segunda-feira, 27 de dezembro de 2010



Última emissão da Masmorra Infernal do Sr. Satanás:



Última emissão do Doutor Fausto:

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010




Última emissão da Masmorra Infernal do Sr. Satanás:


Última emissão do Doutor Fausto:

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Da Masmorra para o Mundo (From the Masmorre To The World)

Quando todos os fieis leitores (todos os dois) desta Masmorra já desesperavam pensando que a inércia havia atacado os grandiosos escribas deste espaço, heis que, aparentemente do nada, surge uma noticia avassaladora, uma surpresa que nada nem ninguém esperava e que denota o árduo trabalho que vimos labutando visando o domínio mundial.

Estais todos convidados para a primeira emissão radiofónica da Masmorra Infernal Do Sr. Satanás! O Chifrudo ordenou-nos que porfiássemos por outros caminhos, e vai daí, os criadores deste espaço escrito criaram um espaço radiofónico para gáudio de todos.

A estreia está marcada para o domingo que passou (dia 5) às 22h na Kitschnet Radio , se por alguma razão não conseguirdes ouvir o programa #1 então tem por lá um link para o Podcast.

Os músicos a quem foi dada voz no do dito show radiofónico foram: mão morta, bizarra locomotiva, iliketrains, mogwai, crippled balck phoenix, laia, russian circles, irreversible, general lee, giant squid e linda martini.

O nosso mote será : "Masmorra - a desagradar a todos desde 1279".

Na hora seguinte, e na mesma rádio, haverá a estreia do programa "irmão" - Doutor Fausto (numa singela homenagem a esse individuo que pactuou com o nosso Maioral). Em moldes parecidos com o do programa anterior serão apresentados sons vindos das mais profundas profundezas do Inferno. A hora de estreia conta com : tephra, ganon, seven nautical miles, general lee, overmars, old man gloom e rosetta.

Sem dúvida, uma brilhante jogada, esta de apostar na rádio pela internet. Um dos objectivos da Masmorra foi assim alcançado - Passamos de dois leitores para dois leitores e dois ouvintes. Um sucesso!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Eagle Twin + Pombagira @ Porto Rio 02/11/2010


Uma pequena multidão de jornalistas e repórteres de imagem aguardavam pacientemente a saída do sr. Maléfico do evento de ontem no Porto-Rio, o concerto de Eagle Twin acabara à poucos instantes e era importante obter em primeira mão as impressões do mais ilustre dos espectadores.
Logo que se vislumbrou o vulto do sr. Maléfico todos se dirigiram para este ponto, os flashes em catadupa, os punhos com os microfones em riste e os costumeiros "Não faço comentários" prontamente ignorados por todos, o momento era grandioso e ninguém ia arredar pé sem saber o que Maléfico tinha a dizer sobre o assunto. Passado o caos dos primeiros momentos, logo uma pergunta se fez ouvir, mais vigorosa e firme do que todas as outras - "Sr. Maléfico, como correu o concerto? Correspondeu às suas expectativas?". Maléfico parou, olhou de frente as câmaras e acedeu em algumas palavras:
- "Foi com certeza um portentoso espectáculo, se alguém duvidasse da mestria e solidez dos grupos que hoje se apresentaram aqui, então essas dúvidas ficaram totalmente dissipadas, o que me agrada deveras e faz olhar o futuro musical com muita esperança. É verdade que a conjuntura não ajuda a um espetáculo melhor , nomeadamente o facto de a banda principal só ter um disco editado, mas os intervenientes souberam contrariar isso de forma brilhante."
Dito isto, e após conseguir avançar alguns metros por entre os muitos repórteres, ficou claro que estes ainda não estavam satisfeitos, muitas perguntas em unissono até que Maléfico decidiu dar atenção a uma mais pertinente que as demais - "Sr. Maléfico, em directo para a rádio, existiram alguns contratempos, não foi um concerto livre de contrariedades ..." . "Penso que se estará a referir ao momento em que a bateria dos Eagle Twin colapsou, foi um fait-divers a que não se deve dar grande importância.". Insistência do repórter ávido de escândalos - "Mas os Eagle Twin só têm dois instrumentos em palco ... não se pode deixar passar em claro o colapso de um deles."
- "É verdade o que diz, mas eu prefiro salientar o excelente profissionalismo do músico que contornou o problema e que, na minha opinião, faz esquecer por completo esse incidente. Alías, devo também valorizar a pronta ajuda do público nesse momento díficil o que demonstra que todos os intervenientes se encontravam empenhados em fazer deste o concerto memorável que acabou por ser. Muito boa noite, não tenho mais declarações"
Nesta altura, e já a muito custo Maléfico se acercava da viatura oficial, quando surgiu outra pergunta que não poderia ser deixada sem resposta.
- "Sr. Maléfico, como comenta os números avançados pela organização em relação à assistência de hoje à noite?".
Foi num tom mais grave e pesaroso que se ouviu a ultima resposta - "É com muita apreensão que verifiquei que a casa não estava cheia. Em momentos destes acho muito prejudicial ao país existir uma abstenção desta natureza, é certo que uma terça feira à noite é propicia a que se fique em casa a deprimir e a pensar no dia de trabalho que se segue, mas esta mentalidade tem de mudar. Anuncio, por isso, aqui e em primeira mão, a minha intenção de apresentar um projecto de lei na Masmorra, que vise criminalizar a falta de comparência a eventos desta qualidade e com bilhetes a menos de dez euros. Porque, deixemo-nos de rodeios, é disso que se trata, um crime! Boa noite a todos, não tenho mais comentários a fazer".
E assim era, davam-se por findos os comentários do Sr. Maléfico, muitos flashes e algumas, tímidas perguntas, mas já o alvo estava a desaparecer dentro da viatura e atrás da porta que se fechava. Ainda tempo para um enigmático comentário sobre a última pergunta, entendível, talvez, apenas por aqueles que se movem mais profundamente no meio musical deste país, disse Maléfico : "Olhem, perderam foi um concerto do caralhão!"

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Recordar é viver pt. 3



"Sounds like you guys got perfect pitch. What the hell am i doing on stage? Impressive"

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Irmãos inseparáveis

A temática da irmandade e laços de sangue nunca foi grandemente discutida aqui na Masmorra (e porque o seria?) mas calhou que Maléfico revisionasse neste domingo à tarde (não foi na TVI) um filme em suporte DVD que versa sobre esta temática e é de sobremaneira merecedor de uma menção nestas paredes.


Dead Ringers, de Cronenberg, é um filme sobre sexo, mutações, drogas, violência psicológica e ciúme. A história da vida de dois irmãos gémeos, interpretados por Jeremy Irons no seu melhor papel, que viviam à grande e a francesa até um dia em que lhes aparece uma canadiana no consultório e estraga tudo. Basta um momento para que um dos rapazes ceda ao arrebatamento dessa sensação a que chamam "amor" e está tudo arruinado, a partir daí é sempre a descer até ao final da pelicula.


Claro que haverá sempre um lugar no cinema da Masmorra para ver sangue a jorrar, cabeças a explodir, miúdas semi-nuas a fugir em gritos histéricos e vampiros sugadores de sangue (ou outros colegas igualmente esfomeados), mas no fundo é isto que mais se identifica com a nossa Masmorra. Um filme em que a violência subtil a um ritmo lento, com a utilização a espaços do habitual, mas refinado, humor negro, se torna muito mais eficaz e intenso do que os descalabros cinematográficos a que se costuma classificar de "terror". Na minha muito pouco humilde opinião ombreia com o clássico "Shining" em todos estes promenores e é portanto ele próprio um clássico.

Supostamente inspirado na vida real de dois irmãos que, a julgar pelo filme que originaram, não deviam fechar nada bem da caixa, o que é bom, visto que as pessoas normais são uma seca e, que conste, nunca serviram de inspiração a um filme que merecesse a nota 10 que Maléfico atribui a este.

Ómenagem

Esta notícia de última hora chegou à caixa de correio da Masmorra. Uma homenagem inútil e grandiosa a um dos nossos grandes fãs. A ver ... ou talvez não (depende se estiver a dar futebol no outro canal (e depende do jogo também)).

The Simpsons' Treehouse Of Horror, the annual Halloween horror comic series, is out, and appropriately, this year's issue features cultural icons MOTÖRHEAD, the loudest, hardest-working, hardest-touring band in the world,.

The series always features three stories, written and illustrated by some of the most famous people in the comic book business. This year's issue, #16, includes the story "Homer Goes To Hell". The online description says, "Metal music maestro Lemmy takes Homer on a hard rockin' heavy metal trip to Hell! Together they face the dreaded darkside." Phil and Mikkey are along for the perilous ride.




quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Quanto mais os tempos mudam ...

"Nos camarotes, onde se sentavam os espectadores mais abastados, soltavam-se brados de descontentamento. Imediatamente os estetas dos balcões e das galerias repetiam os brados. [...] Houve quem ouvisse o compositor combativo Florent Schmitt a gritar: "Calem-se, meretrizes do seizième!" ou "Abaixo as meretrizes do seizième!", uma provocação às idosas e prestigiadas damas do seizième arrondissement. [...] Depois disso pouco mais se ouviu do concerto. "Literalmente, foi impossível ouvir algo da música ao longo de todo o concerto", recordou Gertrude Stein [...] "A nossa atenção estava constantemente a ser distraida por um homem no camarote ao lado do nosso que brandia a sua bengala e que, finalmente, ao discutir violentamente com um entusiasta do camarote ao lado do seu, a deixou cair e foi esmagar a cartola retráctil que o outro tinha acabado de pôr na cabeça em sinal de desafio. Foi tudo incrivelmente agressivo e turbulento".

Extracto do livro "O Resto É Ruído" de Alex Ross, sobre a estreia em Paris de "A Sagração Da Primavera" de Igor Stravinsky a 29 de Maio de 1913

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Confissões de uma Besta (suficientemente louca para viver entre os homens)*

Todos nós, Demónios de alta estirpe, sentimos por vezes a necessidade de confessar uma certa dificuldade para viver entre os miseráveis humanos.

Se o Maioral nos enviou para fazermos deste um mundo pior, é notória a frustração de não haver grande coisa para fazer, porque tudo já está a ser feito pelos mesquinhos, violentos e estúpidos habitantes deste planeta. Os nossos inimigos parecem já estar a tirar-nos todo o trabalho de lhes atazanar a vida, auto-infligindo-se com os mais variados esquemas de tornar as suas próprias vidas mais infelizes, deixando-nos assim com a dificil tarefa de escolher um m.o. que ainda possa ter algum efeito acrescido.

Conhece o teu inimigo (já diziam os antigos esquimós do Panamá). Este ensinamento, se levado à letra , leva-nos à conclusão, que poderá ser uma mais valia conhecer as confissões mais intimas dos próprios homens e mulheres com que, infelizmente, co-habitamos para melhorarmos as nossas técnicas de miserabilização da vida humana. Descobrir o que lhes vai na alma, para assim a podermos esmagar ainda mais e melhor.

Cheguei à conclusão que temos duas vias para chegar ao total conhecimento da alma humana no que toca as mais intimas confissões:

- Ler a brilhante obra de Jean Jacques Rousseau - "Confissões" - A tal que se inicia com "I was the unfortunate fruit of this return, being born ten months after, in a very weakly and infirm state; my birth cost my mother her life, and was the first of my misfortunes." e onde ao longo de 11 livros temos uma vista priveligiada sobre a alma humana através das várias confissões e pensamentos deste filosofo pensador.

- Visitar este estúpido site : http://www.euconfesso.com/

*É sobejamente conhecida a inspiração para este titulo, com uma tão filosófica entidade de origem não é de estranhar que posts sobre temas espirituais polulem na Masmorra.

domingo, 5 de setembro de 2010

Factos teóricos

Existem neste mundo duas teorias acerca da forma como os reles humanos se materializaram e apareceram no planeta a que se convencionou chamar "Terra", altura a partir da qual se dedicaram a partir isto tudo.

A teoria da evolução, obviamente errada.

A teoria do criacionismo, que explica a forma como o deus que nesta altura ocupa o cargo criou tudo e todos num dia, ou dia e meio, já não me lembro. É precisamente esta e outras pequenas dúvidas que deveriam ser discutidas para que a forma como o velhote criou o ser humano fosse clarificada e não houvesse mais ninguém a aparecer com teorias absurdas.

É aqui que entram os Charger. Os Charger são uma banda britânica que num mundo perfeito teriam uma longa carreira de milhões de LPs vendidos e centenas de concertos em estádios pelo mundo fora a debitar a sua sonoridade para multidões extasiadas (sonoridade essa que se pode colocar entre uns Iron Monkey bem dispostos e uns Eyehategod com cólicas) . Mas o mundo não é perfeito, por isso os Charger apenas lançaram um LP e um EP, perecendo após meia dúzia de anos onde se fartaram de tocar em caves imundas para meia dúzia de energúmenos. É pena, porque na segunda música do seu LP, estes rapazes lançam uma interessante teoria sobre a teoria do criacionismo que, se ouvida por um maior leque de pessoas que não fossem totalmente idiotas, poderia ajudar a re-lançar o debate e, quem sabe, clarificar de uma vez por todas este dilema que desde tempos imemoriais se abateu sobre os mais pensativos pensadores.

Deixo-vos portanto com os Charger e o seu brilhante e metafisico tema : "God Made Us In The Image Of His Ass".

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Diablo Blvd.


Some wonder, some filter, some trip to pass the time
Just ask him and he'll tell you nothing better then a desparate mind

I'm in love with a widow soon to be,
I don't think I can fight it
Anthems broke and I'm spinning 'round again,
Stayin' dizzy 'cause I like it

You can have it if you want it,
just remember it's a lonely ride
Ain't that hard to fight

Kickin' hard time, they split you to the bone. Kickin' hard time, risin'

Home is your destination, do you think you can find it
Feelin' green once again, downtown you go, the arrows rising

You can have it if you want it,
just remember it's a lonely ride
Ain't that hard to fight

Kickin' hard time, they split you to the bone. Kickin' hard time, risin'
Some wonder, some filter, some trip to pass the time
Just asked him and he will tell you there is nothing better then a deperate mind

Diablo, talk to me, tell me what's on your mind
That game boy, to the rivals, we don't need no war inside

Kickin' hard time, kickin' hard time, risin'
Once so magnetic but you do it so poetic
And you lay it on the line and singin' kickin' hard time, it ain't that
hard to find
Kickin' hard time, they split you to the bone. Kickin' hard time, risin'

sábado, 21 de agosto de 2010

O Inferno segundo os Coen

O hotel Earle, que acomoda Barton Fink, é um subtil, mas perfeito, simbolismo do Inferno. Brilhantemente apresentado a todos os que o ignoram.

"SIX please" - "next stop, SIX"
"this stop, SIX"

O slogan ("A Day or a Lifetime"), as boas vindas a um escritor com um lápis sem ponta, o empregado Chet que chega das profundezas, o ascensorista Pete e o seu conhecimento da bíblia ("I've heard about it."), a própria bíblia incapaz de dar qualquer conforto, a ausência de hóspedes e a presença de mosquitos ( "mosquitos breed in swamps; this is a desert") a demonstrar o quanto deslocado estamos da realidade, o final infeliz de todos os estranhos que visitam o hotel, enfim, todo o ambiente estranho e sobrenatural do gigantesco edifício.

E claro, Charlie, o demónio encarregado de infernizar o personagem principal, a personificação do homem comum (irónicamente vende seguros contra incêndios), um gigante simpático que deita pus por um ouvido infectado. A temperatura sobe quando ele aparece e as paredes descascam quando ele está por perto. Não será o retrato do nosso Maior, mas sim de um Demónio trabalhador, que só quer "ajudar" todos a libertarem-se das agruras da vida. Dá uma bela lição ao personagem principal, porquê? - "Because, you don't LISTEN!"


"I'll show you the life of the mind"

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

ref. discografica 666 - houses of the unholy

A Igreja da Miséria vem do Japão. O Japão é um país longínquo, as pessoas comem peixe cru e, de acordo com as informações que chegam às masmorras ocidentais, são completamente maníacas.

Se os moços que constituem esta Igreja da Miséria servirem de exemplo, então os nipónicos, não só são completamente chanfrados como também sabem fazer música digna de ser apreciada pelo mais perturbado dos Demónios.

Apesar desta aparência insana, a realidade e um ouvido atento provam existir laivos de lucidez uma vez que foram suficientemente inteligentes para ir roubar a totalidade dos seus portentosos riffs aos Black Sabbath. Fossem todos assim ...

domingo, 8 de agosto de 2010

A Lagoa de Metal ou Bolachas São Boas, Chocolate é Melhor

Lá fomos nós ver o que se passava afinal lá para os lados da lagoa do Calvão.

Dia 1.
O facto de se ser Maléfico e Mafarrico tem as suas, óbvias, vantagens. Ao chegarmos ao local logo uma viatura nos cedeu o seu lugar de estacionamento bem à porta do recinto e, de seguida, ao apresentarmos os nossos bilhetes, fomos presenteados com a promoção dos primeiros 500 ingressos vendidos, embora eu tenha comprado o meu na semana anterior e, Mafarrico, o dele, dois míseros dias antes do evento (sendo que era mesmo o último da loja) ... os últimos são sempre os primeiros ... como é costume dizer-se. Agarramos na oferenda e fomos ver o que se passava no palco principal (e único por sinal).

Ensiferum - Uns vikings de longo cabelo, tronco nu e saias, a debitar folk metal, um espectáculo pouco agradável visualmente mas um pouco mais agradável musicalmente. A populaça parecia estar a aderir entusiasticamente, não nós, suspiramos aqui e ali pelos Skyclad e fomos provar o hidromel que nos faria companhia pelo resto dos dias (foi mais um além do primeiro, dois portanto (os dias, os hidromeis, esses foram bem mais)).



My Dying Bride - Esta foi a equipa que nos levou ao recinto neste primeiro dia. Os MDB foram o que se esperava deles, nada menos do que brilhantes. A pessoa do seu vocalista enche o palco e todo o concerto se centra nele, e em boa hora, pois o homem tem grande presença e voz avassaladora. Estive presente no concerto de há oito anos atrás, mencionado algures numa das pausas entre musicas, e devo dizer que continuam em grande forma. "The Whore, The Cook And The Mother" é uma preferida de Maléfico e eles fizeram o favor de a interpretar, obviamente sentiram a nossa presença naquele magnifico campo de futebol. Agradeço.



Meshuggah - os Meshuggah são suecos, e isso já diz muito, são loucos e fazem música pesada como o Diabo, não aquele peso tipo atropelado-por-uma-vasta-manada-de-bisontes, mas mais do tipo esmagado-por-um-gigantesco-objecto-de-300-toneladas. É bom. Deram um bom concerto, não terão convertido nenhum turista que por ali andasse, mas também não era preciso porque era notório que a vasta maioria dos festivaleiros estava ali por eles e já estavam completamente rendidos ante a mera entrada em palco dos músicos, nem sendo necessário o soar de nenhum acorde para uma certa apoteose. Para Mafarrico e Maléfico, habituados a ser adorados e não a adorar, foram uns minutos agradáveis aproveitados para descontrair os belos músculos com um ou outro bocejo.



Dia 2.
Ao segundo dia voltamos ao mesmo recinto, e lá estava a segunda parte do festival. É verdade, tudo estava no mesmo sitio e eram mais ou menos as mesmas pessoas, só alterando, e ainda bem, o alinhamento das bandas escalonadas para o dia.

Amorphis - Começamos com os Amorphis, banda que em qualquer altura da sua longa carreira caiu no esquecimento da Masmorra. Não ajudou ao espectáculo que a visualização de grande parte deste se desse ainda com os raios do astro Sol a iluminar o recinto, mas a banda deu um grande concerto, com uma bela ajuda do público e onde fomos reconquistados pelo relembrar de temas antigos como "The Castaway", "Black Winter Day" ou mesmo "My Kantele". Não era mesmo nada aconselhável perde-los e o que vale é que chegamos a tempo de não perder pitada, somos assim na Masmorra.



Kamelot - Com uma imensa legião de fãs no recinto mas completamente desconhecidos para os ouvidos da Masmorra, os Kamelot tocam um power metal progressivo azeites. Safaram-se pela mestria dos seus executantes e, principalmente, pelo extremo baixo nivel de expectativas que para ali levamos. Alguns momentos de interacção com o povinho também foram de se espetar uns dedos no ar. Safaram-se.



Carcass - Até Maléfico não encontra palavras suficientemente boas para enaltecer este concerto. Carcass é uma daquelas, poucas, bandas que pode ter a certeza de nunca ler uma palavra de escárnio, de desprezo, de falta de consideração ou de insulto na Masmorra. São simplesmente a melhor banda de metal extremo de sempre e poder visualiza-los em directo e em pessoa era esperado com grande ansiedade por todos. Fomos presenteados com um concerto arrasador e poeirento em que o fenómeno musical em cima do palco se parecia extender para a frente do palco, onde um público da velha guarda, incansável, imprimia uma visão incessante de corpos em movimento (terrestre e aéreo). Não vale a pena nomear nenhuma música em particular, foi um desenrolar de clássicos de encher as medidas a qualquer metaleiro, mesmo o mais exigente (como somos nós). Foi até possivel presenciar a totalidade do line-up mais clássico em palco, quando o baterista Ken Owen subiu para o seu instrumento para receber uma merecida e sentida ovação. Afinal foi aquele homem que criou o já mítico e muito mencionado vencedor do mcieusdb.

Aqui na Masmorra arrasamos tudo e todos, dizer mal com todo, pouco ou nenhum sentido é um modo de vida, pelo que é preciso dar o devido valor à dimensão que têm as palavras que passo a escrever - Aquela hora e pouco de concerto foi um dos grandes momentos da longa vida de apreciação musical deste Demónio que aqui escreve.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

É Hoje!

"When you get into one of these groups, there's only a couple of ways you can get out. One, is death; the other, is mental institutions."




Bom, tecnicamente é amanhã, porque é depois da meia-noite, mas ... É Amanhã! não soava bem, e bem vistas as coisas, faltam menos de 24 horas. Hmmm, esqueçam. ELECTRIC WIZARD! AAAARGHHHH!!!!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Lifetime Achievement Award

"That's why I find it so amusing that the latter-day saints of our
business... one, attribute to me motives that just weren't there, and two,
accuse me of corrupting morality, which I wish I had the power to do.
Prepare to die."


O Lifetime Achievement Award da Masmorra Infernal do Sr. Satanás é um prestigiado prémio na área das artes e humanidades, este prémio é atribuído de vez em quando e desde que não seja logo a seguir ao anterior, e tem como recompensa, além do prestigio a ele associado, o facto de os vencedores poderem chorar baba e ranho, puxarem os cabelos e gritarem que o objectivo de uma vida foi alcançado sem que o público em geral ache que estão a exagerar.



Os Carcass, formados em 1985, são os pioneiros do estilo designado como grindcore, editaram uma série de discos até 1994, tendo no ano passado alcançado o topo do top mcieusdb aqui nesta Masmorra. Os seus primeiros discos são de uma agressividade, sujidade e rapidez impecáveis (e implacáveis) e são mais conhecidos pelos uso depravado e humorístico de temas nojentos acompanhados de gíria médica, resultando numa eficaz mensagem que se havia de colar nos cérebros metaleiros por todo o mundo e para todo o sempre."I devour the pediculous corpse/Whetting my palate as I exhume/The festering stench of rotting flesh/Makes me drool as I consume..." - poesia infernal de alto gabarito.

É, no entanto, ao terceiro álbum que o agrupamento musical alcança um perfeito balanço entre a enormidade das suas liricas e a excelência dos seus acordes. Com Necroticism: Descanting The Insalubrious estava entre nós um dos grandes discos do HM e um que ajudou a moldar o refinado gosto que é hoje o dos colaboradores da Masmorra (quase todos). Foi com este disco que pudemos cantarolar musicas como Pedigree Butchery ou linhas inesqueciveis como "Pultacious.../Pugnacious.../Delicious.../Gastric-idiopathology..." - até o mais idiota apreciador do HM terá materializado mentalmente e imediatamente os sons que acompanham estas palavras.

O seguinte trabalho - Heartwork - já foi alvo de uma ref. discografica aqui na Masmorra pelo que não vale a penal alongarmo-nos sobre ele. É um disco fenomenal.

O último, e adequadamente intitulado Swansong, foi o marco final numa carreira que foi destruída pelo lado menos simpático dos negócios que acompanham a edição de rodelas de plástico com sons lá dentro. Um grande álbum, a demarcar-se musicalmente e liricamente dos seus antecessores, mas com grande pujança e musicalidade. Keep On Rotting In The Free World, Room 101, Generation Hexed ou Go To Hell são músicas para o headbanger que existe em todos nós acarinhar no seu negro coração.

Isto foi o fim da banda, que, qual vitima de um assassinato brutal, só teve tempo de mandar uns berros antes de se finar ao ainda incluir num cd em jeito de best-of uns quantos originais de boa memória e que valem a pena descobrir. Entre eles encontra-se um grito de revolta contra a máquina da industria que os fez desvanecerem-se, aparentemente, contra sua vontade."Really done it now, sold out/But to who, what, when, where and how,/Yeah, really done it now, sold out,/I've taken my cut/And corporate rock really sucks".

Claro que nos podemos revoltar, espernear e virar as costas a quem quisermos mas dinheiro é dinheiro, pelo que mais de dez anos depois os Carcass reuniram-se como tantos outros zombies musicais e desde o ano passado que andam por ai a tocar ao vivo os grandes hits do antigamente. Em boa hora o vêm fazer a Portugal, porque calhou mesmo na altura da atribuição deste Lifetime Achievement Award e assim poderemos ir vê-los e dar-lhes as boas notícias. Faltam 16 dias. Aposto que eles os estão a contar compulsivamente.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

IWL - Ferramenta Internética Semi-Interessante

Caros,

encontrei nos longos caminhos infernais desta interrede uma ferramenta que pode ser de interesse elevado ou até mesmo nulo!

Chama-se "I Write Like" e consiste em escrever um texto (em inglês) e submeter para análise. Em meros microssegundos o computador faz uma comparação de recursos estilísticos, escolha de palavras, etc. e sabe-se lá que mais e dá-nos o nome do escritor universalmente reconhecido que mais se assemelha ao nosso próprio estilo.

Felizmente, aqui à atrasado escrevinhei uma ref. discográfica na língua da Rainha de Inglaterra (o inglês precisamente) e foi esse que usei para submeter a análise. O resultado só pode alegrar os que escreveram esse texto e talvez outros que se sintam alegres muito facilmente.


I write like
Stephen King

I Write Like by Mémoires, Mac journal software. Analyze your writing!





Bem gostaria de ver a cara orgulhosa do Stephen quando fizer este teste e lhe aparecer o logótipo afirmativo de que ele "Write Like Maléfico Patético".

Ferramenta Internética Semi-Interessante

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Silly Season returns again ... um novo começo

Agora que o inicio da silly season já provocou o seu quinhão de olhos esbugalhados, desmaios, altercações, indignações e comparações, está na altura de mais um silly post com o principal objectivo de fazer com que esse último desapareça do nível dos olhos de quem olha para as nossas paredes.

Fiz um pouco de pesquisa sobre um certo momento da história da humanidade e descobri que o nosso Maior, por muito Grande que seja andou um pouco preguiçoso. Isto pode ser menos silly do que parece .... ou então não.

domingo, 11 de julho de 2010

Silly Season returns again

Declaro oficialmente aberta a silly season deste ano. Todos sabem o que isto significa, por isso ...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O Maléfico foi ao passeio

Vou aqui dissertar em várias etapas sobre viagem de trabalho que recentemente efectuei ao Passeio Marítimo de Algés para assistir ao internacionalmente reconhecido Optimus Alive 2010.

1. Inicio.
A chegada ao recinto, acompanhado de meus acólitos, fez-se sem precalços. E, cheio de má-vontade, dirigi-me ao primeiro concerto. Os The Drums, banda de um pop dançavel iriam iniciar as festividades e era minha vontade extermina-los logo ali, mas optei pela táctica de me misturar com o público e simular um grande apreço pelo show. Bati o casco, meneei os ombros e aplaudi. Espero que isto mostre a estes artistas o lugar deles. Pelos movimentos em palco, quais bailarinos efeminados, os músicos pareciam já estar a sentir algum do efeito desnorteante da minha presença .... esperemos por resultados em breve.

2.Santa paciência.
E quem é que não poderia deixar de aparecer? Os mais que conhecidos Moonspell. O Morcegão volta a cruzar-se com Maléfico. Um diabo dobra uma esquina e estão os Moonspell a tocar, um diabo abre a mala do carro e estão lá os Moonspell a tocar, um diabo acorda de manha, ouve um ruido estranho, e são os Moonspell a tocar de baixo da cama, um diabo vai ao Alive e ..... etc. etc. Além de mais, estes Moonspell e seu "líder" conseguiram evoluir para um estado refinado de extrema azeitice (estranhamente nas palavras do próprio Morcegão) e clichés HM. SE, e eu espero melhores resultados, mas, SE, me disserem que esta minha experiência somente resultou na extinção de um único agrupamento, eu ficaria em suspenso e lançaria um sonoro "AVE DIABOLIS" se fossem estes morcões. Fizeram-se acompanhar em alguns temas pela ex-The Gathering, Hanekka von Blablabla, que com um elegante estilo "rameira infernal", ajudou à festa e conseguiu que tudo conseguisse ainda verter mais azeite com as posses estudadas de dueto-festival-da-canção. Haja paciência!
Mensagem directa para o artista : "Morram e ide pró Céu!"

4.Alice In Chains e diatribe gratuita
De seguida visualizei os excelentes Alice In Chains, a verdade é que não estava especialmente com vontade deste concerto em particular, mas, à medida que as músicas avançavam notei que nutria vasta simpatia pelos clássicos. Não poucas vezes as letras se me materializaram na cabeça, eu que as julgava esquecidas, e as músicas que eu só não poderia esquecer porque nunca as tinha ouvido soaram-me muito bem.Rooster é uma preferida, merece uma menção especial. Já está.
Mensagem directa para o artista : "Estais muito bem AIC, vós podeis continuar e se porventura passardes por cá novamente eu vos visitarei e lançarei minha benção uma e outra vez."
Suspiro profundo, pausa para medir as palavras e .... Vós conheceis o escriba deste texto, ele, Maléfico (eu), é um diabo do povo e mistura-se com quaisquer diabitos como a água com o azeite. Talvez melhor. Assisto a estes ajuntamentos gigantescos com sobranceria e condescendência com os demais, mas misturo-me. Sempre defendi que qualquer um deve viver o espectáculo como bem entender, está documentado que passo por walls of death, moshes, empurrões, cotoveladas, palmas a compasso, pitas aos ombros dos namorados e vizinhos desafinados de bom grado e sem sentir que o espectáculo saia diminuido. MAS!!! Tudo tem um limite! E nos nossos festivais assistimos a uma praga que ameaça estragar a diversão de todos os amantes de música. Refiro-me, obviamente, aos espanhóis. O Espanhol é uma raça que vai para os concertos em grupos de quatro, ou cinco, faz uma rodinha e passam o concerto a falar numa algaraviada total e sonora - "éuqjodernerpoderferejelometorefedesefoderejejejejenovegojodercoñoaquqsederfererere" e em décibeis que confrontam os décibeis do PA (e se chegam a sobrepor em não poucos momentos). Viram as costas ao palco, abraçam-se, fazem air-guitar, olham os ecrãs laterais por 90% do tempo, cantam o que eu só posso acreditar serem outras músicas e, ao fim ao cabo, chateiam muito. Tive de esticar um dos meu poderosos braços e movimentar uma série de participantes do público (colega Covex incluido), contra sua vontade, para fazer um muro humano entre mim e os espécimenes nuestros hermanos que em má-hora ficaram ao meu lado. Para eles : "Por el culo, cabrones!"

5.Duplo X
Depois disto, movimentei-me com meus seguidores, para o outro palco, onde iria verificar o que se passava no show dos XX. Os XX são uma banda pop melancólico, com vozes deprimidas e belas melodias. Têm um disco que agrada q.b. e são o maior hype desde JC. Por muito bom que seja o único disco que têm editado, a histeria à volta dos moços (e moça) é tal que a super-lotação do espaço e respectivo desconforto não justifica o que se passa em cima do palco, os XX não têm culpa, são seca em palco como tantos outros em inicio de carreira, mas a histeria é real, e tornou-os a banda mais overrated dos últimos anos. Vimos e ouvimos alguns temas, bocejamos devido à frenética actividade sobre o palco e fomos beber uma Super-Bock.
XX: "Despareçam durante um tempo (anos ou décadas), para podermos ouvir o vosso disco sem o ruído de fundo."

666.Nova táctica e momentos de uma epicidade gloriosa.
Seguiam-se os Kasabian no palco principal. Sem grandes rodeios, os Kasabian são uma merda. Adoptei uma nova táctica para assistir a este espectáculo, arranjei um local para me sentar, a uma distância considerável do palco, virei costas e ignorei. Funcionou. Gostei muito.
Depois vieram aqueles que já foram apelidados de "zombies putrefactos" aqui neste mesmo blog. Os Faith No More! Regressaram dos mortos, faz um ano, vieram a Portugal, e como que não tivessem conseguido que Maléfico os fosse ver, voltaram este ano (É essa a razão de terem regressado sr. Patton, é essa a razão). Um concerto glorioso, verdadeiramente não existe outra banda como esta, exímios executantes e comunicadores, puseram 38 mil pessoas a cantar um refrão de "Porra! Caralho!", insultaram o próprio festival ("Que merda!"), insultaram o Cristiano Ronaldo ("Que Palhaço!"), insultaram o público ("Mal-educados, Bestas"), insultaram-se entre eles ("Este baterista é uma merda"), entre outras coisas, tudo isto rodeado de música, muita música, onde eu diria mesmo que não houve uma que não fosse entusiasmante, excelente e/ou épica. Assim de cor tocaram, Midnight Cowboy, Be Agressive, From Out Of Nowhere, The Real Thing, As The Worm Turns, Suprise You're Dead, Epic, Midlife Crisis, King For a Day, Evidence em português!, Gentle Art Of Making Enemies, Just a Man, Stripsearch, Last Cup Of Sorrow, Ashes To Ashes, Easy e não me lembro que mais, faltaram a Caffeine e a Digging The Grave mas não se pode ter tudo. O ponto alto deu-se quando o frontman Mike Patton reconheceu Maléfico na audiência e deu asas à sua alegria com um pouco de crowd surfing, cumprimentando-me com o seu joelho, que eu fiz questão de apertar vigorosamente enquanto ele se locomovia sobre a minha cabeça. "Como está Sr. Patton?" foram as minha palavras, depois alguém lhe roubou o sapato e ele foi embora. Foi ai que chamou "Besta" a alguém, poderia ser para o ladrão de sapatos, mas tenho para mim que foi uma resposta ao meu cumprimento.
Mensagem aos FNM : "FNM, 17 anos depois daquele memorável concerto no pavilhão do Bessa, outro memorável concerto, que nunca irei olvidar. Sois grandes! A Masmorra tem-vos como semelhantes.".

quinta-feira, 1 de julho de 2010

ref. discografica - plenty bad preachers for The Devil to stoke


"Believe in me and send no money
I died on the cross - that ain't funny"
Haaa! It was twenty years ago, and the tiniest sound of this record still takes me, the almighty Maléfic, time travelling to that sofa on the Masmorra we shared back then, holding this record for the first time. Eventually i got up from the sofa and went to the escritório (as we called it) and listened to it, but what i remember best is the holding of the record, and the attentive look, almost religious, i gave to the cover and the back photo.


Do you remember, Mafarric? It was you that, having just bought it, made a triumphant return to our castle and claimed with a deep and roaring voice "Hello there! I bought the last Maiden album!". I remember even, that you were accompanied by one of your servants (amigo). It was a good time to be alive and what a glorious feeling it was to be, not only alive, but a Maiden fan as well.

Fockin'hell. I can even remember seeing the official video-clip for "Holy Smoke" for the first time, it wasn't easy to see these things in the pre-internet days, it was on ar-tee-pee 2, the guy in the tv claiming it had been banned in the UK, thus rising my expectations to see some Infernal Shit on-screen, and beeing rewarded with what might as well be the most Epic heavy metal video ever recorded on this Earth. It seems that it was banned only because of the use of the word SHIT. Of course, the REC button was pressed at the right time and we were able to re-see it countless times. Glorious days, i don't hesitate to say again. Up the irons!!!
"I've lived in filth, I've lived in sin
And I still smell cleaner than the shit you're in"


Nice.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Caos mergulhante

Já se estaria por ventura à espera, é impossível escapar ileso à visita simultânea dos três soberbos donos desta Masmorra. Somos enviados directos do Sr. Satanás neste mundo, e quando nos deslocamos juntos, uns com os outros e na companhia de nós próprios, perfazendo um conjunto de três seres tão infernais quanto nós somos .... as consequências nunca são pouco menos do que brutais.

Quero com isto dizer, que o Caos Emergente, tão bem acompanhado no ano transacto e que até foi alvo de três crónicas nesta Masmorra Infernal, não recuperou dessas visita tripla e desses textos triplos e neste ano não se irá realizar. É evidente, era esperado, todo o bom senso diabólico apontava para este desfecho e se por acaso já houvesse bilhetes à venda antes do cancelamento, tenho a certeza que nós já os teríamos comprado.

Os jovens diabos que tentavam aguentar isto têm as suas explicações a dar - http://metalimperium.blogspot.com/ - mas nós bem sabemos que mesmo quando somos condescendentes e até um pouco amigáveis como fomos com este evento no passado, isto feito simultâneamente pelo conjunto da totalidade dos três ... a devastação é total, nada nem ninguém recupera.

Que este festival descanse em agonia, iremos agora visitar um outro qualquer, um outro que após o climax de nos receber irá com certeza, implodir e desvanecer-se como este. Desta vez, se calhar, podíamos era escolher um com bandas mais chungas.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Clatto Verata Nicto

A importância das trilogias no mundo Infernal é por demais reconhecida, basta olhar para trás e pensar quantas obras influentes se dividiram em três partes e a evidência é avassaladora (o ideal era que fossem três, mas assim não eram tantas).Vou, portanto, dissecar (desmembrar talvez fosse a palavra mais indicada) uma das muitas trilogias que por aí polulam. Uma trilogia maravilhosa e que teria um lugar cativo no nosso coração, se acaso nós possuíssemos um.


  • The Evil Dead (1981)

O primeiro filme (todos eles realizados por Sam Raimi) conta a história de cinco amigos que vão passar uns dias a uma cabana no meio da montanha. Na cabana encontram um estranho livro milenar e um gravador que contém uma fita onde um arqueólogo vai relatando os seus trabalhos de tradução do livro. Os jovens aprendem alguns factos pouco agradáveis sobre o livro e um trecho é recitado na gravação, estas palavras acordam demónios diabólicos que supostamente estavam a descansar à sombra dos pinheiros circundantes, a partir daí é sangue por todo o lado e não tarda muito a ficarmos sozinhos com o que vem a ser o grande herói da trilogia, Ash, que tem um trabalho danado a desmembrar todos os seus amigos-agora-zombies e apanha uns valentes banhos de sangue. Muita violência, uns sustos bem pregados e sempre mais sangue de todas as cores, tudo isto bem filmado e com belos efeitos especiais. Um clássico.

"You bastards, why are you torturing me like this? Why?"


  • Evil Dead II (1987)

O segundo filme é o virar definitivo para o registo mais cómico inerente a um filme sobre mortos-vivos, a quantidade de desmembramentos e sangue não decresce (antes pelo contrário) mas o personagem Ash revela-se em toda o seu esplendor e fenomenais one-liners. É aqui que ele se torna o verdadeiro herói reconhecido por todo o nosso mundo. O filme não é bem uma sequela do primeiro, mas também não é bem um remake. Os primeiros minutos, esses sim, são um remake da hora e vinte do primeiro, e depois a história segue um novo rumo. Ash fica sozinho logo no início, depois fica acompanhado da sua mão direita, depois fica sozinho outra vez (glorificando o uso de moto-serras em filmes deste género) e depois utrapassa-se a falta de humanos para transformar em zombies com a chegada de alguns espécimens que vão sendo desmembrados pelo super-Ash. No final é preparado o caminho para o filme seguinte.

"You're going down! Chainsaw."


  • Army Of Darkness (1992)

O último filme da trilogia é completamente diferente dos outros, abandonamos a agradável cabana de montanha e viajamos para o mundo medieval de 1300 d.c. Aqui já não há muitos sustos, nem caves, nem pinheiros violadores, mas há muitas piadas e múltiplos Ashs pequeninos, um clone maléfico, castelos, fossos, moinhos e cemitérios, exércitos de esqueletos e, claro, sangue e violência. A moto-serra (ainda que usada) é substituída por uma mão biónica que Ash genialmente constrói a partir de coisas encontradas num estábulo medieval. O filme não é uma obra-prima, mas é constituído por várias cenas brilhantes de cariz hilariante.

O clímax é aceitavelmente engraçado mas o final é verdadeiramente épico e imperdível – “Hail to the king, baby!”.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Por um mundo pior

Após vários anos a evitar o desastre que tem sido o festival Rock In Rio, sentimos chegar a altura de reconsiderar a visão que temos de tal evento quando se abateu sobre nós a poderosa notícia da vinda do colega Lemmy Kilmister. Logo aí se formaram nos nossos belos cérebros pensamentos contraditórios e a reflexão sobre a filosofia e qualidade deste evento tornou-se necessária. Ir ou não ir? Esta é a questão - ou era.

A verdade é que o slogan "Por um mundo melhor" que ao festival estava associado fazia-nos fugir daquilo como nosso maior costuma fugir das cruzes, mas por de baixo desta frase feita, e pensando um mínimo no assunto, torna-se claro que o festival nunca tornou nada neste mundo melhor e nem sequer se esforça para isso. São milhares de pessoas a gastar dinheiro em futilidades e a sujar espaços verdes, decibeis em excesso - debitados através de música na sua maioria detestável e espaço televisivo ocupado por idiotas com óculos em forma de guitarra eléctrica a dizer as parvoíces que lhes ocupam a mente. Pensando assim, e sem mais demoras, já é possível nutrir a simpatia minima pela coisa e já lá podemos ir dar o abraço que o sr. Kilmister vem ansiando faz algum tempo (muitos dizem que a longevidade da sua banda se deve ao facto de nunca ter tido mais de um colaborador da masmorra num dos seus espectáculos).

No dia em que milhares de pessoas nos poderão ver no recinto iremos ignorar os sofríveis Soulfly, erguer os nossos punhos de ferro para os colegas Motorhead, apreciar por demais mas com face de quem não aprecia a música do cristão novo e bastante estúpido Dave Mustaine e comungar com os Rammstein, que com certeza irão fazer descer sobre os presentes o espírito do festival em momentos como este:

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Por ocasião da visita do sumo pontífice ....

.... dedicamos-lhe estas homenagens que foram erigidas no tempo do seu antecessor mas que nem por isso precisam de ser esquecidas:







Nuclear Assault e Exhorder, duas bandas em sintonia.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

ref. discografica - experiência sónica simultânea

Estes diabitos ainda arranjam maneira de nos surpreender.

Os Rosetta vêm da terra do queijo (Filadélfia, USA) com um som assim a puxar a uns Isis/Neurosis e agradam ao gira-discos maléfico. Estilo abrasivo e ambiental, com originalidade q.b.e merecedor de ser ouvido por estas duas orelhas.

O que nos surpreende, a nós - Maléfico, é que estes petizes, na vanguarda da originalidade e penso que apenas copiando uma banda que já tinha feito isto antes, editaram o trabalho em formato de duplo CD. Até aqui nada de especial, o duplo CD existe desde que existe o CD, mas, dizem eles, o truque está em ouvir os dois (2) cds em simultâneo em duas (2) aparelhagens lado-a-lado. O mesmo número de faixas e o tamanho aproximado de cada uma delas contribuirá para que não seja tudo uma tremenda confusão.

É suposto que isto nos transporte para outra dimensão sonora e consigamos assim apreciar o requintado barulho de uma forma totalmente nova. Assim como se fosse um terceiro (3) cêdê.

Uma ideia deveras inovadora, na Masmorra estamos na primeira linha da divulgação, o facto de este trabalho ter sido editado cinco anos atrás apenas significa que os elementos da banda devem ter andado bastante angustiados por ter demorado tanto tempo a que o seu trabalho fosse mencionado aqui.

Eles que descansem, agora a Masmorra já tem um exemplar de The Galilean Satellites no seu armazém e só falta mesmo experimentar. Mafarrico, juntemos os nossos estéreos e ouçamos esta experiência sónica de poderoso som em sintonia épica.

Depois queixam-se dos terramotos.

terça-feira, 11 de maio de 2010

As sombras sobre Innsmouth ou a sardinha assada faz bem ao colesterol

O que faz perder o autocarro! É uma chatice. Que o diga Robert Olmstead, o narrador da história de Lovecraft que perdeu o 78 e teve de pernoitar na cidade com cheiro a peixe, Innsmouth.

É que os habitantes dessa cidade eram humanos híbridos, meio pessoa meio peixe, e tentaram entrar-lhe pelo quarto adentro a meio da noite, sabe-se lá para quê, o que o obrigou a fugir valentemente pela janela.

Durante a noite, enquanto escondido e em fuga, consegue ver algumas das bestas com guelras à luz das lanternas e desmaia. Depois acorda e foge. Aparentemente os homens-peixe não eram muito bons no encalço dos fugitivos que até desmaiados escapavam.

Mais tarde, julgando-se em segurança e atormentado por pesadelos piscatórios, descobre que afinal tem um antepassado em comum com a raça-peixe e vai-se transformando num deles, planeia então um regresso a Innsmouth para abraçar a cultura dessas bestas desumanas.

Uma bela história escrita por H.P. Lovecraft, aqui resumida por Maléfico e que já tinha sido musicada pelas fadas do heavy metal :

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Só trabalho e nada de brincadeira faz de Maléfico um demónio aborrecido

O que incomoda Maléfico no trabalho de Stanley Kubrick sobre o colega Jack Torrance (no brilhante The Shining), é que o colega Jack Torrance não faz nada bem feito.

Bem vistas as coisas, e acreditem que já as vi bastantes vezes, o Jack limita-se a vaguear pelo hotel sem perceber muito bem o que se passa, vários colegas dão lá um salto de propósito para lhe darem umas luzes e ele sem captar o que é preciso fazer, a mulher e filhote moem-lhe o juízo até mais não e ele ... nada. Apanha com um taco de basebol na cabeça e deixa-se fechar na dispensa como um amador.

O final é de bradar aos infernos, quando todas as forças do mal já perderam a paciência para qualquer subtileza e, basicamente, lhe passam com um machado para as mãos e apontam para a mulher e criança, o melhor que ele consegue fazer é partir uma porta e ir dormir um soninho reparador ao relento. Tudo igual, um Jack Torrance a menos.

Acho injusto todo o sucesso que este Jack tem, parece-me que poderia, e deveria, ter feito melhor. É certo que ele ainda abre a barriga a um, mas esse põe-se mesmo a jeito e era cozinheiro, e dar cabo de um cozinheiro quando se tem um machado a mais não deve ser assim tão difícil.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Feira de atrocidades - M.M. ao vivo

Esta noite deu-se mais um concerto a que assisti no âmbito dos concertos "óqueselixebousozinho". Foi o segundo no espaço de uma semana e a verdade é que já me sinto um veterano neste tipo de espectáculos. Desta vez o mote era a apresentação do novo disco dos amigos Mão Morta - Pesadelo em Peluche.

Dirigi-me pela primeira vez na minha vida ao Coliseu dos Recreios, quando Aquilani marcou o primeiro golo da sua equipa estava dado o sinal para Maléfico se dirigir ao imponente edifício. Maléfico entrou, viu e ficou agradado com o espaço, sirandou um pouco pelo recinto e apanhou a costumeira seca monumental dos concertos "óqueselixebousozinho".

A massa humana estava composta por variadíssimos tipos de gente e em bom número, pelo que se adivinhava um espectáculo com o bom ambiente já associado a Adolfo e seus companheiros de palco, que para lá subiram e se lançaram sem demoras a dois clássicos : Oub'lá e E Se Depois - foi talvez o momento em que se notou mais entusiasmo do público, se duvidas houvesse quanto a adoração pelas musicas ancestrais desta banda elas estavam dissipadas e o colectivo podia assim avançar para a apresentação de músicas mais recentes. Fizeram-no com Teoria da Conspiração e Penitentes Sofredores, duas musicas de qualidade do seu mais recente álbum, que foram afectadas pelo mau som que emanava das colunas, refreando desta forma o ânimo dos fãs.

Uma pausa para mais uma preferida do publico, foi a vez de Tu Disseste, com a audiência a entoar desenfreadamente o costumeiro "NADA!!!", um pouco fora de tempo mas sempre agradável, antes de retornarmos ao recém-nascido Pesadelo Em Peluche com um trio de canções - O bonito Seio Esquerdo De R.P., Fazer de Morto (com Adolfo a explicar-nos que tal prática é "salutar e higiénica") e, por fim Como Um Vampiro. Debruço-me sobre esta última para partilhar o meu desagrado com a versão que está gravada no disco, a participação especial de Fernando Ribeiro nas vozes não é do meu agrado. No entanto sempre me pareceu, e disse-o várias vezes (se calhar foi só uma), que uma versão ao vivo e só com Adolfo a vocalizar poderia tornar esta música em algo muito interessante. O que aconteceu ontem? O Morcegão Luso himself subiu ao palco e conseguiu estragar a musica igualzinho ao que estraga no CD.

Depois disto dir-se-ia que as coisas só poderiam melhorar, mas a sucessão de Budapeste com Novelos Da Paixão estenderam um pouco o ponto baixo do concerto, digamos que não foi um ponto, foi uma linha. Ainda me lembro de Adolfo aqui atrasado num concerto responder aos pedidos incessantes de "BUDAPESTE BUDAPESTE!!!" com "Budapeste? Matem esse gajo!", mas pronto, ultimamente a musica voltou aos alinhamentos e nós perdoamos, o Morcegão é que pode ficar em casa da próxima.

Tardes de Inverno continuou a apresentar o novo Pesadelo, que ficou bastante bem apresentado, em grande estilo. E a partir daqui foi um desenrolar de clássicos e favoritos, quando soam os primeiros acordes de Em Directo (para a teelvisão) perdoa-se tudo o de menos bom (alguns enganos pelo meio) e a sucessão de Amesterdão, Barcelona, Vamos Fugir, Cão da morte e o pesadissimo Anarquista Duval voltam a trazer o entusiasmo e até algum frenesim à audiência. Com músicas destas qualquer concerto de Mão Morta é um espectáculo imperdível.

Fez-se o truque do encore e quando Pesadelo em Peluche parecia já estar a descansar a banda brinda-nos ainda com dois temas de lá retirados. Tiago Capitão e Paisagens Mentais. Tiago Capitão é uma daquelas musicas de excelência que na primeira audição se torna um clássico instantâneo, uma musica fenomenal que ao ser apresentada pela primeira vez ao vivo viu o seu coro entoado pelos presentes numa prestação magnifica. O ponto alto da noite e, quer-me parecer, uma música que não abandonará mais o set-list. O disco apresentado estava arrumado e ainda havia tempo para mais um clássico, o nosso amigo Canibal apresentou 1º de Novembro e o público agradeceu entoando a musiquinha a ela associada.

Encore 2 - e a banda reentra com a música que, para mim, melhor representa o que são os Mão Morta, a selvagem Quero Morder-te As Mãos. Eu já estava satisfeito mas o público pedia insistentemente, e até um pouco histericamente, a Lisboa (talvez por estarmos em Lisboa e eles serem lisboetas, não sei) mas o vocalista anunciou uma "anestesia geral" e a banda lançou-se em Velocidade Escaldante. Não desesperem, há tempo para mais uma, os pedidos de Lisboa ainda se ouvem em peso, Mão Morta são uma grande banda, em comunhão com os fãs e despedem-se com a excelente Charles Manson. No fim houve vénias e aplausos, não houve uma apoteose como já foi visto em anteriores concertos mas houve muitas caras satisfeitas por mais uma grande noite na companhia de Adolfo e seus companheiros.

Ao chegarmos à rua damos de cara com o néon e cartazes cor de rosa do La Feria. Ironia? Pesadelo em Peluche estava apresentado.