segunda-feira, 30 de junho de 2008

Férias

mafarrico,

fui passear um pouco, o stress da masmorra é stressante e fui destressar. Talvez por isso tenha estado um pouco ausente da masmorra, por isso e por não poder estar em dois sitios ao mesmo tempo. Fui para paragens um pouco mais frescas, tentar praticar o mal o menos possível (para não estar sempre a pensar em trabalho e relaxar um pouco).

O ponto alto do meu passeio foi uma visita à masmorra dos ossos, que os humanos designam como Capela Dos Ossos. É um local bonito e acolhedor, onde podemos respirar fundo e deixar-nos inundar pela beleza do cenário e reflectir e entender um pouco do sentido da morte. É inspirador.


Encontrei por lá um nosso colega, com o qual tentei meter conversa, mas ele não me respondeu, pareceu-me absorto em profundas meditações. É díficil não meditar assim num sitio destes.



Na saída uma mensagem de esperança para todos nós , diz ela : “Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”

Venham daí esses ossos,
M.P.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Pelo aspecto a coisa não está bem ...

mafarrico,

O aspecto do heavy metal nunca foi muito bom. Entre o azeiteiro e o andrajoso, sempre fomos bombardeados com imagens dos artistas nas várias etapas da sua carreira. São invariavelmente muito feios, mas é algo que não podemos evitar.

Se as fatiotas não são minimamente indicativas da qualidade da música são indicativas de outras coisas a outro nível. É perfeitamente visível através delas entender duas coisas :

- A banda está em inicio de carreira e aparece nas fotos com a roupa com que andaria na rua.
- A banda mantém os pés bem assentes na terra, apesar do seu maior ou menor sucesso.
- A banda é composta por mercenários capazes de tudo o que a editora mandar para vender mais discos e ganhar mais dinheiro.

Passo a explicar com desenhos.

Metallica (1992 vs. 1996)

Pensava-se que em 1992 teriam chegado ao máximo do mainstream, mas em 96 apareceram de cabelo cortado, camisas de desporto, suspensórios, maquilhagem ... o nu-metal estava a chegar e os velhotes queriam vender discos aos miudos.

Paradise Lost (1994 vs. 1999)

Em 1994 havia muitos metaleiros assim e eles pareciam só mais uns com jeito para a música. Em 1999 queriam ser os radiohead, o mais ridiculo é que como agora o metal vende outra vez as fotos actuais são muito parecidas às mais antigas. Tirando um que ficou careca e já não conseguiu deixar crescer o cabelo novamente.

Machine Head (1994 vs. 1999)

1999 era a altura dos limp bizkit, yo! Até foram buscar o macaquinho de rastas no cabelo. Quando os ventos do negócio mudaram o vocalista e chefe tirou a tinta do cabelo e deixou o guitarrista numa estação de serviço durante uma digressão.

Claro que existem artistas genuínos e merecedores das maiores aprovações (1980 vs. 1990 vs. 2000 vs. 2006)





Acho mesmo que este nosso colega deveria quicar o ass dos visados nas fotos anteriores.

Esforçando-me por chegar ao 99 me despeço,
M.P.

terça-feira, 17 de junho de 2008

ref. discografica 666 - chuvas colossais

mafarrico,

já se notava o vazio de referências musicais neste antro pestilento, decidi portanto regressar a este género de missiva fazendo lembrar um dos grandes LPs da história do mundo moderno.

No ano em que foi lançado, 1994, o poderoso estilo musical que adoptamos como nosso estava num impasse. Grandes ídolos de outrora estavam armados em parvos e a serem aceites pelo público em geral, as bandas que se mantinham fieis ao modo de vida que nos apraz não estavam com grande inspiração e as infames editoras discográficas, vendo que também podiam ganhar dinheiro com estes sons diabólicos estavam a desvirtuar tudo o que antes se tinha mantido firme como uma raison d'etre de muitos jovens. Era uma merda!

Por esta altura surgiram alguns discos muito bons, de colectivos brilhantes que foram uma espécie de ultimo fôlego antes do coma que foram os anos acima referidos. Com este disco que indico, houve a ilusão que a banda em questão seria um estandarte na batalha que mudaria o rumo que se estava a iniciar( a musica que lhe vou deixar é notória nesse facto), mas foi por pouco tempo, pois somente dois discos passados, já os nossos colegas assinavam pela multinacional EMI e posavam de cabelos cortados e fatinho de idiota para a capa de um disco de má memória.

Agora que os ventos do negócio mudaram, os colectivos musicais tentam retornar aos tempos áureos mas já nem minimamente genuínos conseguem parecer, nem nós somos jovens diabos nem queremos nada disto. Preferimos recordar tempos idos e a altura em que ouvimos este som pela primeira vez.


M.P.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Mais boas novas sobre a reunião anual!

mafarrico,

por certo lembra-se de eu ter anunciado a reunião anual aqui há uns meses atrás. Aquela que seguindo a tradição se realizaria pela primeira vez e pelo segundo ano consecutivo, e onde existiriam aqueles "bilhetes" que seria necessário adquirir. Mais importante e entusiasmante aquela reunião onde se nos juntariam os nossos colegas Opeth.

Pois muito bem, trago boas novas sobre este evento espectacular!

Foi cancelado.

O efeito de ter sido mencionado na Masmorra foi devastador e o festival is no more (como dizem os islandeses de ascendência paraguaia).

O que é certo é que me parece que aquilo estava a ser organizado por uns demónios de uma estirpe um pouco mais elevada do que poderíamos pensar no inicio. Estariam assim na estirpe entre o esterco e o musgo, penso eu (sem querer ofender ninguém).

Se não vejamos, o festival em si foi anunciado com um cartaz deveras apetecível com algumas das melhores bandas da nossa praça. Logo era possível adquirir os ingressos, mas nunca através dos locais habituais (como é habitual dizer-se), antes deveria processar-se tudo por multibanco, sendo que o talão de multibanco daria para entrar no recinto. Ora isto não parecia muito profissional, mas terá havido uns poucos que mais ou menos entusiasticamente lá se apressaram a passar o seu precioso ouro para o desconhecido.

Alguns tempos passados, e sabe-se lá quantas transferências feitas, a organização anunciou um anuncio bombástico. De um dia para o outro dez das bandas de maior renome teriam 'cancelado' a sua vinda por 'motivos externos à organização'. 10! DEZ! uma banda cancelar a vinda sem dar motivos e dizer "desculpem lá mas numbaidar pa ir" é uma coisa, agora DEZ bandas de uma vez. É estranho, lá isso é. O pessoal lá se queixou, mas iludidos pelos nomes que ainda se mantinham no cartaz lá esperaram que as substituições fossem à altura.

Não, as substituições não foram a altura, bandas de 3ª linha apareceram no cartaz em substituição das de 1ª linha. É mau, se fosse ao contrário era bom, mas assim é mau.

O pessoal queixou-se.

As coisas não pareciam alterar-se em nada, um nome mais vigoroso para o cartaz tardava em aparecer.

Nisto dá-se o que muitos não esperariam, pelo menos aqueles crentes que compraram bilhete com cinco meses de antecedência não esperariam com certeza. O cancelamento. Diz a organização que o recinto foi violentamente destruído por vândalos anónimos o que torna impossível a realização do festival. Mesmo a calhar, digo eu.

Pode pensar-se que eu estou aqui a atirar ao ar acusações de fraude. Se não soubesse eu que o verdadeiro motivo deste azar, má sorte e violência que se abateu sobre tal festividade se deve tão somente à referência prévia na Masmorra (que como sabemos, se mal controlada, tem sempre efeitos devastadores no referido), poderia pensar que sim, mas não.

Arranje agora o mafarrico uma reunião anual para os fãs desejosos de nos ver que a mim já não me apetece.

M.P.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Tiro ao Rei Mago

mafarrico,

ao ler a sua anterior, excelente, missiva - um rel. veridico acerca de um colchão porcalhão e sedento de violência - ficou-me no ouvido uma frase. Essa frase foi "hoje não é um dia da Besta". Apeteceu-me retorquir com "um dia da Besta é quando um demónio quiser", mas não o fiz porque era uma piada idiota, estúpida e inutil.

Mas fiquei a pensar que "dia da Besta" me fazia lembrar qualquer outra coisa que não um dia festivo por si só. "Dia da Besta", "Dia Da Besta", que seria ... ?

Foi então que se deu o clique no meu excelente e belo cérebro enquanto dizia para comigo : "Mas claro, Maléfico! 'O Dia Da Besta' é uma das melhores referências cinematográficas que pode fazer na Masmorra e mais dia menos dia (bestial ou não) terá de o escrevinhar lá para deleite dos seus colegas masmorrentos". Realizado em 1995 pelo simpático Alex de la Iglesia (irónico nome), El Dia De La Bestia é um filme espanhol sobre um sacerdote que em vésperas de natal, tenta impedir o nascimento terrestre de nosso Mestre. Com humor negro, heavy metal, virgens, tiroteios, invocações, explosões, pentagramas e facas afiadas, acrescentado de um excelente Santiago Segura no papel de um cómico colega, as peripécias vão-se desenrolando para um final que não revelo, mas que se eu disser que é feliz fica a dúvida se é verdadeiramente feliz ou se é feliz no que vulgarmente se chama um "final feliz" (infeliz para nós).

Uma palavra para a importância maléfica que se dá neste filme a esse instrumento do mal que é a televisão. E também, em igual medida, às caçadeiras de canos serrados.

Queria deixa-los com o trailer oficial, mas após visualização do mesmo achei que não fazia justiça ao filme, era um trailer manifestamente mal feito com cenas compridas e pouco significativas e outras que poderiam dar a entender coisas que só acontecem largos minutos decorridos do filme, pelo que decidi colocar aqui apenas a primeira cena do filme, não a arranjei na língua original mas vai dar ao mesmo para nós, demónios poliglotas. Infelizmente isso faz com que o título desta referência cinematográfica se mantenha um enigma, mas pronto, fica mais um incentivo para ver o filme.



Digamos em uníssono "Joder! Que pelicula!"
M.P.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Uma ovelha negra tresmalhada

colegas,

venho aqui chamar a atenção para a triste história de um outro colega nosso, o Anung un Rama (nung para os amigos).

Anung un Rama teve uma infância igual a tantas outras, nada faria prever que a sua vida se tornaria um drama tão injusto quanto triste.

Ele é um colega demónio que foi invocado para este planeta pelo nosso servo terrestre Rasputin ajudado por outros colegas que militavam nas hostes ocultistas nazis (isto passou-se por alturas da segunda guerra mundial). Posto nesta Terra de forma tão carinhosa por aqueles que se queriam servir dele para baixar as trevas e convocar os deuses tormentosos de passados gloriosos para de novo a reinar sobre este sitio, heis que! foi "resgatado" pelas forças aliadas. Pois é , foi brutalmente retirado dos braços daqueles que eram por direito os seus "pais" neste mundo.

Foi levado para os USA, onde é actualmente explorado no Bureau for Paranormal Research and Defense (BPRD). Ele cresceu, sem conhecer as suas origens demoniacas e é agora um enorme demónio enorme e de cor vermelha, com cauda e cornos e uma mão direita de grandes dimensões que ele usa como se uma arma se tratasse. Foi , muito pouco originalmente, baptizado de Hellboy e é infamemente utilizado para lutar contra as nossas forças, está a ser brutalmente enganado e a destruir precisamente aqueles que são sua familia e a negar muitos dos nossos esforços para este planeta.

Como se não bastasse toda esta exploração, ainda se adiciona o facto de desde 1993 Mike Mignola desenhar uma banda desenhada espetacular, que não fora os bons ganharem sempre (com a ajuda do nosso confuso colega) seria uma leitura obrigatória. As histórias estão bem assentes no género terror-oculto satisfatório, o estilo de desenho é muito bom (muito bom mesmo) e tem acção e porrada q.b. . Até já fizeram um filme disto (assim-assim) e vem ai a sequela (medo).

Meus amigos, deveríamos resgatar o nosso colega das garras desses seres do bem que o usurpam desta forma mesquinha e infame. Atentem ao olhar perdido deste que deveria ter a mesma missão que nós e não o contrário.

M.P.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Ele há coincidências...

Colegas,

estamos no dia 02/06/2008 .... é um dia dos Diabos.

Ora acompanhem-me.

o dia 02 acrescentado do mês 06 diminuído do primeiro digito do ano 2008 = 6

o mês 6 = 6

o ano 2008, invertido (todos sabemos o poder das coisas invertidas), 8002, tirando os zeros e subtraindo o agora ultimo digito ao primeiro (8-2) = 6

o que dá o nr. 666, o nosso numero, o nr. da besta! Coincidências? São coisas que acontecem ... AH! Para nós peritos em numerologia e criptografia sabemos que não é assim.

M.P.