segunda-feira, 27 de junho de 2011

Russian Circles + Boris no Hard Club Junho 2011


No preciso momento em que Mafarrico colocou o 1º casco no interior da sala 2 do antro a que deram o nome de Hard Club, o Sr. Dave Turncrantz iniciou o set dos Russian Circles rufando nos seus tambores o intro de Harper Lewis.
Com um gesto magnânime Mafarrico respondeu, agraceando a banda por esta singela homenagem e libertando os presentes para que pudessem, agora sim, prestar atenção ao evento que acabara de ter início.
E que evento!
Tirando as outras duas vezes, esta foi a primeira vez que Mafarrico assistiu a uma prestação ao vivo deste agrupamento pós-rock de Chicago. E mais uma vez não houve espaço a desilusões. Os RC são um trio musical do mais simples que há em todas as perspectivas possíveis uma bateria, um baixo, uma guitarra, nada de vocalistas, nem conversa, e muito menos idiotices cénicas despropositadas. Apenas a banda e a sua música. Sem falhas.
Não é por acaso que o Sr. Satanás tem prestado mais atenção a este genero musical
ultimamente. Pode ter algum handicap pelo facto de ser instrumental e ser dificil passar mensagens subliminares subversivas (só com os olhos), mas o espírito maligno daqueles riffs e ritmos prevalece e o objectivo almejado é sobejamente atingido: mais almas torturadas, rendidas ao poder da besta cornuda.

Após aproximadamente três mil, setecentos e oitenta segundos de actuação, em que proporcionaram aos presentes a audição do set-list que se segue: Harper Lewis, Geneva, Youngblood, Philos, Carpe, 309 (novo tema), Malko, Station e Death Rides a Horse, os RC que pelos vistos vão ter novo album um ano antes de Outubro do próximo ano, deram lugar aos senhores que se seguiam: os Boris.

"Quem são os Boris?", perguntou Mafarrico a um infeliz que se encontrava ao seu lado, que antes de desfalecer e cair fulminado de terror, ainda teve tempo de balbucinar uns sons dos quais Mafarrico conseguiu discernir que "Boris é uma banda japonesa conhecida por mudar a sonoridade musical de álbum para álbum. Exemplo de gêneros musicais que a banda já tocou: Drone doom, stoner rock, rock psicodélico, rock alternativo, ambient music e recentemente, apenas o rock and roll. O nome da banda vem de uma música do The Melvins chamada Boris do álbum Bullhead, lançado em 1991."

De toda a prestação destes nipónicos do Japão, Mafarrico irá concerteza para sempre reter alguns elementos na sua nunca finda memória, 1. o baterista, de seu nome Sr. Atsuo, é um poser com tiques de glam rock, 2. os Boris têm uma guitarrista, 3. o baterista lançava pequenos gritinhos irritantes, 4. dos 75 min da sua performance os ultimos 25, foram gastos com uma extensa e monótona balada que induziu um sono latente em quase todos os presentes (mm dos que estavam a gostar), 5. o baterista usava luvas pretas, laca e baquetas pretas com pontas brancas fosforescentes, 6. os Boris até tocam bem o Rock'n'Roll mas as músicas não são do Demo, 7. o baterista, depois da actuação do Sr. Turncrantz dos RC, parecia que estava a tocar em câmara lenta.

De nota o facto dos Boris (ou melhor o Sr. Atsuo) se fazerem acompanhar de um enorme gongo, estratégicamente colocado no centro do palco, nas costas do referido senhor. Mafarrico esteve particularmente atento a este adereço e à utilização que lhe foi dada. Penso estar em condições de garantir a todos os interessados que o número de vezes que tal instrumento foi utilizado não chegou a três. Dado o peso e a dimensão do referido objecto e com as proporcionais repercussões que tal normalmente tem nos custos de transporte e considerando ainda que o mesmo terá vindo do Japão (que é longe), julgo ser legítimo considerar que a decisão (provavelmente do Sr. Atsuo) de trazer tal adereço é estupida.

Finda a actuação dos Boris, Mafarrico retirou-se saciado com mais uma excelente noite plena de rock'n'roll, apenas tendo como "ponto a alterar" o facto de não ter cabido aos Russian Circles o headline da noite.

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