musica!
Obviamente que as coisas não se ficaram por aqui, e com a disseminação dos nossos por todos os poros da sociedade, o Tritone voltou a ser utilizado para o fim para o qual foi criado.
Vivaldi, Beethoven, Bela Bartok, são apenas alguns dos demónios mais dados a estas coisas da música que relançaram o uso desta técnica.

Mas como seria de esperar, é nos géneros musicais mais pesados, aqueles em que a predominância do Sr. Satanás é de todo avassaladora, onde encontramos os grandes executores desta e de outras técnicas diabólicas.
Em conversa com alguns deles, foram-me dados inúmeros exemplos de casos, mas permito-me destacar apenas dois, que pela sua magnificência e carga diabólica se destacam dos demais. São eles:

A entrada e o riff principal do tema Harvester of Sorrow dos Metallica;

O soberbo inicio da musica Bitter Peace dos Slayer, retirado do álbum que dá pelo nome de…. Diabolus in Musica… eh eh eh

Atentem então a estes dois soberbos exemplares do verdadeiro trabalho do Demo!!!



quinta-feira, 15 de maio de 2008

A Decadência da Masmorra, aspectos positivos

Caro,

Ultimamente, é com alguma inquietação que noto que, a até agora fervilhante actividade malévola da Masmorra, tem decaído a olhos vistos! Essa quebra anímica não pode deixar de se evidenciar pelo cada vez menor número de posts colocados!
Ora bem, esta informação não estará muito correcta porque de facto o numero de posts é cada vez maior, uma vez que os anteriores não caducam. O que seria interessante, se não vejamos, se cada post tivesse apenas um determinado tempo de vida, digamos um mês, seríamos obrigados a escrever freneticamente para compensar o débito de saída e para manter alguma dignidade deste espaço. O que se passa de facto, é que a cadência de entrada tem baixado (não a qualidade, note-se, essa apenas começou a baixar hoje com este post algo desesperado), e somos confrontados com números, cada vez menores, entre parêntesis à frente dos meses!

Sei que este é um tema que já considerou abordar no passado, mas que deverá ter abandonado à partida por ser desprovido de qualquer interesse, mas por isso resolvi traze-lo à luz do pequeno postigo que permite a entrada do único e singelo raio de sol no nosso antro.

Devo obviamente fazer justiça que parte deste afastamento se deve ao facto de andarmos extremamente atarefados nas missões de disseminação do Mal e da Perfídia que nos são adjudicadas diariamente pelo nosso Mestre! Saliento o excelente trabalho que tem feito com os preços dos combustíveis, sem descorar a questão da inflação galopante em diversas partes do globo terrestre. Já ando também a trabalhar nas subidas dos preços do crude e sei que há projectos interessantes para baralhar o equilíbrio geo-estrategico mundial, sustentados nas próximas alterações na casa branca, agora que o colega Bush vai passar para funções mais encobertas.
Enfim, podemos garantir que temos a questão da instabilidade social, do pânico instalado e da escalada da insegurança económica garantidas por uns pares de meses. Talvez possamos dedicar-nos um pouco mais a estas acções de base, que sustentam tudo o resto, que são escrever posts na Masmorra Infernal.

Para relaxar, deixo-o com esta bela e inspiradora montagem cinematográfica, com o tema musical de fundo interpretado pelos colegas Coroner, que em forma de homenagem singela, dá pelo nome de um dos muitos do nosso Maior.


terça-feira, 13 de maio de 2008

Nº 29

mafarrico,

qual não é o meu espanto quando, em conversa com um outro demónio o ouço proferir estas palavras sobre as paredes da nossa masmorra :

"É , pois é!! Os escritos têm piada até ."

Piada?! Enfiei-lhe o meu fiel machado na cabeça e enquanto o via escorregar encostado à parede fiquei a pensar no que me tinha ele acabado de dizer.

"Repete lá isso?" - disse-lhe eu ameaçadoramente.
"Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhh" - respondeu ele lá de baixo.
"Formiga! Não tens coragem de repetir o que dissestes!".

Mas fiquei-me com aquela .... "Piada", como se alguma vez nos tivessemos apoiado em subterfugios cómicos para espalhar os Ensinamentos.

Para esse e outros energúmenos que possam encontrar alguma comicidade nas nossas Palavras Infernais deixo este aviso. Tenham Medo!!!



M.P

quarta-feira, 7 de maio de 2008

As Maias


Iniciado que está mais um mês, tanto na Masmorra como no mundo exterior, e à semelhança de todos os outros anos, optei por escrever um tema cujo tema seja o tema em si, ie, o próprio mês.
Consultando o ancestral calendário que temos por cima do desnecessário frigorífico da nojenta cozinha da nossa vil masmorra, concluo após alguns cálculos e deduções, que nos encontramos no mês conhecido por Maio.
A este mês do calendário babilónico, estão associados muitos eventos e acontecimentos ancestrais e cujas tradições remontam às longínquas eras esquecidas, e que por isso mesmo já ninguém se lembra, tanto das eras como dos eventos.

Mas há um que nos é (ou deveria ser) particularmente querido.
Falo, como concerteza terá deduzido pelo título deste post, das Maias.
Não, não se trata da obra literária que o colega escreveu em tempos, nem dos nossos desenhos animados preferidos. Refiro-me à tradição que os (des)crentes têm, de colocar ramalhetes destas flores um pouco por todo o lado, mas mais vulgarmente nas suas casas (por detrás da porta) ou ridiculamente nos capôs dos seus automóveis.

Há varias explicações bastante lógicas para este procedimento, mas que me abstenho de descrever aqui. Em primeiro por serem muito alongadas e depois porque não o quero maçar com os meus vastos conhecimentos. Mas basicamente é algo que sempre se fez e que estava relacionado com rituais (ditos pagãos) dos quais o nosso Maior fazia parte com frequência e que normalmente envolviam moças campestres roliças e rosadinhas a correrem semi-nuas pelos campos fora.
Entretanto os tempos mudaram e essas práticas começaram e não serem bem vistas pelos que corriam menos que as moças, e a coisa foi-se perdendo.

Nos tempos correntes, vendo que não conseguiam irradicar a pratica da colocação da dita flor em casas e afins, o clero começou a associar este evento à crendice de que desta forma nenhum de nós conseguiria entrar dentro dos lares assim supostamente protegidos. Esta preocupação assume especial ênfase nesta fase do ano, dado que sendo Maio um dos muitos nomes do nosso Sr. Satanás os ignorantes julgam-nos mais activos por estes dias, chegando alguns a pensar que estaremos de tal forma frenéticos que inclusivamente teremos algum interesse em entrar nos capôs das suas viaturas (as maquinas diabólicas não precisam que o façamos dado serem elas próprias membros das nossas hordas).

Existem diversas versões bastante patéticas, que visam levar os descrentes a colocar tal sinalética nas suas moradas, que vão desde que assim evitam serem mordidos por um burro até aquela que é sem duvida a mais hilariante de todas: a que diz que se a casa não estiver devidamente protegida por tal enfeite floral, o Diabo ao passar, entra na casa e ….caga nos tachos!!!

Esta tradição é-nos deveras favorável! Não goremos portanto as expectativas de quem espera o pior de nós! Prepare-se pois caro colega, que temos uma grande obra pela frente! Eu já procedi às alterações gastronómicas necessárias a potenciar um resultado máximo em termos de capacidade de produção.


Mafarricamente me despeço
Mafarrico

sexta-feira, 2 de maio de 2008

um sinal do Demo

mafarrico,

o Chefe gosta de nos por à prova através dos nossos bólides locomocionais. Hoje gozando de um dia de férias e aproveitando o sol quente de verão dirigi-me na minha charrete infernal para a zona da praia. Onde tinha um encontro marcado com uma diabinha.

Férias, praia, diabinhas! Nosso Senhor Belzebu não nos deixa gozar tais prazeres sem uma prova para nos por à prova. E nisto, quando entro na ultima rua antes do local marcado, sinto a charrete a descair para a direita, e o carro instável assim como quando se está com um pneu furado.

Parei numa sombra, sai do carro e que se me depara? Consegue imaginar? Era um pneu furado.

Fiquei a olhar para aquilo. E ..... fui almoçar.

Voltei do almoço, troquei o pneu para um que tinha na mala e não estava furado e continuei o meu dia. Que emoção!

No caminho de volta, pensava em mais esta provação do Senhor. Porque me teria ele posto à prova desta maneira? Mas ... teria sido mesmo uma prova infernal? Poderia nem tudo ser obra do nosso Mestre? Filosoficamente pensando, poderia Ele não existir? Começava a questionar a minha fé, com este episódio tão sem sentido e tão facilmente ultrapassado.

Precisava de um sinal.

Nisto o meu olhar cruza-se com o conta-quilómetros da charrete. E fez-se luz, senti uma calma diabólica a descer sobre mim. Tudo estava bem, tinha sido efectivamente posto à prova e tinha-me portado bem, o visor marcava 90 666 Km.

Há-de estar atento porque ciclicamente o Senhor manda-nos este tipo de sinais pelo visor do conta quilometros, devemos pensar nisso para decifrar o que quer ele dizer-nos.

M.P.