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terça-feira, 14 de julho de 2009

Killing Music since 1989


Os monges beneditinos são uma ordem monástica que teve origem no nosso bem conhecido século VI com os habituais preceitos e rigores a que este tipo de movimentos se predispõem: disciplinar e controlar as hordas de mentes perdidas que não tendo nada mais a que recorrer, se devotam a estas elites pensando assim receber conforto e orientação.

Ora estes monges sempre se pautaram por uma atitude um pouco deviante das outras ordens eclesiásticas em geral. Comportamentos um pouco mais sombrios e esquivos levaram a ficassem conhecidos pelo epíteto de “Monges Negros”. Em parte devido à coloração das suas vestes mas principalmente pelos pensamentos perniciosos que abundavam nos seus círculos de poder mais centrais. A ligação ao “nosso” lado começava assim a ganhar forma.

Foi então, que no longínquo ano de 1989 esta ordem, dita religiosa, já em total parceria com o Sr. Satanás, se abriu e expôs os seus também negros corações ao mundo, com a criação do seu braço musical armado. Surgia assim uma banda de Death Metal que adoptou a denominação de Benediction!

Grandiosa tem sido a caminhada destes senhores ao longo dos anos, espalhando uma mensagem de pessimismo, desalento e decadência que espelham a sociedade dos nossos dias, sob uma camada de densos ritmos de cadência ora avassaladora ora pungente e compassada.
A obra fez-se através de capítulos tais como Subconscious Terror (1990), The Grand Leveller (1991), Dark Is The Season (1992), Transcend The Rubicon (1993), The Grotesque / Ashen Epitaph (1994), The Dreams You Dread (1995), Grind Bastard (1998), Organised Chaos (2001) e após um interregno de 7 anos para formação no Inferno surge o mais recente Killing Music (2008).

Ora, foi precisamente sob o lema “killing music since 1989” que estes velhos demónios desceram à Masmorra Infernal no passado dia 4/7, e prestaram homenagem a 66,6% dos membros interinos que se predispuseram a estar presentes.
O local escolhido foi o cinema Batalha aqui no burgo, escolha essa que não podia ter sido pior: acústica péssima, um esquema de luzes como já não via há muito de tão mau e um espaço largamente sobredimensionado para o evento! Os meus mais sinceros parabéns à organização. Assim se trabalha na Masmorra.

Quanto à performance dos intérpretes pouco há a registar. Visivelmente nervosos pela presença do Maléfico e um pouco enferrujados pelos anos de ócio e deboche, lá tocaram os temas mais clássicos misturados com algumas faixas do mais recente trabalho. Pouco mais de uma hora bastou para descarregar em cima do escasso público, o pesadíssimo setlist.
Apenas com dois membros da formação original o line-up apresenta-se um pouco descaracterizado. A presença dos dois lendários guitarristas Darren Brookes e
Peter Rewinsky, não chega para fazer esquecer a ausência do mítico vocalista Dave Ingram, que após uma passagem pelos colegas Bolt Thrower se aposentou destas andanças e se dedicou a outras formas de disseminação da música de Satanás.

Enfim, o local não era o indicado, o público não primava pela quantidade, o som foi sofrível, as luzes fracas, o tempo da actuação curto e os anos a pesarem nas pernas dos intérpretes.
Resumindo: apreciei bastante!