O hotel Earle, que acomoda Barton Fink, é um subtil, mas perfeito, simbolismo do Inferno. Brilhantemente apresentado a todos os que o ignoram.
"SIX please" - "next stop, SIX"
"this stop, SIX"
O slogan ("A Day or a Lifetime"), as boas vindas a um escritor com um lápis sem ponta, o empregado Chet que chega das profundezas, o ascensorista Pete e o seu conhecimento da bíblia ("I've heard about it."), a própria bíblia incapaz de dar qualquer conforto, a ausência de hóspedes e a presença de mosquitos ( "mosquitos breed in swamps; this is a desert") a demonstrar o quanto deslocado estamos da realidade, o final infeliz de todos os estranhos que visitam o hotel, enfim, todo o ambiente estranho e sobrenatural do gigantesco edifício.
E claro, Charlie, o demónio encarregado de infernizar o personagem principal, a personificação do homem comum (irónicamente vende seguros contra incêndios), um gigante simpático que deita pus por um ouvido infectado. A temperatura sobe quando ele aparece e as paredes descascam quando ele está por perto. Não será o retrato do nosso Maior, mas sim de um Demónio trabalhador, que só quer "ajudar" todos a libertarem-se das agruras da vida. Dá uma bela lição ao personagem principal, porquê? - "Because, you don't LISTEN!"
A Igreja da Miséria vem do Japão. O Japão é um país longínquo, as pessoas comem peixe cru e, de acordo com as informações que chegam às masmorras ocidentais, são completamente maníacas.
Se os moços que constituem esta Igreja da Miséria servirem de exemplo, então os nipónicos, não só são completamente chanfrados como também sabem fazer música digna de ser apreciada pelo mais perturbado dos Demónios.
Apesar desta aparência insana, a realidade e um ouvido atento provam existir laivos de lucidez uma vez que foram suficientemente inteligentes para ir roubar a totalidade dos seus portentosos riffs aos Black Sabbath. Fossem todos assim ...
Lá fomos nós ver o que se passava afinal lá para os lados da lagoa do Calvão.
Dia 1. O facto de se ser Maléfico e Mafarrico tem as suas, óbvias, vantagens. Ao chegarmos ao local logo uma viatura nos cedeu o seu lugar de estacionamento bem à porta do recinto e, de seguida, ao apresentarmos os nossos bilhetes, fomos presenteados com a promoção dos primeiros 500 ingressos vendidos, embora eu tenha comprado o meu na semana anterior e, Mafarrico, o dele, dois míseros dias antes do evento (sendo que era mesmo o último da loja) ... os últimos são sempre os primeiros ... como é costume dizer-se. Agarramos na oferenda e fomos ver o que se passava no palco principal (e único por sinal).
Ensiferum - Uns vikings de longo cabelo, tronco nu e saias, a debitar folk metal, um espectáculo pouco agradável visualmente mas um pouco mais agradável musicalmente. A populaça parecia estar a aderir entusiasticamente, não nós, suspiramos aqui e ali pelos Skyclad e fomos provar o hidromel que nos faria companhia pelo resto dos dias (foi mais um além do primeiro, dois portanto (os dias, os hidromeis, esses foram bem mais)).
My Dying Bride - Esta foi a equipa que nos levou ao recinto neste primeiro dia. Os MDB foram o que se esperava deles, nada menos do que brilhantes. A pessoa do seu vocalista enche o palco e todo o concerto se centra nele, e em boa hora, pois o homem tem grande presença e voz avassaladora. Estive presente no concerto de há oito anos atrás, mencionado algures numa das pausas entre musicas, e devo dizer que continuam em grande forma. "The Whore, The Cook And The Mother" é uma preferida de Maléfico e eles fizeram o favor de a interpretar, obviamente sentiram a nossa presença naquele magnifico campo de futebol. Agradeço.
Meshuggah - os Meshuggah são suecos, e isso já diz muito, são loucos e fazem música pesada como o Diabo, não aquele peso tipo atropelado-por-uma-vasta-manada-de-bisontes, mas mais do tipo esmagado-por-um-gigantesco-objecto-de-300-toneladas. É bom. Deram um bom concerto, não terão convertido nenhum turista que por ali andasse, mas também não era preciso porque era notório que a vasta maioria dos festivaleiros estava ali por eles e já estavam completamente rendidos ante a mera entrada em palco dos músicos, nem sendo necessário o soar de nenhum acorde para uma certa apoteose. Para Mafarrico e Maléfico, habituados a ser adorados e não a adorar, foram uns minutos agradáveis aproveitados para descontrair os belos músculos com um ou outro bocejo.
Dia 2. Ao segundo dia voltamos ao mesmo recinto, e lá estava a segunda parte do festival. É verdade, tudo estava no mesmo sitio e eram mais ou menos as mesmas pessoas, só alterando, e ainda bem, o alinhamento das bandas escalonadas para o dia.
Amorphis - Começamos com os Amorphis, banda que em qualquer altura da sua longa carreira caiu no esquecimento da Masmorra. Não ajudou ao espectáculo que a visualização de grande parte deste se desse ainda com os raios do astro Sol a iluminar o recinto, mas a banda deu um grande concerto, com uma bela ajuda do público e onde fomos reconquistados pelo relembrar de temas antigos como "The Castaway", "Black Winter Day" ou mesmo "My Kantele". Não era mesmo nada aconselhável perde-los e o que vale é que chegamos a tempo de não perder pitada, somos assim na Masmorra.
Kamelot - Com uma imensa legião de fãs no recinto mas completamente desconhecidos para os ouvidos da Masmorra, os Kamelot tocam um power metal progressivo azeites. Safaram-se pela mestria dos seus executantes e, principalmente, pelo extremo baixo nivel de expectativas que para ali levamos. Alguns momentos de interacção com o povinho também foram de se espetar uns dedos no ar. Safaram-se.
Carcass - Até Maléfico não encontra palavras suficientemente boas para enaltecer este concerto. Carcass é uma daquelas, poucas, bandas que pode ter a certeza de nunca ler uma palavra de escárnio, de desprezo, de falta de consideração ou de insulto na Masmorra. São simplesmente a melhor banda de metal extremo de sempre e poder visualiza-los em directo e em pessoa era esperado com grande ansiedade por todos. Fomos presenteados com um concerto arrasador e poeirento em que o fenómeno musical em cima do palco se parecia extender para a frente do palco, onde um público da velha guarda, incansável, imprimia uma visão incessante de corpos em movimento (terrestre e aéreo). Não vale a pena nomear nenhuma música em particular, foi um desenrolar de clássicos de encher as medidas a qualquer metaleiro, mesmo o mais exigente (como somos nós). Foi até possivel presenciar a totalidade do line-up mais clássico em palco, quando o baterista Ken Owen subiu para o seu instrumento para receber uma merecida e sentida ovação. Afinal foi aquele homem que criou o já mítico e muito mencionado vencedor do mcieusdb.
Aqui na Masmorra arrasamos tudo e todos, dizer mal com todo, pouco ou nenhum sentido é um modo de vida, pelo que é preciso dar o devido valor à dimensão que têm as palavras que passo a escrever - Aquela hora e pouco de concerto foi um dos grandes momentos da longa vida de apreciação musical deste Demónio que aqui escreve.
"When you get into one of these groups, there's only a couple of ways you can get out. One, is death; the other, is mental institutions."
Bom, tecnicamente é amanhã, porque é depois da meia-noite, mas ... É Amanhã! não soava bem, e bem vistas as coisas, faltam menos de 24 horas. Hmmm, esqueçam. ELECTRIC WIZARD! AAAARGHHHH!!!!
Recentemente foi aqui desvendada, perante a comunidade demoníaca em geral, uma nova e até então desconhecida faceta do nosso labor Infernal, a que gostamos de nos referir pelo acrónimo de D.E.S.T.R.U.I.D.O.R.E.S.D.E.F.E.S.T.I.V.A.I.S.D.E.V.E.R.A.O. Esta sigla encerra em si um poderoso e enigmático significado, e visa denominar o procedimento segundo o qual, os não menos enigmáticos membros da Masmorra, se deslocam individualmente, aos pares ou na sua totalidade, a eventos musicais que ocorram durante a estação do ano chamada Verão, a ele assistam parcialmente ou na totalidade e de seguida, sobranceiramente se afastem com a certeza que esse mesmo evento tem os dias contados para todo o sempre. O impacto deste fenómeno é tanto maior quanto o número de membros presentes. Foi assim com o Caos Emergente apenas para enunciar um exemplo mais emblemático, mas temos também outros casos bem presentes nas vossas memórias, não tanto na vertente festival mas mais na óptica das infra-estruturas/organização necessárias. O famoso Hard club fechou as suas portas quando começamos a visita-lo mais amiúde, e recentemente a promotora Amplificasom anunciou uma pausa estratégica, a que não é obviamente alheio o facto de tanto eu como o colega Maléfico, não termos falhado praticamente nenhum dos seus eventos. No entanto, e apesar da reconhecida notoriedade que esta saudável e destruidora pratica nos tem trazido, já foi aqui discutido que esta actividade tem um senão que pode ser considerado grave. Sendo os ilustres membros da Masmorra, fies adeptos de música satânica, i.e. rock’n’roll nas suas variantes mais pesadas e/ou alternativas, e sendo esta um veículo fulcral na disseminação da palavra do Demo, ficamos perante de um paradoxo existencial, também conhecido por “Raios parta, qualquer dia não há concertos de jeito”. Com o intuito de desvanecer este impasse, os três elementos desta Masmorra foram convocados para um negro concílio, para que as suas ideias pudessem ser partilhadas e um consenso encontrado quanto às medidas futuras a tomar. O Diabolicus não apareceu, o Maléfico adormeceu a meio e assim prevaleceram a ponderadas e sábias apreciações de Mafarrico. Uma vez que ficou completamente fora de hipótese, a tese que defendia que a melhor forma de preservarmos os ditos festivais e afins, seria a de simplesmente não comparecermos, optamos por uma alternativa. Essa alternativa, assenta no princípio ancestral que defende a seguinte conduta “já que ficamos sem os nossos festivais de qualquer maneira, então vamos arruinar os outros”.