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quinta-feira, 22 de julho de 2010

Lifetime Achievement Award

"That's why I find it so amusing that the latter-day saints of our
business... one, attribute to me motives that just weren't there, and two,
accuse me of corrupting morality, which I wish I had the power to do.
Prepare to die."


O Lifetime Achievement Award da Masmorra Infernal do Sr. Satanás é um prestigiado prémio na área das artes e humanidades, este prémio é atribuído de vez em quando e desde que não seja logo a seguir ao anterior, e tem como recompensa, além do prestigio a ele associado, o facto de os vencedores poderem chorar baba e ranho, puxarem os cabelos e gritarem que o objectivo de uma vida foi alcançado sem que o público em geral ache que estão a exagerar.



Os Carcass, formados em 1985, são os pioneiros do estilo designado como grindcore, editaram uma série de discos até 1994, tendo no ano passado alcançado o topo do top mcieusdb aqui nesta Masmorra. Os seus primeiros discos são de uma agressividade, sujidade e rapidez impecáveis (e implacáveis) e são mais conhecidos pelos uso depravado e humorístico de temas nojentos acompanhados de gíria médica, resultando numa eficaz mensagem que se havia de colar nos cérebros metaleiros por todo o mundo e para todo o sempre."I devour the pediculous corpse/Whetting my palate as I exhume/The festering stench of rotting flesh/Makes me drool as I consume..." - poesia infernal de alto gabarito.

É, no entanto, ao terceiro álbum que o agrupamento musical alcança um perfeito balanço entre a enormidade das suas liricas e a excelência dos seus acordes. Com Necroticism: Descanting The Insalubrious estava entre nós um dos grandes discos do HM e um que ajudou a moldar o refinado gosto que é hoje o dos colaboradores da Masmorra (quase todos). Foi com este disco que pudemos cantarolar musicas como Pedigree Butchery ou linhas inesqueciveis como "Pultacious.../Pugnacious.../Delicious.../Gastric-idiopathology..." - até o mais idiota apreciador do HM terá materializado mentalmente e imediatamente os sons que acompanham estas palavras.

O seguinte trabalho - Heartwork - já foi alvo de uma ref. discografica aqui na Masmorra pelo que não vale a penal alongarmo-nos sobre ele. É um disco fenomenal.

O último, e adequadamente intitulado Swansong, foi o marco final numa carreira que foi destruída pelo lado menos simpático dos negócios que acompanham a edição de rodelas de plástico com sons lá dentro. Um grande álbum, a demarcar-se musicalmente e liricamente dos seus antecessores, mas com grande pujança e musicalidade. Keep On Rotting In The Free World, Room 101, Generation Hexed ou Go To Hell são músicas para o headbanger que existe em todos nós acarinhar no seu negro coração.

Isto foi o fim da banda, que, qual vitima de um assassinato brutal, só teve tempo de mandar uns berros antes de se finar ao ainda incluir num cd em jeito de best-of uns quantos originais de boa memória e que valem a pena descobrir. Entre eles encontra-se um grito de revolta contra a máquina da industria que os fez desvanecerem-se, aparentemente, contra sua vontade."Really done it now, sold out/But to who, what, when, where and how,/Yeah, really done it now, sold out,/I've taken my cut/And corporate rock really sucks".

Claro que nos podemos revoltar, espernear e virar as costas a quem quisermos mas dinheiro é dinheiro, pelo que mais de dez anos depois os Carcass reuniram-se como tantos outros zombies musicais e desde o ano passado que andam por ai a tocar ao vivo os grandes hits do antigamente. Em boa hora o vêm fazer a Portugal, porque calhou mesmo na altura da atribuição deste Lifetime Achievement Award e assim poderemos ir vê-los e dar-lhes as boas notícias. Faltam 16 dias. Aposto que eles os estão a contar compulsivamente.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

ref. discografica - plenty bad preachers for The Devil to stoke


"Believe in me and send no money
I died on the cross - that ain't funny"
Haaa! It was twenty years ago, and the tiniest sound of this record still takes me, the almighty Maléfic, time travelling to that sofa on the Masmorra we shared back then, holding this record for the first time. Eventually i got up from the sofa and went to the escritório (as we called it) and listened to it, but what i remember best is the holding of the record, and the attentive look, almost religious, i gave to the cover and the back photo.


Do you remember, Mafarric? It was you that, having just bought it, made a triumphant return to our castle and claimed with a deep and roaring voice "Hello there! I bought the last Maiden album!". I remember even, that you were accompanied by one of your servants (amigo). It was a good time to be alive and what a glorious feeling it was to be, not only alive, but a Maiden fan as well.

Fockin'hell. I can even remember seeing the official video-clip for "Holy Smoke" for the first time, it wasn't easy to see these things in the pre-internet days, it was on ar-tee-pee 2, the guy in the tv claiming it had been banned in the UK, thus rising my expectations to see some Infernal Shit on-screen, and beeing rewarded with what might as well be the most Epic heavy metal video ever recorded on this Earth. It seems that it was banned only because of the use of the word SHIT. Of course, the REC button was pressed at the right time and we were able to re-see it countless times. Glorious days, i don't hesitate to say again. Up the irons!!!
"I've lived in filth, I've lived in sin
And I still smell cleaner than the shit you're in"


Nice.

sexta-feira, 12 de março de 2010

O assassino em série, esse animal (extra)

Uma edição extra de modo a termos algum vislumbre real sobre este negro assunto, atentemos portanto ao trabalho verídico de um homicida verdadeiro.

Wayne Gacy (aka Killer Clown) foi condenado pelo brutal assassinio de pelo menos 33 pessoas. Passemos os olhos pelo seu trabalho :



Aquando da sua estadia no cárcere, Gacy dedicou-se ao desenho e pintura, sendo que este trabalho acabou como capa do um excelente disco, assinado pelos nossos excelentes amigos Acid Bath. Um trabalho a contemplar e dele retirar sérias considerações sobre a fragilidade e a brutalidade da pessoa humana.



Broken glass and dirty needles
Soul erosion truth
Electric god, our superman
Found dead in a telephone booth
Shards of teeth
Ice pick abortions
Orgasmic death, so warm
Let's die screamin', black goat semen
I can't hear you whisper "conform"

Hearts will stop and brain cells pop
Apocalyptic high
She screams bloody murder as they chop off her fingers
So this is how it feels to die

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

ref. discografica 666 - O machado cairá

Um dos eternos problemas da humanidade, para aqueles que gostam de filosofar e de discutir o sentido da vida, é o de tentar perceber se um qualquer trabalho é referenciado na Masmorra porque é uma obra-prima ou se se torna uma obra-prima por ter sido referenciado na Masmorra. Nós bem sabemos a resposta, mas a humanidade continuará na dúvida porque nós não falamos com humanos.

Os meus amigos Converge, já diversas vezes referidos neste espaço, e que tiveram até a honra de ser o mote para o primeiro post deste blog (o célebre Nº 8), editaram este ano um trabalho intitulado "Axe To Fall", ora sendo eu um apreciador dos subtis sons emanados pelos seus anteriores registos, acrescido de ter sido esmagado por eles (qual rolo compressor) numa data ao vivo no nosso pais (tambem alvo de palavras neste magnifico blog), agraciei-os com a honra de lhes comprar o recém-editado cd.



Devo, após inumeras audições, dizer com todas as palavras, que este disco superou as minhas elevadíssimas expectativas. Os Converge demonstram ser uma banda que após anos de evolução constante atingiu o seu pico. É fácil encontrar em vários temas, pontos de contacto com grandes temas do passado, e ainda assim encontrar algo de novo e supreendente para o menos atento dos fãs.

Dos treze temas do disco devo destacar Dark Horse, Effigy (com os colegas Cave In), Worms Will Feed/Rats Will Feast e Wishing Well como portentos sónicos que muito agradam ao gira-discos maléfico, não posso também deixar de fora as duas composições que encerram o disco (Cruel Bloom e Wretched World) tal é a sua beleza e intensidade. Acima da média e, portanto, dignas de referencia são também Reap What You Sow, Axe To Fall, Damages, Losing Battle, Dead Beat, Cutter e Slave Driver.

Um disco de qualidade constante, adivinhando muitas dores de cabeça nos decisores quando tiveram de decidir qual música escolhar para destacar com um video. Terão mesmo desistido desta tarefa, quando alguém com superior inteligência terá lembrado que um vídeo dar-lhes-ia mais hipóteses de conseguir uma ref. discográfica nesta Masmorra adorada por todos. Escolheram esta :



"Beasts will become what they were meant to be / in the name of lovers in the name of wars / we'll show the demons for what they are"

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

ref. discografica 666 - A Grande Depressão

Agora que os dias bonitos regressaram, o gira-discos maléfico escolheu rodar uma rodela plástica recheada de momentos felizes e pensamentos positivos. Daqueles que nos assaltam a mente vezes sem fim durante a nossa existência e que, portanto, nos apetece ouvir em formato musical gravado por um qualquer agrupamento de pessoas mais ou menos humanas.

O disco a que faço referência entitula-se World Coming Down e é um desenrolar de humor negro deprimente acompanhado por musica de excelência, que poderia muito bem ser a banda sonora para esta masmorra que se quer infernal. O disco tem quatro não musicas que, sendo não musicas, dão bem a idea do teor das musicas que as rodeiam, a primeira musica do disco, por exemplo, são onze segundos de emulação de um cd arranhado seguido de um berro, que se poderia traduzir como “IDIOTA!”, conseguindo assim proceder-se a um insulto eficaz a todo e qualquer um que tenha comprado o cd (isto é o humor caracteristico), as outras três não musicas traduzem a depressão que acompanha todas as musicas e tentam simular os canais através dos quais os membros da banda pensam que vão desta para melhor e intitulam-se Sinus, Liver e Lung (Cocaina, Alcool e Tabaco).

As musicas a sério são para ser ouvidas atentamente e com um sorriso nos lábios, destacando-se Everyone I Love Is Dead com a dura realidade no pensamento que todos os que conhecemos e gostamos irão morrer um dia e o depressivo-suicida World Coming Down – “I'm so fortunate yet filled with self-hate that the mirror shows me an ingrate”. A grande musica do disco retoma um assunto já referido (dá pano para mangas), mas com menos subtileza e intitula-se Everything Dies.

White Slavery e Who Will Save The Sane? são para ser ouvidas com um sorriso acompanhado da ocasional gargalhada sarcástica, completando o disco a habitual cena destes senhores com as miudas gótico-pimba na péssima Pyretta Blaze e a ode ao Halloween em Creepy Green Light com uma musicalidade acima da média. O Nosso Senhor Satã está, claro, presente na festiva e excelente All Hallows Eve onde se ouve : “Saint Lucifer hear me praying to thee on this eve of all saints/High be the price but then nothing is free my soul i'll gladly trade”.

Finaliza-se com um medley de covers dos Bitales, medley que tem o condão de tornar audivel as “musicas” que esse quarteto idolatrado pelos humanos produzia.

Despeço-me com um apelo retirado da segunda musica do disco:
“Let me say Pepsi Generation / A few lines of misinformation / Watch your money flow away oh so quick / To kill yourself properly Coke is it”.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A oferenda

Estávamos todos em deprimente comunhão, celebrando mais um centenário do vil Mafarrico, quando por artes negras algo se materializou por entre as suas patas imundas.

Ficamos todos petrificados de espanto ante aquela aparição repentina, todos menos Mafarrico, que como tem os cascos duros não reparou no que lhe tinha ali aparecido e já ia deglutir o objecto junto com uma fatia de pizza de olhos humanos com cebola.

Embora petrificados, gritamos todos em uníssono : "ALTO!"

Ao que Mafarrico respondeu gritando "QUE FOI?"

Agora já não petrificados, mas ainda abalados, apontamos e gritamos : "ORA VÊ LÁ ISSO QUE TENS AI!"

E Mafarrico, mantendo a calma gritou "ISSO O QUÊ? AAAH ISTO AQUI. QUÉ ISTO?!?!?"

E analisamos aquilo que se tinha materializado do nada. Ficamos estupefactos, Mafarrico logo se apercebeu que aquele era um momento que nunca mais iria esquecer na vida. Era uma oferenda do próprio Sr. Satanás, um cd comemorativo compilado no Inferno, com as musicas que o próprio Grande Demónio escolheu e gravou num CD-R para ofertar ao nosso colega e assim não deixar passar em claro a amizade que nutre por ele, isso se notou na dedicatória escrevinhada na capa (excelentemente executada, diga-se já, muito bela). A dedicatória era bastante comovente, mas Mafarrico não deixou ninguém lê-la uma segunda vez pelo que já nao me lembro o que tinha lá escrito.

O alinhamento do CD, caros amigos que queiram ter uma ideia dos sons que estão na moda no Inferno era:

Entombed - Like This With The Devil
Slayer - War Ensemble
Napalm Death - Silence Is Deafening
At The Gates - Under A Serpent Sun
Kreator - Coma Of Souls
Coroner - D.O.A.
Testament - The New Order
Nuclear Assault - Brain Death
Overkill - Gasoline Dream
Megadeth - Countdown To Extinction
Anthrax - N.F.L.
Iron Maiden - Killers

Parece-me que seria isto, já não me lembro o que terá sido gravado. Talvez Mafarrico, tendo sido ele o feliz afortunado recebedor da oferenda, nos queira elucidar mais sobre o conteúdo e, quem sabe explicar, o significado do presente.

Acabo com uma ponte para o post anterior, uma citação retirada da musica primeira desta colectânea infernal:
"And what good is a song for peace
when the fucker doesn't even rhyme"

O Sr. Satanás quer que pensemos nisto.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

ref. discografica 666 - filosofia moderna

mafarrico,

é hora de mais uma referencia discografica e chegados ao numero 666 (já vamos neste numero, como o tempo passa) achei que era altura de prestar homenagem a um grupo defunto e recentemente ressuscitado e que portanto andará nos próximos tampos por ai a cirandar qual zumbi putrefacto.

É um agrupamento musical que aprecio por demais, a sua musicalidade é evidente, o seu ecletismo é assinalável e o seu humor caracteristico e negro fazem das suas liricas uma real lição de filosofia para o diabo moderno. Começando pelo seu simples e estranho nome, que traduzido para a nossa lingua (indecifrável para o comum dos mortais) seria algo como "Fé Nunca Mais".

Se a audição dos seu trabalhos é um regozijo para os ouvidos infernais, a leitura dos seus escritos é deveras reconfortante e traduz-se muitas vezes em letras sem um fio condutor e aparentemente insanas, mas que se explanadas linha a linha podem ajudar deveras um demónio em busca de rumo espiritual.

Ora vejamos alguns exemplos retirados da rodela plástica impregnada de sons que de entre a sua vasta discografia escolhi para esta referencia.

If you don't make a friend, now
One might make you -
So learn
The gentle art of making enemies
de The Gentle Art Of Making Enemies

And dying is dry-
Like a fact of history
And when you die, you'll become
something worse
Than dead-
You'll become
A legend
de Star A.D.

Shit lives forever
de Cuckoo For Caca

You did one thing wrong
You woke up.
de Ugly In The Morning

What a day, what a day
If you can look it in the face
And hold your vomit
de What A Day

e o inspirador e sempre presente nas nossas vidas

It's always funny until somone gets hurt...
And Then it's just hilarious!
de Ricochet com que vos deixo



E isto foi de cor, sem qualquer espécie de pesquisa, pelo que se depreende que será recompensador passar à lupa os trabalhos destes filósofos.

M.P.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Lifetime Achievement Award

mafarrico,

chegou a altura de indicar o vencedor do mais prestigiado prémio atribuido pela masmorra infernal do sr. satanás.

O prémio lifetime achievement award é um prémio atribuido pela masmorra a cada dois anos e que premeia a excelência de um ou mais parceiros do mal nas mais variadas áreas. Estas personalidades estão em risco de ser contempladas para este prémio simplesmente pelo facto de existirem, ficando com mais hipóteses de ganhar se fizerem algo de jeito, repetidamente através dos anos e que seja de agrado do juri, que é composto por metade dos contribuidores da masmorra.

Ora esta metade (50%), reune-se antes de decidir o vencedor (poderia ser depois, mas é assim que estão as regras), e procedendo a contagem dos votos é decidido o vencedor havendo unanimidade. Leva-se para este efeito muito a sério a célebre máxima "Um Demónio, Um Voto".

Neste ano, o vencedor foi um agrupamento musical que quase trinta anos depois da sua formação continua a ensinar uma coisa ou outra a todos nós. Numa altura em que todos os seus membros já passaram a barreira dos quarenta anos terrestres, os Napalm Death têm um disco novo e prometem arrasar novamente as mentes demoniacas sedentas de boa e rapidissima musica. Criadores de um género musical, com inumeros seguidores e com sólidos e frequentes lançamentos ao longo dos anos (já vão em 14 discos de originais), aliam a excelente capacidade musical a letras inteligentes com forte cariz e preocupação politica.

Arrasadores quando visionados em pessoa e ao vivo, mantêm-se na estrada mostrando que estão firmemente empenhados em manter vivo um certo modo de fazer musica muito genuino que se tem vindo a perder desde que este tipo de musica também demonstrou ser veiculo possivel para alguns se tornarem estrelas.

É impossivel qualquer um de nós se sentir velho enquanto estes senhores andarem para ai a debitar décibeis e o novo álbum "Time Waits For No Slave" já está nos escaparates, este terá de ser adquirido pelas vias legais pois o próprio Satanás se encarregará de fulminar os que sigam o caminho da pirataria em relação a este registo.

Deixo-o com uma musica de 2005 entitulada "Silence Is Deafening", porque penso demonstrar bem a genialidade destes musicos, achando mesmo que o minuto 2:30 em diante é um riff bem exemplificativo do poder e qualidade de todo um género musical.



e já que se fala tanto em crise, esta música alerta para o seguinte sobre os ricos e poderosos : "Their silence is deafening/From the retreats of tamed apologists/Their disdain is crippling/For those whose crises they have fixed"

é importante ter amigos de ambos os lados da barricada

M.P.

domingo, 6 de julho de 2008

post 101

mafarrico,

If you want a picture of the future, imagine a boot stamping on a human face … for ever.

Esta bela noção de um futuro melhor é-nos deixada no livro de Eric Arthur Blair, 1984. Um belo livro que nos trouxe ideias tão marcantes como o Big Brother, os dois minutos de ódio ou a imagem que pessoalmente mais me agrada e que é a do quarto 101.

O quarto 101, no romance, é uma câmara de tortura no ministério do amor, em que o visado é sujeito à sua pior fobia. No estado totalitário relatado na obra literária, tudo é conhecido acerca de todos, pelo que até os medos mais íntimos de cada um estão
compilados nos registos da polícia. Assim, o individuo prevaricador, ao ser presente ao seu torturador seria introduzido na sala 101, onde teria de enfrentar qualquer que fosse aquilo que mais teme. Uma visão simpática, se se tiver o trabalho de torturador oficial do ministério.

Por exemplo, se eu vivesse nessa sociedade imaginária futurista, e fosse apanhado em falta (muita probabilidade de cometer faltas, mas pouca de ser apanhado). Ao sentir a porta fechar-se atrás de mim que encontraria?

Estou a imaginar, um quarto pesadamente mobilado, mobiliário de madeira, a última ceia retratada num quadro na parede, um crucifixo na parede oposta, o rádio sintonizado na renascença (perpétuamente hora do terço). Nisto entrariam duas ou três religiosas de avançada idade, que me sentariam na mesa com o lanche pronto, bolachinhas e leite com groselha, a sua companhia seria incessante em me relatar passagens da bíblia ou novo testamento, fábulas!!! contar-me-iam fábulas sem parar, sempre a perguntar se estava preparado e sabia os horários da catequese ........... NÃAAAO!! medo! não consigo continuar.

(respirar fundo)

mafarrico, consegue fazer tal exercício de se imaginar no seu quarto 101?

A música de fundo para este post é: Carcass - Room 101

M.P.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

resposta a uma questão interessante ...

mafarrico,

uma vez que isto é uma resposta à sua desinteressante questão, aconselho-o a ler primeiro o post anterior, uma vez que foi você próprio que o escreveu, pois conhecer a resposta antes de conhecer a pergunta que formulou antes de ler a resposta à sua pergunta poderia tornar-se algo confuso.

Agora que já conhece a pergunta que se perfilou na sua mente horas antes do meu aviso, deixe-me dizer-lhe que sempre gostei da maneira como vai directo ao assunto sem rodeios desnecessários, penso mesmo que é isso que o diferencia das pessoas que abordam assuntos com rodeios necessários.

Também me agrada a maneira como recorre à minha infinita paciência e superior inteligência com que o ajudo relutantemente e de forma humilde.

A resposta :

Estou na ideia que num feio dia de inverno, os elementos deste agrupamento musical estariam na sua sala de ensaios e tiveram a visita de um dos nossos que os marcou para sempre. Pois que seguiram a aparição, e num estado de temor e tremor, vieram conhecer o nosso lado. Saíram de lá pessoas diferentes e, acalmada a vontade de se tornarem uma banda de Black Metal, compreenderam a utilidade que tinham em se manter infiltrados. De seguida escreveram a seguinte musica explicativa da sua incursão e agora usada para atrair pobres coitados (como eles anteriormente) às profundezas do nosso mais adorado covil e a preencher as nossas hostes.

Respondo-lhe, portanto, como tantas vezes, com uma lírica de um conjunto musical.

Aceito, antecipadamente, os seus mais sinceros agradecimentos. E deixo-o com a resposta à sua pergunta.

Wilco - Hell Is Chrome

When the devil came
He was not red
He was chrome, and he said

Come with me
You must go
So I went
Where everything was clean
So precise and towering

I was welcomed
With open arms
I received so much help in every way
I felt no fear
I felt no fear

The air was crisp
Like sunny late winter days
A springtime yawning high in the haze
And I felt like I belonged
Come with me

Come with me
Come with me
Come with me
Come with me
Come with me
Come with me
Come with me


M.P.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

ref. discografica 666 - heartwork

mafarrico,

voltando ao tema preferido da masmorra - estas recomendações que vamos rasgando a sangue nas costas dos infelizes que aqui estão detidos, vis criaturas que não sabem adorar o Sr. Satanás, seguidores do bem que estão agora subjugados ao Mal, o nosso desprezo é bom demais para tais vermes.

Dizia eu, voltando a este tema, decidi recuperar as ref. discográficas que tanto trabalho nos deram a enumerar e decidi relembra-lo desta rodela de plástico gloriosamente barulhenta e tão tocada no meu gira-discos maléfico.

Refiro-me ao fantástico, pioneiro e inultrapassável Heartwork editado em 1994 e desde então mantendo-se sempre no top das preferências de qualquer seguidor do Mal que se preze. Tudo neste disco é excelente, desde a capa do nosso caro colega de outras artes H.R.Giger, passando pela excelente musicalidade, e boas letras que foram um passo em frente em relação ao que os jovens desta banda faziam até então.

Não existe neste curto disco(pouco mais de meia hora), uma única música que seja possível passar à frente, e neste caso particular nem foi preciso nenhum esforço extra do nosso Querido Lorde Das Trevas, a começar nos primeiros acordes da música de abertura (clássico, mafarrico, clássico ... quando a bateria arranca dando o mote para todo o disco..... uma beleza extrema é o que lhe digo), até ao ultra-rápido Death Certificate são 10 temas indispensáveis ao ouvido apurado do amante requintado de música que é o apreciador de Heavy Metal.

De realçar o mérito que este disco e os seus autores têm ao conseguir atrair para o mundo escuro e pestilento de Masmorras e afins novos seguidores, pelo menos a julgar pelo sem número de novas bandas que editam covers de uma ou outra música deste CD.

É muito difícil escolher uma faixa, uma vez que são todas fantásticas e com certeza já terá as suas preferidas, mas deixo-o com a que me atraiu mais nas primeiras audições nesse longínquo ano de 1994.



In futility, for self preservation
We all need someone
Someone to hate

M.P.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

histórias da vida

mafarrico,

os mais diversos bardos trovam as histórias dos fieis servidores. Aqui fica mais um relato das atribulações de um dos nossos.

Baby, have mercy, please don't be unkind!
I remember chips of woman let me down and blew my mind.
For out of my back, she's gonna look way back into the back of my eyes.
She said: "You've done your baby wrong and you know you're gonna die tonight."

Now, the villagers are coming with a pitchfork and a screaming dog.
I got long black hair growing way out of the back of my skull.
Feeling kinda itchy, I got blood on my mouth.
She said: "You gotta get away, come on baby, go on way down south!"

She said, she said, she said, she said.

She said: "You got nothing left, you ain't a man no more, you're outta control.
And the moon, baby, is blooming, you're gonna find out, what it's like to lose your soul."
Now, my teeth are long, pentagram on my palm. What have I done?
I said: "Get up now, please baby! Come on! I gotta fly, I gotta run."

She said, she said, she said, she said.

I crave to taste the blood. Lord almighty, good Lord above, my soul is lost!
I said: "I curse the day that I ever was born!"
Baby, have mercy, don't you hear me screaming in pain?
I said my prayers at night, come on please, I won't forsake your name!

They're gonna lay me right here in this marshy swamp.
Hit by a silver bullet right throught my heart.

She said, she said, she said.
She said: "Werewolf".
She said: "Werewolf".
She said: "Werewolf".


sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Nº 17

mafarrico,

já aqui conversamos sobre as pessoas patéticas que o deixam de ser. Mas também existe a outra face da moeda. O vice-versa como se costuma dizer. Isso irritam-me fortemente, ao ponto de desejar que tais fulanos passem a eternidade na brisa amena do céuzinho (ao contrário de nós que iremos para as chamas do Inferno).

Infelizmente uma dessas pessoas já foi figura proeminente na nossa causa, líder e ídolo de uma geração, ele é o otário Dave Mustaine. E como todos os otários não consegue estar calado, agora diz :

"I made clear to my agent that I won't play with Satanic bands, and the promoter booked the band without checking with the agent. Because I'm a legend, I don't need to play with people who have gone on record and said they're an enemy of mine. Because I believe in God and he believes in Satan, that means we're enemies, right? It doesn't mean I can't pray for the guy; it just means he doesn't like me and he said so. And I told them that I was stepping off the bill. I never said to cancel those guys. "

Ah! A velha tolerância cristã, que em consciência não o deixa utilizar o palco que horas ou minutos antes foi utilizado por um ser maléfico da nossa estirpe (buuuuhuuuuu!!!).... Será que o nosso amigo também não utilizaria uma carruagem de metro se soubesse que no dia anterior o Vincent Price a tinha utilizado a caminho do seu pequeno-almoço? Será que iria procurar um outro hospital de urgência se o sr. enfermeiro lhe dissesse "Por acaso, ontem tivemos aqui o Sr. Crowley com um braço partido.". Será que se a sua influência no mundo musical fosse outra, ele continuaria com a mesma posição e voltava ele para casa, em vez de obrigar os nossos rapazes a desistirem do concerto? Não sei ,são questões que não interessam ao menino jesus (como é costume dizer-se).

Interessa é recordar o obra deste senhor quando tinha algo que não era totalmente idiota a dizer:

"If there's a new way,
I'll be the first in line.
But, it better work this time.
"

(e que grande, grande música, enorme!)



Infelizmente para o Sr. Mustaine a sua "new way" foi uma paspalhice total

Um forte abraço,
M.P.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Nº 13

mafarrico,

um dos seus comentários anteriores pôs-me a pensar sobre o mundo do futebol. E de como ele é utilizado pelo nosso Senhor Mestre Das Trevas para espalhar a dor e miséria pelo mundo.

Das formas mais subtis Ele vai espalhando demónios de baixa estirpe por esse mundo, para que mexam os cordelinhos e façam sofrer multidões. E um dos que se tem saído melhor é o nosso reles servidor LFV desse clube que é o SLB. desde que foi colocado no cargo que ocupa, LFV especializou-se em subir as expectativas dos pobres adeptos daquele clube, para logo de seguida as esmagar cruelmente - fazendo-os sofrer sempre as mesmas desilusões a uma cadência alucinante. E não é coisa pouca uma vez que segundo estatística oficial dos próprios sofredores, são 6 000 000 de adeptos que vão na cantiga, e acabam invariavelmente em lágrimas. Se isto não é obra de Lúcifer ....

Incansável, LFV não deixa os sócios e simpatizantes da sua equipa lamber as feridas e logo lhes incute uma falsa mentalidade vencedora, hoje voltou à carga :

«Sabemos que nenhum benfiquista está feliz, e de certeza absoluta que aqueles que estão mais infelizes são os membros dos órgãos sociais e todos os profissionais desta casa», notou Vieira, afiançando: «Tivemos um ciclo muitíssimo bom e vamos iniciar agora outro ciclo bom, que vai durar mais tempo que o anterior».

Para ele, e também para si, aqui fica a minha recomendação de hoje. Iron Maiden com Déjà Vu :



"'Cause you know that you've heard it before,
And you feel that this moment in time is surreal,
'Cause you know when you feel deja-vu."


cordialmente,
M.P.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Nº 9

mafarrico,

estava eu, algo nostálgico - devo acrescentar, a ouvir umas pérolas da antiguidade, quando me apercebi de algo verdadeiramente notável numa musica que rodou no gira discos maléfico. Vai dai pensei : "Deixa-me partilhar isto com o mafarrico".

Ora estou eu atento à letra da musica quando me apercebo, mas ... mas ... mudando umas referências à selva por deserto, deslocalizando Nicarágua para Iraque, e alterando o desporto radical para qualquer coisa desse tipo que se faça na areia, e dir-se-ia que estes jovens atentos em 1988 sabiam o que se iria passar em pleno séc. XXI, quais adivinhos futuristas.

Dizem eles :

You fight for democracy
And the "American Way"
But you're not in your country
"What am I doing here?" you say
But now it's too late
You're entering Managua
If you had brought your surfboard
You could surf Nicaragua

e acrescentam :

What is this we're fighting for
What's our ultimate goal
To force our ideas
Right down their throats
American Intervention
Grows Deeper Everyday
The situation worsens
More soldiers on the way

é , sem dúvida, um belo exercício de metal politico, que nos deixa a pensar, fosse Phil Rind presidente dos USA e tudo seria diferente no mundo de hoje. Infelizmente , não é.

Falo, obviamente, já descobriu, de Surf Nicaragua dos Sacred Reich. Quanto ao vídeo que lhe apresento, além de excelente musicalidade, transporta-nos para outros tempos, tempos em que o aspecto da banda não interessava (os metallica ainda não tinham vergonha de fazer headbang em palco) e o mosh pit era "good friendly violent fun".

Um bem haja
M.P.