segunda-feira, 27 de dezembro de 2010



Última emissão da Masmorra Infernal do Sr. Satanás:



Última emissão do Doutor Fausto:

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Já é natal outra vez?! Ainda ontem foi...

Caríssimos,

Somos novamente chegados aquela época do ano, que tão especialmente marca a sazonalidade humana, que por esta altura se liberta de preconceitos e de dogmas e dá início a uma catarse social de união e partilha. Esse processo basicamente resulta numa compulsiva e desenfreada corrente consumista, onde cada um desses seres ignobeis entra numa espécie de histeria e consegue abrir mão das parcas economias que teimosamente foi amealhando ao longo do período que medeou esta e a época anterior com as mesmas características.

É o natal outra vez, pronto.

Na Masmorra o natal também é especial. O que tem de especial é que aqui nada nem ninguém lhe liga nenhuma e passa portanto despercebido (à excepção desta missiva).

A temática já aqui foi abordada anteriormente, não me alongarei. Por um lado é mau porque é propício à disseminação – ainda que momentânea - da paz, do amor e outros desse falsos e púdicos valores, por outro lado é bom porque os desgraçados dos humanos entregam-se com tal ansiedade a esta espécie de miragem de um mundo melhor, que o anti-climax que se lhe segue é inevitavel com as consequentes depressões e angústias que nós tanto apreciamos.

Neste nobre espaço, os eruditos membros trocam também relíquias entre si. Não em formas materiais, que requerem recursos escassos e que queremos guardar para podermos desperdiçar mais tarde, mas na preciosa essencia da informação em si.

A minha dádiva, que aqui vos deixo na vâ esperança que vos seja útil, vem sob a forma de uma lista de álbuns músicais.

Não, não será a enésima listagem das melhores publicações discográficas do ano que em breve findará. Será sim, a colectânea, sem olhar a géneros ou estilos, dos 666 títulos mais ouvidos por Mafarrico no ano transacto. Considerem este exercício como uma forma de serviço público por um mundo pior.


1 BaronessBlue Record (sludge, 2009, EUA);

2 Bizarra LocomotivaÁlbum Negro (industrial, 2009, Pt);
3 Linda MartiniCasa Ocupada (post-rock, 2010, Pt);
4 Mão MortaPesadelo Em Peluche (alternativo, 2010, Pt);
5 Black Rebel Motorcycle ClubBeat The Devil's Tattoo (alternativo, 2010, EUA);
6 BaronessRed Album (Sludge, 2007, EUA);
7 IsisOceanic (Sludge, 2002, EUA);
8 Cult of LunaEternal Kingdom (Sludge, 2009, Suécia);
9 CynicTraced in Air (progressive metal, 2008, EUA);
10 Isis - Wavering Radiant (sludge, 2009, EUA);








segunda-feira, 20 de dezembro de 2010




Última emissão da Masmorra Infernal do Sr. Satanás:


Última emissão do Doutor Fausto:

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Neurosis "Locust Star" live

O Sr. Satanás é bom para nós! Injusto, prepotente e bom.

Amaldiçou-nos com a missão de dissiminar o ódio e a discordia por entre os homens, tarefa grandiosa só por si, mas muniu-nos de armas de alcance avassalador como é o caso da sua refinada arte.

Deixo-vos com um dos exemplos mais extremos e poderosos: Neurosis – uma maquina de destilar veneno e ódio, mas num ritmo lento e compassado. Em grande estilo.





sábado, 11 de dezembro de 2010

Leaders... Not followers Pt.2

Se há personagem controverso, no que se refere à sua aceitação como icon dentro da Masmorra, então esse personagem é sem dúvida Dave Mustaine.

Um tipo estranho este Dave. Começou como um junkie agarrado, fez parte do line-up dos Metallica no inicio de carreira, continuou a ser um junkie agarrado e um alcoolico irascivel, fundou os Megadeth com o intuito de fundo de se vingar da sua expulsão precoce dos Metallica, juntou à sua forte personalidade a arrogância e prepotência de quem se julga o maior, revolucionou a cena Thrash Metal de São Francisco/Los Angeles, alimentou a sua carreira meteorica de guitar hero com a sede de vingança de Lars Ulrich e James Hetfield, superou todos os niveis de alcoolismo e de vícios, atingiu o estrelato nunca se desviando da sua linha musical desde o inicio (e esta Lars?!), destruiu a carreira a varios musicos que foram colaborando com ele, escreveu alguns dos temas mais marcantes do Heavy Metal (de sempre), definiu um estilo sarcastico e de humor caustico nas suas letras e tornou-se um icon para as gerações seguintes, vendeu discos como se não houvesse amanhã, tornou-se um deus... mas sempre atrás dos Metallica. Parece que na verdade nunca conseguiu superar isto, e vai daí aos 50 e tal anos converte-se ao cristianismo.
Enfim, após 12 albuns de originais, 3 ou 4 ao vivo e algumas colectâneas (como mandam as editoras) está dado o mote para a sua propria decadência, que foi exactamente como começou.



Mas a ignorância não é apanagio de um Demónio. Ingratidão e insensibilidade à parte, quando pensamos em Dave Mustaine não podemos deixar de lembrar que é a ele que devemos uma vasta discografia, plena de temas geniais, inovadores e tão marcantes que é difícil, até mesmo a Mafarrico, eleger o seu preferido.

O subversivo “Peace Sells... but Who's Buying?”, o segundo dos Megadeth, estaria seguramente entre os favoritos, assim como Countdown to Extinction (o 5º), o primeiro grande sucesso de vendas da banda.

Mas, meus caros, estamos na Masmorra! Aqui não nos interessam hits nem vendas. Queremos é saber de música pura e dura.

Rust in Peace, editado em 1990, apanhou Mafarrico numa sanguinaria fase de metaforfose musical e serviu de rampa de lançamento para o que havia de vir nos anos seguintes - doses massivas de metal de todos os generos, com o Thrash à cabeça – e é portanto o eleito como album maldito dos Megadeth.

Todos, mas todos os temas são de uma excelência inultrapassavel. Hangar 18 continua a ser um dos melhores temas de sempre da historia da musica, mas para a historia da Masmorra fica este video (recorda-se com certeza caro Maléfico).

“Brother will kill brother
Spilling blood across the land
Killing for religion
Something I don't understand

Fools like me, who cross the sea
And come to foreign lands
Ask the sheep, for their beliefs
Do you kill on God's command?”



Ok Dave, agora não te esqueças de ir à missa. Olha que o Jesus está a ver… palhaço.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Da Masmorra para o Mundo (From the Masmorre To The World)

Quando todos os fieis leitores (todos os dois) desta Masmorra já desesperavam pensando que a inércia havia atacado os grandiosos escribas deste espaço, heis que, aparentemente do nada, surge uma noticia avassaladora, uma surpresa que nada nem ninguém esperava e que denota o árduo trabalho que vimos labutando visando o domínio mundial.

Estais todos convidados para a primeira emissão radiofónica da Masmorra Infernal Do Sr. Satanás! O Chifrudo ordenou-nos que porfiássemos por outros caminhos, e vai daí, os criadores deste espaço escrito criaram um espaço radiofónico para gáudio de todos.

A estreia está marcada para o domingo que passou (dia 5) às 22h na Kitschnet Radio , se por alguma razão não conseguirdes ouvir o programa #1 então tem por lá um link para o Podcast.

Os músicos a quem foi dada voz no do dito show radiofónico foram: mão morta, bizarra locomotiva, iliketrains, mogwai, crippled balck phoenix, laia, russian circles, irreversible, general lee, giant squid e linda martini.

O nosso mote será : "Masmorra - a desagradar a todos desde 1279".

Na hora seguinte, e na mesma rádio, haverá a estreia do programa "irmão" - Doutor Fausto (numa singela homenagem a esse individuo que pactuou com o nosso Maioral). Em moldes parecidos com o do programa anterior serão apresentados sons vindos das mais profundas profundezas do Inferno. A hora de estreia conta com : tephra, ganon, seven nautical miles, general lee, overmars, old man gloom e rosetta.

Sem dúvida, uma brilhante jogada, esta de apostar na rádio pela internet. Um dos objectivos da Masmorra foi assim alcançado - Passamos de dois leitores para dois leitores e dois ouvintes. Um sucesso!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Leaders... not followers Pt.1

Com esta nova rubrica masmorrenta, pretende-se homenagear os membros honorários desta Masmorra, assim como outras entidades que ao longo dos tempos, tenham feito alguma coisa de jeito para impulsionar a musica do honorifico Sr. Satanás.

Nome: Mikael Akerfeldt

Guitarrista, vocalista, principal compositor e líder carismatico dos Opeth. Conhecido pelo seu sentido de humor sarcástico e por ter revolucionado o Death Metal nordico, introduzindo as suas influencias do rock progressivo dos anos 70. Também é vocalista nos Bloodbath, projecto lateral aos Opeth que pretende recriar o Death Metal da velha escola e canta dos primeiros trabalhos dos Katatonia.

No activo desde 1995, leva já 9 albuns de originais com os Opeth e 4 com os Bloodbath (2 são Eps). Teve a oportunidade de ser visionado ao vivo por duas por Mafarrico e é por este muito apreciado.

Mafarrico prefere: Blackwater Park (2001)




sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Interpol - evil nao mt evil

Prezados,
Pois de facto, esta minha deslocação a um recinto tão distante, para assistir à performance dos Interpol, vista agora a uma confortável distância temporal, foi sem dúvida inusitada e completamente a despropósito. Se um demónio assumisse alguma vez as suas falhas, esta seria com certeza uma delas.
A situação não é nova apesar de tudo. Em pouco mais de hora e meia, a banda conseguiu desmontar e fazer desmoronar todo o crédito que a audição dos seus temas de estúdio tinha construído no imaginário de Mafarrico. Saliente-se que a atenção dada por Mafarrico a esta banda de indie rock era uma honrosa e rara excepção dentro dos géneros musicais que mais pululam na Masmorra. Mas este concerto encarregou-se de resolver a questão, diria, quase definitivamente. Só há um caminho a seguir por estes Interpol: Out da reservada play-list de Mafarrico!
A abertura do concerto até foi cómica, com uma banda muito Brit Pop da qual não fixei o nome, a tentar aquecer os ânimos. Os movimentos em palco do seu vocalista faziam lembrar o cruzamento entre um robot e um Ian Curtis decadente. Desta performance recordo vagamente ter meditado sobre o porquê de a altura média dos seguidores de Interpol ser seguramente inferior à dos seguidores de outros géneros mais pesados e extremos (conseguia ver perfeitamente o palco de qualquer ponto onde me encontrasse) e de nunca ter sentido tanta vontade de ouvir Interpol. Nunca 40 min me pareceram tão longos.
Quanto aos Interpol, passado o entusiasmo inicial da entrada em palco, rapidamente foi perceptível que a coisa não iria aquecer muito. Uma postura completamente estática, sem grande comunicação com o publico e um encadeamento fraquinho entre os temas do set list reduziram os Interpol a uns chatos sem graça nenhuma.
A reforçar a desgraça, os temas do último álbum são débeis e não resultam muito bem ao vivo (excepção feita a Lights). De pouco valeram os hits antigos. Até aqui desagradaram sobejamente a Mafarrico conseguindo não tocar nenhum dos três temas de eleição deste: Pioneer of the falls, The scale e The Heinrich maneuver ficaram de fora.Enfim, as verdades devem ser ocultadas, mas neste caso à que dize-lo, nunca senti tão pouca vontade de voltar a ouvir Interpol.


terça-feira, 9 de novembro de 2010

BRMC - 09Nov2010


666 conducer
Esqueçamos que o som esteve sofrível na quase totalidade do concerto, esqueçamos que no HC um diminuto copo de cerveja tem o risível custo de um euro e meio (o que aliado ao custo de um euro por pendurar um casaco, explica o calor até agora inexplicável da sala), esqueçamos que os BRMC praticamente não se dirigiram ao público (um écran e uns óculos 3D teriam tido um efeito semelhante), esqueçamos que a baterista está longe de ser exímia na sua arte (ou na arte dos bateristas), esqueçamos que não tocaram a American X.
Foi um bom concerto. Duas horas de rock’n’roll à maneira para fãs incondicionais da banda. Deu para ouvir e saturar dos temas mais batidos. Agora há que fazer algum jejum destes BRMC para não enjoar.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Eagle Twin + Pombagira @ Porto Rio 02/11/2010


Uma pequena multidão de jornalistas e repórteres de imagem aguardavam pacientemente a saída do sr. Maléfico do evento de ontem no Porto-Rio, o concerto de Eagle Twin acabara à poucos instantes e era importante obter em primeira mão as impressões do mais ilustre dos espectadores.
Logo que se vislumbrou o vulto do sr. Maléfico todos se dirigiram para este ponto, os flashes em catadupa, os punhos com os microfones em riste e os costumeiros "Não faço comentários" prontamente ignorados por todos, o momento era grandioso e ninguém ia arredar pé sem saber o que Maléfico tinha a dizer sobre o assunto. Passado o caos dos primeiros momentos, logo uma pergunta se fez ouvir, mais vigorosa e firme do que todas as outras - "Sr. Maléfico, como correu o concerto? Correspondeu às suas expectativas?". Maléfico parou, olhou de frente as câmaras e acedeu em algumas palavras:
- "Foi com certeza um portentoso espectáculo, se alguém duvidasse da mestria e solidez dos grupos que hoje se apresentaram aqui, então essas dúvidas ficaram totalmente dissipadas, o que me agrada deveras e faz olhar o futuro musical com muita esperança. É verdade que a conjuntura não ajuda a um espetáculo melhor , nomeadamente o facto de a banda principal só ter um disco editado, mas os intervenientes souberam contrariar isso de forma brilhante."
Dito isto, e após conseguir avançar alguns metros por entre os muitos repórteres, ficou claro que estes ainda não estavam satisfeitos, muitas perguntas em unissono até que Maléfico decidiu dar atenção a uma mais pertinente que as demais - "Sr. Maléfico, em directo para a rádio, existiram alguns contratempos, não foi um concerto livre de contrariedades ..." . "Penso que se estará a referir ao momento em que a bateria dos Eagle Twin colapsou, foi um fait-divers a que não se deve dar grande importância.". Insistência do repórter ávido de escândalos - "Mas os Eagle Twin só têm dois instrumentos em palco ... não se pode deixar passar em claro o colapso de um deles."
- "É verdade o que diz, mas eu prefiro salientar o excelente profissionalismo do músico que contornou o problema e que, na minha opinião, faz esquecer por completo esse incidente. Alías, devo também valorizar a pronta ajuda do público nesse momento díficil o que demonstra que todos os intervenientes se encontravam empenhados em fazer deste o concerto memorável que acabou por ser. Muito boa noite, não tenho mais declarações"
Nesta altura, e já a muito custo Maléfico se acercava da viatura oficial, quando surgiu outra pergunta que não poderia ser deixada sem resposta.
- "Sr. Maléfico, como comenta os números avançados pela organização em relação à assistência de hoje à noite?".
Foi num tom mais grave e pesaroso que se ouviu a ultima resposta - "É com muita apreensão que verifiquei que a casa não estava cheia. Em momentos destes acho muito prejudicial ao país existir uma abstenção desta natureza, é certo que uma terça feira à noite é propicia a que se fique em casa a deprimir e a pensar no dia de trabalho que se segue, mas esta mentalidade tem de mudar. Anuncio, por isso, aqui e em primeira mão, a minha intenção de apresentar um projecto de lei na Masmorra, que vise criminalizar a falta de comparência a eventos desta qualidade e com bilhetes a menos de dez euros. Porque, deixemo-nos de rodeios, é disso que se trata, um crime! Boa noite a todos, não tenho mais comentários a fazer".
E assim era, davam-se por findos os comentários do Sr. Maléfico, muitos flashes e algumas, tímidas perguntas, mas já o alvo estava a desaparecer dentro da viatura e atrás da porta que se fechava. Ainda tempo para um enigmático comentário sobre a última pergunta, entendível, talvez, apenas por aqueles que se movem mais profundamente no meio musical deste país, disse Maléfico : "Olhem, perderam foi um concerto do caralhão!"

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Dress code infernal (red suite, red tie)

Caros colegas a quem esta mensagem se dirige,

Nós, os profanos representantes das forças malignas na Terra, para além de um negro sentido de humor, de uma latente maldade pérfida e de uma atroz insensibilidade às injustiças que perpetramos através dos nossos cruéis actos, somos também sobejamente conhecidos por uma extrema elegância e um saber estar sem macula. Isto e por gostar de Heavy Metal, obviamente.
Não é portanto de estranhar que alguns de entre nós, (mais uns que outros na verdade) recebamos amiúde, convites para este ou aquele evento social de gala, onde a sua presença (neste caso a minha) seja por demais apreciada. Qualquer anfitrião que se preze, aprecia ter por entre os nobres convivas, alguém que polarize as atenções com as suas observações sagazes, comentários astutos e um vasto conhecimento geral que entretenha os demais e encante o género feminino. Enfim, o verdadeiro epicentro do evento.
Foi assim que me vi mais uma vez, convidado para uma dessas tertúlias sociais da alta sociedade desta nossa cidade.
Recordo-me de ter sido informado, não sem algum desdém, de que o dress code seria “fato escuro”. Regra de etiqueta algo pretensiosa mas que este vosso colega aprecia, como a todas as regras pretensiosas que permitem que explane a sua elegância e esplendor sobre os demais.
Mas, eis que surge o dilema, o choque, o espanto.
O dito evento terá lugar na data coincidente de outro, pelo qual Mafarrico anseia há algum tempo e para o qual inclusivamente já despendeu uma avultada soma em troca do ingresso que lhe permitirá a entrada no mesmo.
Refiro-me, como já poderão ter adivinhado, ao concerto dos Black Rebel Motorcycle Club, banda de rock alternativo, ora psicadélico, ora indie, muito na linha do shoe gazing, e que acima de tudo têm um nome espectacular, razão pela qual atraíram a atenção de Mafarrico no primeiro momento.
Mas dissequemos um pouco a problemática:
O evento ao qual Mafarrico foi informado que não teria que ir se não quisesse mas que depois teria que enfrentar as nefastas consequências de tal decisão, tem início às 18h30 do dia 9 de Novembro;
O concerto dos sombrios e muito apreciados BRMC tem a hora de arranque marcada para as 21h00;
Os locais não distam mais do que mil e quinhentos e quarenta metros (aprox), o que convenhamos, apesar do dom da ubiquidade que nos caracteriza, até ajuda;
Temos portanto dois eventos quase simultâneos (duas horas e meia de permeio) e uma distância a vencer relativamente curta. Tal poderia causar a sensação, a algum demónio menos atento, que o assunto se resolveria facilmente:
18h30 - chegada ao 1º local;
18h40 - Ingestão de uma quantidade incrível de aperitivos e entradas;
19h00 - conversas de circunstância com aproximadamente todas as outras centenas de convivas;
19h50 – aplausos efusivos e continuados aos discursos a proferir pelos organizadores;
20h20 – Discurso improvisado e inflamado, perante uma plateia atónita, sobre todos os temas que ocorram no momento;
20h35 – Recepção de cumprimentos efusivos dos organizadores e vénias para os aplausos imensos;
20h50 – Saída apressada do 1º local e início de corrida tresloucada com destino ao segundo local;
21h00 – chegada sem atraso ao 2º local, momentos antes dos BRMC tomarem o seu lugar no palco;
Tudo parece fácil, não é verdade?
Mas não. Há aqui um pormenor que só demónio atento e experiente detectaria. O dress code de ambos os eventos não poderia ser mais diferente. É impossível comparecer no 1º local de trajado de blusão couro preto, t’ shirt preta e calças de ganga, assim como está fora de questão entrar de rompante nos BRMC com fato e gravata pretos e sapatinho de festa de cordão.
E sejamos realistas, não vai ser em plena corrida tresloucada, entre a Alfândega e o Hard Club, que a troca de trajes terá lugar.
Como resolver a questão, colegas? Como não perder o 2º evento sem faltar ao 1º e sem falhar com os dress codes institucionalizados...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Recordar é viver pt. 3



"Sounds like you guys got perfect pitch. What the hell am i doing on stage? Impressive"

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Irmãos inseparáveis

A temática da irmandade e laços de sangue nunca foi grandemente discutida aqui na Masmorra (e porque o seria?) mas calhou que Maléfico revisionasse neste domingo à tarde (não foi na TVI) um filme em suporte DVD que versa sobre esta temática e é de sobremaneira merecedor de uma menção nestas paredes.


Dead Ringers, de Cronenberg, é um filme sobre sexo, mutações, drogas, violência psicológica e ciúme. A história da vida de dois irmãos gémeos, interpretados por Jeremy Irons no seu melhor papel, que viviam à grande e a francesa até um dia em que lhes aparece uma canadiana no consultório e estraga tudo. Basta um momento para que um dos rapazes ceda ao arrebatamento dessa sensação a que chamam "amor" e está tudo arruinado, a partir daí é sempre a descer até ao final da pelicula.


Claro que haverá sempre um lugar no cinema da Masmorra para ver sangue a jorrar, cabeças a explodir, miúdas semi-nuas a fugir em gritos histéricos e vampiros sugadores de sangue (ou outros colegas igualmente esfomeados), mas no fundo é isto que mais se identifica com a nossa Masmorra. Um filme em que a violência subtil a um ritmo lento, com a utilização a espaços do habitual, mas refinado, humor negro, se torna muito mais eficaz e intenso do que os descalabros cinematográficos a que se costuma classificar de "terror". Na minha muito pouco humilde opinião ombreia com o clássico "Shining" em todos estes promenores e é portanto ele próprio um clássico.

Supostamente inspirado na vida real de dois irmãos que, a julgar pelo filme que originaram, não deviam fechar nada bem da caixa, o que é bom, visto que as pessoas normais são uma seca e, que conste, nunca serviram de inspiração a um filme que merecesse a nota 10 que Maléfico atribui a este.

Ele anda por aí...



Ómenagem

Esta notícia de última hora chegou à caixa de correio da Masmorra. Uma homenagem inútil e grandiosa a um dos nossos grandes fãs. A ver ... ou talvez não (depende se estiver a dar futebol no outro canal (e depende do jogo também)).

The Simpsons' Treehouse Of Horror, the annual Halloween horror comic series, is out, and appropriately, this year's issue features cultural icons MOTÖRHEAD, the loudest, hardest-working, hardest-touring band in the world,.

The series always features three stories, written and illustrated by some of the most famous people in the comic book business. This year's issue, #16, includes the story "Homer Goes To Hell". The online description says, "Metal music maestro Lemmy takes Homer on a hard rockin' heavy metal trip to Hell! Together they face the dreaded darkside." Phil and Mikkey are along for the perilous ride.




quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Quanto mais os tempos mudam ...

"Nos camarotes, onde se sentavam os espectadores mais abastados, soltavam-se brados de descontentamento. Imediatamente os estetas dos balcões e das galerias repetiam os brados. [...] Houve quem ouvisse o compositor combativo Florent Schmitt a gritar: "Calem-se, meretrizes do seizième!" ou "Abaixo as meretrizes do seizième!", uma provocação às idosas e prestigiadas damas do seizième arrondissement. [...] Depois disso pouco mais se ouviu do concerto. "Literalmente, foi impossível ouvir algo da música ao longo de todo o concerto", recordou Gertrude Stein [...] "A nossa atenção estava constantemente a ser distraida por um homem no camarote ao lado do nosso que brandia a sua bengala e que, finalmente, ao discutir violentamente com um entusiasta do camarote ao lado do seu, a deixou cair e foi esmagar a cartola retráctil que o outro tinha acabado de pôr na cabeça em sinal de desafio. Foi tudo incrivelmente agressivo e turbulento".

Extracto do livro "O Resto É Ruído" de Alex Ross, sobre a estreia em Paris de "A Sagração Da Primavera" de Igor Stravinsky a 29 de Maio de 1913

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Banksy

Activista político e social, Banksy é um artista/pintor que usa o graffiti como forma de comunicar a sua mensagem satírica, subversiva e pejada de humor negro. Tem ainda a particularidade da sua identidade ser desconhecida. Hmmmm..... onde é que já vimos isto?

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Confissões de uma Besta (suficientemente louca para viver entre os homens)*

Todos nós, Demónios de alta estirpe, sentimos por vezes a necessidade de confessar uma certa dificuldade para viver entre os miseráveis humanos.

Se o Maioral nos enviou para fazermos deste um mundo pior, é notória a frustração de não haver grande coisa para fazer, porque tudo já está a ser feito pelos mesquinhos, violentos e estúpidos habitantes deste planeta. Os nossos inimigos parecem já estar a tirar-nos todo o trabalho de lhes atazanar a vida, auto-infligindo-se com os mais variados esquemas de tornar as suas próprias vidas mais infelizes, deixando-nos assim com a dificil tarefa de escolher um m.o. que ainda possa ter algum efeito acrescido.

Conhece o teu inimigo (já diziam os antigos esquimós do Panamá). Este ensinamento, se levado à letra , leva-nos à conclusão, que poderá ser uma mais valia conhecer as confissões mais intimas dos próprios homens e mulheres com que, infelizmente, co-habitamos para melhorarmos as nossas técnicas de miserabilização da vida humana. Descobrir o que lhes vai na alma, para assim a podermos esmagar ainda mais e melhor.

Cheguei à conclusão que temos duas vias para chegar ao total conhecimento da alma humana no que toca as mais intimas confissões:

- Ler a brilhante obra de Jean Jacques Rousseau - "Confissões" - A tal que se inicia com "I was the unfortunate fruit of this return, being born ten months after, in a very weakly and infirm state; my birth cost my mother her life, and was the first of my misfortunes." e onde ao longo de 11 livros temos uma vista priveligiada sobre a alma humana através das várias confissões e pensamentos deste filosofo pensador.

- Visitar este estúpido site : http://www.euconfesso.com/

*É sobejamente conhecida a inspiração para este titulo, com uma tão filosófica entidade de origem não é de estranhar que posts sobre temas espirituais polulem na Masmorra.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

ref discografica 666 - como não fazer uma capa

Os Iron Maiden têm um novo album.
Isto só por si na verdade, não é nada de especial. Afinal de contas já é o 26º em 30 anos, contando com os “albuns mesmo”, os “ao vivo”, os “best of” e outras coisas incriveis que a EMI se foi lembrando, para ter sempre um disco dos Maiden à venda em cada Natal.

Acontece no entanto, que os Maiden são uma banda de culto dentro do género. Os criadores da NWBHM (do metal)! Uma referência para toda uma geração de musicos, e não só, que se lhes seguiu. Uns Senhores a bem dizer!
Sendo Mafarrico um Diabo culto e atento, obviamente que domina por completo todo o universo de informações que orbita em torno do imaginario musical criado pelos IM. Assim, há que dizê-lo, um disco dos IM nunca passaria despercebido a Mafarrico, assim como Mafarrico nunca passaria despercebido aos IM (tiveram mesmo a oportunidade de me ver num efémero encontro em Vilar de Mouros, aqui há uns anos. É perguntar-lhes.).
Apesar da intensidade do impacto emocional, sempre que há novidades destes jovens diabos, se ter vindo a esbater e já não ser a mesma de há 20 anos, e de a extensa discografia IM repousar já coberta por espessa película de pó nas negras estantes da Masmorra, não é menos verdade que impera sempre alguma curiosidade na pérfida mente de Mafarrico, sempre que ecoa o pregão “novo album dos Maiden”.

Mas, prezado colega que segue atentamente estas linhas, algo diferente se passa desta feita. Siga, se tal lhe for possível, o meu raciocínio, passo a passo até à brilhante conclusão no qual culmina de forma peremptória.
Tendo entrado eu, numa enormíssima e desconhecida superfície comercial, onde humanos ignorantes adquirem rodelas musicais em troco de avultadas quantias de moeda, vejo-me confrontado com a inquietante presença de um cartaz de generosas dimensões, que anunciava a todos os passantes, o dito lançamento do novo album dos IM! Para além do referido cartaz, o cenário era composto por vastos escaparates carregadinhos de dezenas e dezenas de exemplares do anunciado cd e diversos pontos de escuta, onde, de forma gratuíta, era permitido aos mais curiosos, escutar na integra, se assim o pretendessem, todas as futuramente famosas faixas musicais.
E foi aqui que teve início a estranheza do sentimento que se apossou da minha mente. Algo de inesperado conjurou-se perante o meu olhar e preencheu o meu espírito de uma sensação que se pode resumir em total e absoluta... indiferença.

E porquê tal desprezo, se nem sequer uns breves segundos havia escutado de tão admirada e estruturalmente importante banda?
Após breves fracções de segundo de introspecção e busca pela verdade, eis que percebo o que estava errado em tão caricata situação.
Vejamos, no placard estava representado em tamanho XXL, a art-work da capa caro colega. A capa do disco.

Durante os primeiros anos de existência (digamos os primeiros 10/15), os IM, paralelemente à sua progressão/crescimento musical, souberam explorar na perfeição o conceito de conceptualização das capas dos seus albuns, usando a famosa mascote Eddie como elemento transversal que, pela mão do mítico Derek Riggs, aparecia como se mais um elemento da banda se tratasse.
De forte impacto e com excelente resultados, esta formula foi repetida uma e outra e outra vez, até se tornar chata, desinteressante e inadequada.
Claramente que os IM falharam ao não terem tido a coragem de mudar o estado das coisas. Se musicalmente, até se aceita que apesar de assentarem as suas formulas num genero estremamente bem balizado, são suficientemente progressistas e inovadores para continuarem a ser interessantes e uma referência, no que concerne ao grafismo e imagem a que continuam presos são do mais monótono e quase infantis. Compreende-se que entendam que esta seja uma forma de atrair jovens na casa dos 15 anos, para quem o Harry Potter e a saga Twilight são o que está a dar, mas não deviam descorar o impacto nefasto nos fãs com mais de 20 anos (de idade).



2010


1980

E foi assim que Mafarrico, após breve pausa de fronte do referido escaparate ironmaidiano, estugou o passo e seguiu pesarosamente em frente sem prestar mais atenção aos IM e à sua propaganda infantil. Nem mesmo a aparatosa queda de todo o cenario, causado por um ligeiro toque de cauda num dos apoios, foi motivo para o mais subtil olhar para trás.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

The first weed


A masmorra é o nosso lar. Nojenta e putrefacta, é certo, mas por isso temos tanto orgulho nela. Orgulho e não só. Temos também lá outras coisas que até dão jeito. Mas não temos plantas.
As plantas são, de todos os seres vivos verdes, aqueles que melhor vegetam. Essa característica está de tal forma vincada no seu comportamento social, que chegam mesmo a ser designadas por vegetais. Letárgicas na sua postura, vigilantes e observadoras, têm tendência para se aglomerarem em conjuntos autistas também conhecidos por jardins.
Não se pode dizer que sejam muito demoníacas na sua actividade. A cor não ajuda e a sagacidade do seu raciocínio vs. alguma falta de impulsividade e ímpeto, justifica de alguma forma o esquecimento a que esta subespécie tem sido dotada pelo nosso Chifrudo Maior. Há no entanto algumas raras e honrosas excepções. Entre essas destacam-se as ervas daninhas.
As ervas daninhas caracterizam-se pela sua espontaneidade, estoicidade e por serem não desejadas. Absolutamente resolutas e de vontade férrea, adoram destruir a indesejável harmonia dos belos jardins e relvados, que os seres humanos insistem em dedicar os seus esforços como forma de preencher os vazios que são as suas vidas e baldios.
Se estas características não bastassem para provar a verdadeira natureza satânica das “weeds”, há ainda a acrescentar o facto de que Mafarrico gosta delas.
E é por isso e por tudo o que foi dito até agora, que venho soberbamente apresentar perante vós, o testemunho fotográfico, dessa que é a primeira guarda avançada do reino Infernal Vegetal a avançar no terreno a que agora denomino por “o meu jardim”.
Esse, que ainda permanece como um terreno seco e agreste, em breve estará coberto de silvas, giestas e fetos selvagens. O projecto é ambicioso e laborioso. Aguardam-me duros dias de espera e observação descuidada, mas os fins justificam os meios!
Aguardem pois meus prezados colegas, que em breve nascerá aquele que poderemos desde já apelidar de O Jardim Infernal do Sr. Satanás!
Desde já votado ao lazer e preguiça, esse nobre espaço será o palco privilegiado de desgraçadas patuscadas e sornas imensas.
Esperemos pois que as ervas daninhas ouçam este chamamento e acorram em massa para mais um trabalho do Demo.

domingo, 5 de setembro de 2010

Factos teóricos

Existem neste mundo duas teorias acerca da forma como os reles humanos se materializaram e apareceram no planeta a que se convencionou chamar "Terra", altura a partir da qual se dedicaram a partir isto tudo.

A teoria da evolução, obviamente errada.

A teoria do criacionismo, que explica a forma como o deus que nesta altura ocupa o cargo criou tudo e todos num dia, ou dia e meio, já não me lembro. É precisamente esta e outras pequenas dúvidas que deveriam ser discutidas para que a forma como o velhote criou o ser humano fosse clarificada e não houvesse mais ninguém a aparecer com teorias absurdas.

É aqui que entram os Charger. Os Charger são uma banda britânica que num mundo perfeito teriam uma longa carreira de milhões de LPs vendidos e centenas de concertos em estádios pelo mundo fora a debitar a sua sonoridade para multidões extasiadas (sonoridade essa que se pode colocar entre uns Iron Monkey bem dispostos e uns Eyehategod com cólicas) . Mas o mundo não é perfeito, por isso os Charger apenas lançaram um LP e um EP, perecendo após meia dúzia de anos onde se fartaram de tocar em caves imundas para meia dúzia de energúmenos. É pena, porque na segunda música do seu LP, estes rapazes lançam uma interessante teoria sobre a teoria do criacionismo que, se ouvida por um maior leque de pessoas que não fossem totalmente idiotas, poderia ajudar a re-lançar o debate e, quem sabe, clarificar de uma vez por todas este dilema que desde tempos imemoriais se abateu sobre os mais pensativos pensadores.

Deixo-vos portanto com os Charger e o seu brilhante e metafisico tema : "God Made Us In The Image Of His Ass".

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Diablo Blvd.


Some wonder, some filter, some trip to pass the time
Just ask him and he'll tell you nothing better then a desparate mind

I'm in love with a widow soon to be,
I don't think I can fight it
Anthems broke and I'm spinning 'round again,
Stayin' dizzy 'cause I like it

You can have it if you want it,
just remember it's a lonely ride
Ain't that hard to fight

Kickin' hard time, they split you to the bone. Kickin' hard time, risin'

Home is your destination, do you think you can find it
Feelin' green once again, downtown you go, the arrows rising

You can have it if you want it,
just remember it's a lonely ride
Ain't that hard to fight

Kickin' hard time, they split you to the bone. Kickin' hard time, risin'
Some wonder, some filter, some trip to pass the time
Just asked him and he will tell you there is nothing better then a deperate mind

Diablo, talk to me, tell me what's on your mind
That game boy, to the rivals, we don't need no war inside

Kickin' hard time, kickin' hard time, risin'
Once so magnetic but you do it so poetic
And you lay it on the line and singin' kickin' hard time, it ain't that
hard to find
Kickin' hard time, they split you to the bone. Kickin' hard time, risin'

sábado, 21 de agosto de 2010

O Inferno segundo os Coen

O hotel Earle, que acomoda Barton Fink, é um subtil, mas perfeito, simbolismo do Inferno. Brilhantemente apresentado a todos os que o ignoram.

"SIX please" - "next stop, SIX"
"this stop, SIX"

O slogan ("A Day or a Lifetime"), as boas vindas a um escritor com um lápis sem ponta, o empregado Chet que chega das profundezas, o ascensorista Pete e o seu conhecimento da bíblia ("I've heard about it."), a própria bíblia incapaz de dar qualquer conforto, a ausência de hóspedes e a presença de mosquitos ( "mosquitos breed in swamps; this is a desert") a demonstrar o quanto deslocado estamos da realidade, o final infeliz de todos os estranhos que visitam o hotel, enfim, todo o ambiente estranho e sobrenatural do gigantesco edifício.

E claro, Charlie, o demónio encarregado de infernizar o personagem principal, a personificação do homem comum (irónicamente vende seguros contra incêndios), um gigante simpático que deita pus por um ouvido infectado. A temperatura sobe quando ele aparece e as paredes descascam quando ele está por perto. Não será o retrato do nosso Maior, mas sim de um Demónio trabalhador, que só quer "ajudar" todos a libertarem-se das agruras da vida. Dá uma bela lição ao personagem principal, porquê? - "Because, you don't LISTEN!"


"I'll show you the life of the mind"

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

ref. discografica 666 - houses of the unholy

A Igreja da Miséria vem do Japão. O Japão é um país longínquo, as pessoas comem peixe cru e, de acordo com as informações que chegam às masmorras ocidentais, são completamente maníacas.

Se os moços que constituem esta Igreja da Miséria servirem de exemplo, então os nipónicos, não só são completamente chanfrados como também sabem fazer música digna de ser apreciada pelo mais perturbado dos Demónios.

Apesar desta aparência insana, a realidade e um ouvido atento provam existir laivos de lucidez uma vez que foram suficientemente inteligentes para ir roubar a totalidade dos seus portentosos riffs aos Black Sabbath. Fossem todos assim ...

domingo, 8 de agosto de 2010

A Lagoa de Metal ou Bolachas São Boas, Chocolate é Melhor

Lá fomos nós ver o que se passava afinal lá para os lados da lagoa do Calvão.

Dia 1.
O facto de se ser Maléfico e Mafarrico tem as suas, óbvias, vantagens. Ao chegarmos ao local logo uma viatura nos cedeu o seu lugar de estacionamento bem à porta do recinto e, de seguida, ao apresentarmos os nossos bilhetes, fomos presenteados com a promoção dos primeiros 500 ingressos vendidos, embora eu tenha comprado o meu na semana anterior e, Mafarrico, o dele, dois míseros dias antes do evento (sendo que era mesmo o último da loja) ... os últimos são sempre os primeiros ... como é costume dizer-se. Agarramos na oferenda e fomos ver o que se passava no palco principal (e único por sinal).

Ensiferum - Uns vikings de longo cabelo, tronco nu e saias, a debitar folk metal, um espectáculo pouco agradável visualmente mas um pouco mais agradável musicalmente. A populaça parecia estar a aderir entusiasticamente, não nós, suspiramos aqui e ali pelos Skyclad e fomos provar o hidromel que nos faria companhia pelo resto dos dias (foi mais um além do primeiro, dois portanto (os dias, os hidromeis, esses foram bem mais)).



My Dying Bride - Esta foi a equipa que nos levou ao recinto neste primeiro dia. Os MDB foram o que se esperava deles, nada menos do que brilhantes. A pessoa do seu vocalista enche o palco e todo o concerto se centra nele, e em boa hora, pois o homem tem grande presença e voz avassaladora. Estive presente no concerto de há oito anos atrás, mencionado algures numa das pausas entre musicas, e devo dizer que continuam em grande forma. "The Whore, The Cook And The Mother" é uma preferida de Maléfico e eles fizeram o favor de a interpretar, obviamente sentiram a nossa presença naquele magnifico campo de futebol. Agradeço.



Meshuggah - os Meshuggah são suecos, e isso já diz muito, são loucos e fazem música pesada como o Diabo, não aquele peso tipo atropelado-por-uma-vasta-manada-de-bisontes, mas mais do tipo esmagado-por-um-gigantesco-objecto-de-300-toneladas. É bom. Deram um bom concerto, não terão convertido nenhum turista que por ali andasse, mas também não era preciso porque era notório que a vasta maioria dos festivaleiros estava ali por eles e já estavam completamente rendidos ante a mera entrada em palco dos músicos, nem sendo necessário o soar de nenhum acorde para uma certa apoteose. Para Mafarrico e Maléfico, habituados a ser adorados e não a adorar, foram uns minutos agradáveis aproveitados para descontrair os belos músculos com um ou outro bocejo.



Dia 2.
Ao segundo dia voltamos ao mesmo recinto, e lá estava a segunda parte do festival. É verdade, tudo estava no mesmo sitio e eram mais ou menos as mesmas pessoas, só alterando, e ainda bem, o alinhamento das bandas escalonadas para o dia.

Amorphis - Começamos com os Amorphis, banda que em qualquer altura da sua longa carreira caiu no esquecimento da Masmorra. Não ajudou ao espectáculo que a visualização de grande parte deste se desse ainda com os raios do astro Sol a iluminar o recinto, mas a banda deu um grande concerto, com uma bela ajuda do público e onde fomos reconquistados pelo relembrar de temas antigos como "The Castaway", "Black Winter Day" ou mesmo "My Kantele". Não era mesmo nada aconselhável perde-los e o que vale é que chegamos a tempo de não perder pitada, somos assim na Masmorra.



Kamelot - Com uma imensa legião de fãs no recinto mas completamente desconhecidos para os ouvidos da Masmorra, os Kamelot tocam um power metal progressivo azeites. Safaram-se pela mestria dos seus executantes e, principalmente, pelo extremo baixo nivel de expectativas que para ali levamos. Alguns momentos de interacção com o povinho também foram de se espetar uns dedos no ar. Safaram-se.



Carcass - Até Maléfico não encontra palavras suficientemente boas para enaltecer este concerto. Carcass é uma daquelas, poucas, bandas que pode ter a certeza de nunca ler uma palavra de escárnio, de desprezo, de falta de consideração ou de insulto na Masmorra. São simplesmente a melhor banda de metal extremo de sempre e poder visualiza-los em directo e em pessoa era esperado com grande ansiedade por todos. Fomos presenteados com um concerto arrasador e poeirento em que o fenómeno musical em cima do palco se parecia extender para a frente do palco, onde um público da velha guarda, incansável, imprimia uma visão incessante de corpos em movimento (terrestre e aéreo). Não vale a pena nomear nenhuma música em particular, foi um desenrolar de clássicos de encher as medidas a qualquer metaleiro, mesmo o mais exigente (como somos nós). Foi até possivel presenciar a totalidade do line-up mais clássico em palco, quando o baterista Ken Owen subiu para o seu instrumento para receber uma merecida e sentida ovação. Afinal foi aquele homem que criou o já mítico e muito mencionado vencedor do mcieusdb.

Aqui na Masmorra arrasamos tudo e todos, dizer mal com todo, pouco ou nenhum sentido é um modo de vida, pelo que é preciso dar o devido valor à dimensão que têm as palavras que passo a escrever - Aquela hora e pouco de concerto foi um dos grandes momentos da longa vida de apreciação musical deste Demónio que aqui escreve.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

É Hoje!

"When you get into one of these groups, there's only a couple of ways you can get out. One, is death; the other, is mental institutions."




Bom, tecnicamente é amanhã, porque é depois da meia-noite, mas ... É Amanhã! não soava bem, e bem vistas as coisas, faltam menos de 24 horas. Hmmm, esqueçam. ELECTRIC WIZARD! AAAARGHHHH!!!!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Summer Festival Destroyers pt.I

Recentemente foi aqui desvendada, perante a comunidade demoníaca em geral, uma nova e até então desconhecida faceta do nosso labor Infernal, a que gostamos de nos referir pelo acrónimo de D.E.S.T.R.U.I.D.O.R.E.S.D.E.F.E.S.T.I.V.A.I.S.D.E.V.E.R.A.O.
Esta sigla encerra em si um poderoso e enigmático significado, e visa denominar o procedimento segundo o qual, os não menos enigmáticos membros da Masmorra, se deslocam individualmente, aos pares ou na sua totalidade, a eventos musicais que ocorram durante a estação do ano chamada Verão, a ele assistam parcialmente ou na totalidade e de seguida, sobranceiramente se afastem com a certeza que esse mesmo evento tem os dias contados para todo o sempre.
O impacto deste fenómeno é tanto maior quanto o número de membros presentes. Foi assim com o Caos Emergente apenas para enunciar um exemplo mais emblemático, mas temos também outros casos bem presentes nas vossas memórias, não tanto na vertente festival mas mais na óptica das infra-estruturas/organização necessárias. O famoso Hard club fechou as suas portas quando começamos a visita-lo mais amiúde, e recentemente a promotora Amplificasom anunciou uma pausa estratégica, a que não é obviamente alheio o facto de tanto eu como o colega Maléfico, não termos falhado praticamente nenhum dos seus eventos.
No entanto, e apesar da reconhecida notoriedade que esta saudável e destruidora pratica nos tem trazido, já foi aqui discutido que esta actividade tem um senão que pode ser considerado grave.
Sendo os ilustres membros da Masmorra, fies adeptos de música satânica, i.e. rock’n’roll nas suas variantes mais pesadas e/ou alternativas, e sendo esta um veículo fulcral na disseminação da palavra do Demo, ficamos perante de um paradoxo existencial, também conhecido por “Raios parta, qualquer dia não há concertos de jeito”.
Com o intuito de desvanecer este impasse, os três elementos desta Masmorra foram convocados para um negro concílio, para que as suas ideias pudessem ser partilhadas e um consenso encontrado quanto às medidas futuras a tomar. O Diabolicus não apareceu, o Maléfico adormeceu a meio e assim prevaleceram a ponderadas e sábias apreciações de Mafarrico.
Uma vez que ficou completamente fora de hipótese, a tese que defendia que a melhor forma de preservarmos os ditos festivais e afins, seria a de simplesmente não comparecermos, optamos por uma alternativa.
Essa alternativa, assenta no princípio ancestral que defende a seguinte conduta “já que ficamos sem os nossos festivais de qualquer maneira, então vamos arruinar os outros”.

(continua)

Lifetime Achievement Award

"That's why I find it so amusing that the latter-day saints of our
business... one, attribute to me motives that just weren't there, and two,
accuse me of corrupting morality, which I wish I had the power to do.
Prepare to die."


O Lifetime Achievement Award da Masmorra Infernal do Sr. Satanás é um prestigiado prémio na área das artes e humanidades, este prémio é atribuído de vez em quando e desde que não seja logo a seguir ao anterior, e tem como recompensa, além do prestigio a ele associado, o facto de os vencedores poderem chorar baba e ranho, puxarem os cabelos e gritarem que o objectivo de uma vida foi alcançado sem que o público em geral ache que estão a exagerar.



Os Carcass, formados em 1985, são os pioneiros do estilo designado como grindcore, editaram uma série de discos até 1994, tendo no ano passado alcançado o topo do top mcieusdb aqui nesta Masmorra. Os seus primeiros discos são de uma agressividade, sujidade e rapidez impecáveis (e implacáveis) e são mais conhecidos pelos uso depravado e humorístico de temas nojentos acompanhados de gíria médica, resultando numa eficaz mensagem que se havia de colar nos cérebros metaleiros por todo o mundo e para todo o sempre."I devour the pediculous corpse/Whetting my palate as I exhume/The festering stench of rotting flesh/Makes me drool as I consume..." - poesia infernal de alto gabarito.

É, no entanto, ao terceiro álbum que o agrupamento musical alcança um perfeito balanço entre a enormidade das suas liricas e a excelência dos seus acordes. Com Necroticism: Descanting The Insalubrious estava entre nós um dos grandes discos do HM e um que ajudou a moldar o refinado gosto que é hoje o dos colaboradores da Masmorra (quase todos). Foi com este disco que pudemos cantarolar musicas como Pedigree Butchery ou linhas inesqueciveis como "Pultacious.../Pugnacious.../Delicious.../Gastric-idiopathology..." - até o mais idiota apreciador do HM terá materializado mentalmente e imediatamente os sons que acompanham estas palavras.

O seguinte trabalho - Heartwork - já foi alvo de uma ref. discografica aqui na Masmorra pelo que não vale a penal alongarmo-nos sobre ele. É um disco fenomenal.

O último, e adequadamente intitulado Swansong, foi o marco final numa carreira que foi destruída pelo lado menos simpático dos negócios que acompanham a edição de rodelas de plástico com sons lá dentro. Um grande álbum, a demarcar-se musicalmente e liricamente dos seus antecessores, mas com grande pujança e musicalidade. Keep On Rotting In The Free World, Room 101, Generation Hexed ou Go To Hell são músicas para o headbanger que existe em todos nós acarinhar no seu negro coração.

Isto foi o fim da banda, que, qual vitima de um assassinato brutal, só teve tempo de mandar uns berros antes de se finar ao ainda incluir num cd em jeito de best-of uns quantos originais de boa memória e que valem a pena descobrir. Entre eles encontra-se um grito de revolta contra a máquina da industria que os fez desvanecerem-se, aparentemente, contra sua vontade."Really done it now, sold out/But to who, what, when, where and how,/Yeah, really done it now, sold out,/I've taken my cut/And corporate rock really sucks".

Claro que nos podemos revoltar, espernear e virar as costas a quem quisermos mas dinheiro é dinheiro, pelo que mais de dez anos depois os Carcass reuniram-se como tantos outros zombies musicais e desde o ano passado que andam por ai a tocar ao vivo os grandes hits do antigamente. Em boa hora o vêm fazer a Portugal, porque calhou mesmo na altura da atribuição deste Lifetime Achievement Award e assim poderemos ir vê-los e dar-lhes as boas notícias. Faltam 16 dias. Aposto que eles os estão a contar compulsivamente.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

IWL - Ferramenta Internética Semi-Interessante

Caros,

encontrei nos longos caminhos infernais desta interrede uma ferramenta que pode ser de interesse elevado ou até mesmo nulo!

Chama-se "I Write Like" e consiste em escrever um texto (em inglês) e submeter para análise. Em meros microssegundos o computador faz uma comparação de recursos estilísticos, escolha de palavras, etc. e sabe-se lá que mais e dá-nos o nome do escritor universalmente reconhecido que mais se assemelha ao nosso próprio estilo.

Felizmente, aqui à atrasado escrevinhei uma ref. discográfica na língua da Rainha de Inglaterra (o inglês precisamente) e foi esse que usei para submeter a análise. O resultado só pode alegrar os que escreveram esse texto e talvez outros que se sintam alegres muito facilmente.


I write like
Stephen King

I Write Like by Mémoires, Mac journal software. Analyze your writing!





Bem gostaria de ver a cara orgulhosa do Stephen quando fizer este teste e lhe aparecer o logótipo afirmativo de que ele "Write Like Maléfico Patético".

Ferramenta Internética Semi-Interessante

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Silly Season returns again ... um novo começo

Agora que o inicio da silly season já provocou o seu quinhão de olhos esbugalhados, desmaios, altercações, indignações e comparações, está na altura de mais um silly post com o principal objectivo de fazer com que esse último desapareça do nível dos olhos de quem olha para as nossas paredes.

Fiz um pouco de pesquisa sobre um certo momento da história da humanidade e descobri que o nosso Maior, por muito Grande que seja andou um pouco preguiçoso. Isto pode ser menos silly do que parece .... ou então não.

domingo, 11 de julho de 2010

Silly Season returns again

Declaro oficialmente aberta a silly season deste ano. Todos sabem o que isto significa, por isso ...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O Maléfico foi ao passeio

Vou aqui dissertar em várias etapas sobre viagem de trabalho que recentemente efectuei ao Passeio Marítimo de Algés para assistir ao internacionalmente reconhecido Optimus Alive 2010.

1. Inicio.
A chegada ao recinto, acompanhado de meus acólitos, fez-se sem precalços. E, cheio de má-vontade, dirigi-me ao primeiro concerto. Os The Drums, banda de um pop dançavel iriam iniciar as festividades e era minha vontade extermina-los logo ali, mas optei pela táctica de me misturar com o público e simular um grande apreço pelo show. Bati o casco, meneei os ombros e aplaudi. Espero que isto mostre a estes artistas o lugar deles. Pelos movimentos em palco, quais bailarinos efeminados, os músicos pareciam já estar a sentir algum do efeito desnorteante da minha presença .... esperemos por resultados em breve.

2.Santa paciência.
E quem é que não poderia deixar de aparecer? Os mais que conhecidos Moonspell. O Morcegão volta a cruzar-se com Maléfico. Um diabo dobra uma esquina e estão os Moonspell a tocar, um diabo abre a mala do carro e estão lá os Moonspell a tocar, um diabo acorda de manha, ouve um ruido estranho, e são os Moonspell a tocar de baixo da cama, um diabo vai ao Alive e ..... etc. etc. Além de mais, estes Moonspell e seu "líder" conseguiram evoluir para um estado refinado de extrema azeitice (estranhamente nas palavras do próprio Morcegão) e clichés HM. SE, e eu espero melhores resultados, mas, SE, me disserem que esta minha experiência somente resultou na extinção de um único agrupamento, eu ficaria em suspenso e lançaria um sonoro "AVE DIABOLIS" se fossem estes morcões. Fizeram-se acompanhar em alguns temas pela ex-The Gathering, Hanekka von Blablabla, que com um elegante estilo "rameira infernal", ajudou à festa e conseguiu que tudo conseguisse ainda verter mais azeite com as posses estudadas de dueto-festival-da-canção. Haja paciência!
Mensagem directa para o artista : "Morram e ide pró Céu!"

4.Alice In Chains e diatribe gratuita
De seguida visualizei os excelentes Alice In Chains, a verdade é que não estava especialmente com vontade deste concerto em particular, mas, à medida que as músicas avançavam notei que nutria vasta simpatia pelos clássicos. Não poucas vezes as letras se me materializaram na cabeça, eu que as julgava esquecidas, e as músicas que eu só não poderia esquecer porque nunca as tinha ouvido soaram-me muito bem.Rooster é uma preferida, merece uma menção especial. Já está.
Mensagem directa para o artista : "Estais muito bem AIC, vós podeis continuar e se porventura passardes por cá novamente eu vos visitarei e lançarei minha benção uma e outra vez."
Suspiro profundo, pausa para medir as palavras e .... Vós conheceis o escriba deste texto, ele, Maléfico (eu), é um diabo do povo e mistura-se com quaisquer diabitos como a água com o azeite. Talvez melhor. Assisto a estes ajuntamentos gigantescos com sobranceria e condescendência com os demais, mas misturo-me. Sempre defendi que qualquer um deve viver o espectáculo como bem entender, está documentado que passo por walls of death, moshes, empurrões, cotoveladas, palmas a compasso, pitas aos ombros dos namorados e vizinhos desafinados de bom grado e sem sentir que o espectáculo saia diminuido. MAS!!! Tudo tem um limite! E nos nossos festivais assistimos a uma praga que ameaça estragar a diversão de todos os amantes de música. Refiro-me, obviamente, aos espanhóis. O Espanhol é uma raça que vai para os concertos em grupos de quatro, ou cinco, faz uma rodinha e passam o concerto a falar numa algaraviada total e sonora - "éuqjodernerpoderferejelometorefedesefoderejejejejenovegojodercoñoaquqsederfererere" e em décibeis que confrontam os décibeis do PA (e se chegam a sobrepor em não poucos momentos). Viram as costas ao palco, abraçam-se, fazem air-guitar, olham os ecrãs laterais por 90% do tempo, cantam o que eu só posso acreditar serem outras músicas e, ao fim ao cabo, chateiam muito. Tive de esticar um dos meu poderosos braços e movimentar uma série de participantes do público (colega Covex incluido), contra sua vontade, para fazer um muro humano entre mim e os espécimenes nuestros hermanos que em má-hora ficaram ao meu lado. Para eles : "Por el culo, cabrones!"

5.Duplo X
Depois disto, movimentei-me com meus seguidores, para o outro palco, onde iria verificar o que se passava no show dos XX. Os XX são uma banda pop melancólico, com vozes deprimidas e belas melodias. Têm um disco que agrada q.b. e são o maior hype desde JC. Por muito bom que seja o único disco que têm editado, a histeria à volta dos moços (e moça) é tal que a super-lotação do espaço e respectivo desconforto não justifica o que se passa em cima do palco, os XX não têm culpa, são seca em palco como tantos outros em inicio de carreira, mas a histeria é real, e tornou-os a banda mais overrated dos últimos anos. Vimos e ouvimos alguns temas, bocejamos devido à frenética actividade sobre o palco e fomos beber uma Super-Bock.
XX: "Despareçam durante um tempo (anos ou décadas), para podermos ouvir o vosso disco sem o ruído de fundo."

666.Nova táctica e momentos de uma epicidade gloriosa.
Seguiam-se os Kasabian no palco principal. Sem grandes rodeios, os Kasabian são uma merda. Adoptei uma nova táctica para assistir a este espectáculo, arranjei um local para me sentar, a uma distância considerável do palco, virei costas e ignorei. Funcionou. Gostei muito.
Depois vieram aqueles que já foram apelidados de "zombies putrefactos" aqui neste mesmo blog. Os Faith No More! Regressaram dos mortos, faz um ano, vieram a Portugal, e como que não tivessem conseguido que Maléfico os fosse ver, voltaram este ano (É essa a razão de terem regressado sr. Patton, é essa a razão). Um concerto glorioso, verdadeiramente não existe outra banda como esta, exímios executantes e comunicadores, puseram 38 mil pessoas a cantar um refrão de "Porra! Caralho!", insultaram o próprio festival ("Que merda!"), insultaram o Cristiano Ronaldo ("Que Palhaço!"), insultaram o público ("Mal-educados, Bestas"), insultaram-se entre eles ("Este baterista é uma merda"), entre outras coisas, tudo isto rodeado de música, muita música, onde eu diria mesmo que não houve uma que não fosse entusiasmante, excelente e/ou épica. Assim de cor tocaram, Midnight Cowboy, Be Agressive, From Out Of Nowhere, The Real Thing, As The Worm Turns, Suprise You're Dead, Epic, Midlife Crisis, King For a Day, Evidence em português!, Gentle Art Of Making Enemies, Just a Man, Stripsearch, Last Cup Of Sorrow, Ashes To Ashes, Easy e não me lembro que mais, faltaram a Caffeine e a Digging The Grave mas não se pode ter tudo. O ponto alto deu-se quando o frontman Mike Patton reconheceu Maléfico na audiência e deu asas à sua alegria com um pouco de crowd surfing, cumprimentando-me com o seu joelho, que eu fiz questão de apertar vigorosamente enquanto ele se locomovia sobre a minha cabeça. "Como está Sr. Patton?" foram as minha palavras, depois alguém lhe roubou o sapato e ele foi embora. Foi ai que chamou "Besta" a alguém, poderia ser para o ladrão de sapatos, mas tenho para mim que foi uma resposta ao meu cumprimento.
Mensagem aos FNM : "FNM, 17 anos depois daquele memorável concerto no pavilhão do Bessa, outro memorável concerto, que nunca irei olvidar. Sois grandes! A Masmorra tem-vos como semelhantes.".