quarta-feira, 16 de novembro de 2011
sábado, 5 de novembro de 2011
14º
A auto-proclamada "banda preferida da masmorra", que inclusivamente já recebeu um lifetime achievement award e que já foi excepcionalmente honrada com a presença de 100% da Masmorra numa das suas passagens pelas nossas terras, irá lançar um novo trabalho na tentativa de manter esses estatutos.

É o 14º, cá estaremos para o julgar.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Efeméride
O texto que se segue não foi escrito por Maléfico nem por Mafarrico, mas podia ter sido pois ao longo das suas palavras e frases sente-se o estilo e pujança desta dupla. Apraz-me, portanto, verificar que vamos somando seguidores que se lançam no mundo da literatura almejando tornar-se génios do nosso calibre. Ouçamos portanto, com atenção, o relato que se segue:
"É com excessiva repugnância que vou relatar a pavorosa cena que se desenrolou e que nenhum acontecimento posterior pôde apagar-me da memória, onde ficou gravada com os mais minuciosos pormenores, e cuja cruel recordação amargará todos os futuros momentos da minha existência. [...] O único meio que estava à nossa disposição para a terrível lotaria, na qual cada um de nós tinha o risco a correr, era o da palha mais curta. Pequenas estilhas de madeira serviam para o fim proposto, e foi convencionado que seria eu a apresentá-las. Afastei-me para um canto no navio, enquanto os meus pobres companheiros ficavam no extremo oposto, de costas para mim. O momento mais cruel deste drama terrível, o mais angustiante, foi quando procurava arranjar as várias parcelas. [...] Pus-me a pensar em todos os ardis imagináveis para fazer batota no jogo, de modo a levar um dos meus pobres companheiros de infortúnio a tirar o pedaço mais pequeno, pois fora convencionado que o que tirasse a mais curta das quatro lascas, morreria para conservação dos outros. Antes que alguém me condene por esta aparente infâmia, deve colocar-se numa situação precisamente igual à minha!
Como já não era possível adiar por mais tempo, avancei, com o coração a saltar-me do peito, para o castelo da proa, onde os meus companheiros aguardavam. Apresentei a mão fechada com as lascas e Peters tirou uma delas imediatamente. Estava livre! O seu pedaço, pelo menos não era o mais curto. Havia agora mais uma probabilidade contra mim. Reuni todas as energias e estendi o pedaço a Augusto, que tirou rapidamente o seu e ficou igualmente livre. Nesta altura as probabilidades de viver ou morrer eram exactamente iguais e, então, apoderou-se do meu espirito toda a ferocidade do tigre, sentindo contra Parker, meu semelhante, meu pobre companheiro, o mais intenso, o mais diabólico ódio. Este sentimento durou pouco tempo, e, por fim, com um arrepio convulsivo e os olhos fechado, estendi-lhe as restantes duas lascas. Mais de cinco minutos passaram, antes de conseguir resolver-se a tirar a sua e, durante esse período de indecisão (que me pareceu um século), capaz de partir o coração ao mais sensível, não abri os olhos um instante que fosse. Finalmente, um dos pedaços foi-me vivamente arrancado da mão. A sorte estava jogada, mas não sabia se era a favor ou contra mim. Ninguém falava, e não ousava quebrar a minha incerteza olhando o pedaço que me restava, até que Peters me agarrou na mão, esforçando-me por olhar para ela. Não foi necessário, pois bastou-me olhar para o rosto de Parker para ver que estava salvo, e que era ele a vítima condenada. Respirei convulsivamente e caí desmaiado na coberta.
Voltei a mim a tempo de ver a consumação da tragédia e assistir à morte daquele que, como autor da proposta, havia sido o seu próprio carrasco. Parker não ofereceu a mínima resistência e caiu morto, atingido por uma punhalada nas costas dada por Peters. Não me vou deter a falar do terrível festim que imediatamente se seguiu: são coisas que poderemos imaginar, pois as palavras não têm poder suficiente para impressionar o espírito com o tremendo horror da realidade. Apenas direi que após termos aplacado a raivosa sede que nos destroçava com o sangue da vítima, e cortado, de comum acordo, as mãos, os pés e a cabeça, que atirámos ao mar com as entranhas, devorámos o resto do corpo, pedaço a pedaço, durante esses quatro dias para sempre memoráveis que se seguiram: 17,18,19 e 20 de Julho"
"É com excessiva repugnância que vou relatar a pavorosa cena que se desenrolou e que nenhum acontecimento posterior pôde apagar-me da memória, onde ficou gravada com os mais minuciosos pormenores, e cuja cruel recordação amargará todos os futuros momentos da minha existência. [...] O único meio que estava à nossa disposição para a terrível lotaria, na qual cada um de nós tinha o risco a correr, era o da palha mais curta. Pequenas estilhas de madeira serviam para o fim proposto, e foi convencionado que seria eu a apresentá-las. Afastei-me para um canto no navio, enquanto os meus pobres companheiros ficavam no extremo oposto, de costas para mim. O momento mais cruel deste drama terrível, o mais angustiante, foi quando procurava arranjar as várias parcelas. [...] Pus-me a pensar em todos os ardis imagináveis para fazer batota no jogo, de modo a levar um dos meus pobres companheiros de infortúnio a tirar o pedaço mais pequeno, pois fora convencionado que o que tirasse a mais curta das quatro lascas, morreria para conservação dos outros. Antes que alguém me condene por esta aparente infâmia, deve colocar-se numa situação precisamente igual à minha!
Como já não era possível adiar por mais tempo, avancei, com o coração a saltar-me do peito, para o castelo da proa, onde os meus companheiros aguardavam. Apresentei a mão fechada com as lascas e Peters tirou uma delas imediatamente. Estava livre! O seu pedaço, pelo menos não era o mais curto. Havia agora mais uma probabilidade contra mim. Reuni todas as energias e estendi o pedaço a Augusto, que tirou rapidamente o seu e ficou igualmente livre. Nesta altura as probabilidades de viver ou morrer eram exactamente iguais e, então, apoderou-se do meu espirito toda a ferocidade do tigre, sentindo contra Parker, meu semelhante, meu pobre companheiro, o mais intenso, o mais diabólico ódio. Este sentimento durou pouco tempo, e, por fim, com um arrepio convulsivo e os olhos fechado, estendi-lhe as restantes duas lascas. Mais de cinco minutos passaram, antes de conseguir resolver-se a tirar a sua e, durante esse período de indecisão (que me pareceu um século), capaz de partir o coração ao mais sensível, não abri os olhos um instante que fosse. Finalmente, um dos pedaços foi-me vivamente arrancado da mão. A sorte estava jogada, mas não sabia se era a favor ou contra mim. Ninguém falava, e não ousava quebrar a minha incerteza olhando o pedaço que me restava, até que Peters me agarrou na mão, esforçando-me por olhar para ela. Não foi necessário, pois bastou-me olhar para o rosto de Parker para ver que estava salvo, e que era ele a vítima condenada. Respirei convulsivamente e caí desmaiado na coberta.
Voltei a mim a tempo de ver a consumação da tragédia e assistir à morte daquele que, como autor da proposta, havia sido o seu próprio carrasco. Parker não ofereceu a mínima resistência e caiu morto, atingido por uma punhalada nas costas dada por Peters. Não me vou deter a falar do terrível festim que imediatamente se seguiu: são coisas que poderemos imaginar, pois as palavras não têm poder suficiente para impressionar o espírito com o tremendo horror da realidade. Apenas direi que após termos aplacado a raivosa sede que nos destroçava com o sangue da vítima, e cortado, de comum acordo, as mãos, os pés e a cabeça, que atirámos ao mar com as entranhas, devorámos o resto do corpo, pedaço a pedaço, durante esses quatro dias para sempre memoráveis que se seguiram: 17,18,19 e 20 de Julho"
E.A. Poe - Aventuras de Arthur Gordon Pym
E.A.Poe escreve de acordo com a antiga ortografia
E.A. Poe tem muito jeito para a escrita, mas pouco para o suspense, pois uma vez que apresenta o narrador na primeira pessoa, e se nota rapidamente que a obra não tem um fim abrupto, então aquela cena do 50-50 de probabilidades não engana ninguém, por outro lado refere que atiraram as mãos, os pés e a cabeça ao mar, deglutindo o resto, ora toda a gente sabe que são precisamente estes os pedaços que mais nutrientes acumulam ( e eles bem precisavam) e que devem ser aproveitados para uma dieta saudável o que torna o texto bastante anti-pedagógico. Outros pontos existem merecedores de apontamentos negativos, que por certo o meu colega Mafarrico apontará no local habitual, ali em baixo.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Samael @ Hard Club 05Out11

Que me perdoem os Srs. Cronos, Lars Petrov e Araya e cª, mas devo deixar bem claro que os seus agrupamentos musicais não são, desde a noite passada, os eleitos pelo Sr. Satanás para serem seus principais signatários e infiéis portadores de Sua palavra.
Esta honrada e ignóbil missão passa agora para as mãos dos manos Vorphalack e Xytraguptor.
Para os mais desatentos e portanto indignos ignorantes, passo a informar que estes ilustres personagens são os criadores e mentores desse afamado conjunto de música, de seu nome SAMAEL.
Apesar de já existirem desde o final dos anos 80, apenas ontem é que lograram saltar para as luzes da ribalta e quebraram um enguiço de séculos. Conseguiram finalmente que Mafarrico os recebesse em concerto e lhes concedesse algum do seu tempo e atenção, que como sabeis é excessivo e sobra de forma indolente.
Foi assim que caída a noite, Mafarrico, movido pela curiosidade e por um veículo automóvel, se deslocou pelos seus próprios meios até ao recinto do Hard Club para testemunhar a prestação dos Samael, cuja carreira tem vindo a seguir, qual olheiro satânico, de há longa data a esta parte.
Não fosse Mafarrico um ser culturalmente desenvolvido e dotado de um vasto léxico, e teria tido dificuldade em encontrar palavras para descrever o que por ali se passou. Os Samael, em aproximadamente hora e meia, presentearam Mafarrico com uma das melhores actuações a que este se tem prestado assistir. Como já seria de suspeitar, o som black metal vs electronica que estes seres desenvolveram com mestria ao longo dos anos, resulta especialmente bem ao vivo, e os dotes cénicos e comunicativos do front man, Sr. Vorph, encheram a sala de uma energia negra e ritmos desconcertantes.
Toda a longa carreira dos Samael foi revistada num set-list que não teve um único momento morto. Temas como Into the Pentagram (apresentada como a música mais negra e pesada de sempre), Baphomet's Throne (a melhor letra de sempre?), Flagellation, Rain e Shining Kingdom a representarem os primórdios dos tempos e lograram arrancar um nostálgico e flamejante suspiro a Mafarrico, que assim quase se deixou emocionar.
A referir que o evento afinal tinha o formato de mini festival, o que convenhamos muito enfadou Mafarrico pela extensão do mesmo e pela quase sempre monótona prestação das bandas com menos notoriedade.
Um breve apontamento sobre os participantes:
Six reasons to kill: tiveram o discernimento de terminar a sua prestação antes da chegada de Mafarrico. Por isso nota positiva para estes… coiso
Noctem: black metal espanhol, convenientemente apelidado de ibérico. O vocalista tinha uma carapuço e no fim ingeriu um frasco com uma espécie de vómito e cuspiu a substancia sobre o público.Muito bonito.
Keep of Kalessin: power metal meets black metal da Noruega. O standard de violência desta origem está difícil de superar. Tentaram, lá tiveram uns momentos interessantes, mas não deixaram marcas.
Melechesh: black metal satânico da Mesopotâmia. Um som original e interessante. A estudar no futuro. O guitarrista começou o concerto com um turbante de terrorista mas o calor era tal que se viu obrigado a removê-lo. Passou o resto do concerto a deitar água pela cabeça abaixo.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
O fim da silly season
Assim termina esta silly season, pautada por um silêncio, falta de ideias e pouca vontade de partilhar idiotices nunca antes vista. Ainda bem que assim foi, estes últimos meses terão sido, indubitavelmente, a era mais brilhante da Masmorra.
Aproveito para indicar o lançamento de umas obras literárias capazes de levar um dos grandes nomes do romance poético aos diabitos mais novos.



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Aproveito para indicar o lançamento de umas obras literárias capazes de levar um dos grandes nomes do romance poético aos diabitos mais novos.



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terça-feira, 19 de julho de 2011
O Horror! O Horror! - SBSR'11
Como já foi aqui levemente discutido na mensagem anterior, é sabido que o magnânime Maléfico (eu próprio) se deslocou em missão secreta a um dos mais badalados festivais de Verão que os humanos destas paragens organizam precisamente no Verão - O Super Bock Super Rock. O que se segue é uma resenha do relatório que preparei e que enviei atempadamente ao nosso Maior.
Todos estamos familiarizados com o conceito de festival, a diferença mais visivel, ao que nós demónios diz respeito, é que neste festival não se ouviriam as doces melodias de Satã (vulgo Heavy Metal) - mas não era isso que lá me enviava, o que interessava mais a Maléfico era o estudo do comportamento humano, que me levou a conclusões interessantes e manifestamente optimistas quanto ao futuro da estupidez humana.
Tudo se iniciou rapidamente, um bilhete caído do céu, o rápido assumir de forma humana, e os cascos a caminho - sempre a tirar notas. O trabalho iniciara-se.
O que cedo agradou a Maléfico foi o caos que se gerou ainda a longos quilómetros se estava do epicentro do festival, o caos no trânsito, com carros parados e a certeza de se perder alguns concertos logo no primeiro dia fizeram com que os humanos começassem a mostrar sinais de irritação logo ali, foi bonito ver o desrespeito com que se tratavam mutuamente, ainda nem tinham saido do carro. Ultrapassagens pela berma, insultos, buzinadelas, algum desepero portanto, isto durante as 5 horas que se demorou a fazer os 30/40 km finais - aliado ao aspecto resignado com que viamos alguns energumenos ficar pelo caminho com os seus bólides avariados - foi bonito.
Chegando ao recinto propriamente dito, tudo melhorou aos olhos de um demónio, quase me senti em casa, não é que chegando ao local e com várias horas de música perdida (bem feito para quem comprou bilhete!) a visão se assemelhava ao Inferno na terra?! Uma neblina de pó denso encobria uma multidão de muitos milhares de pessoas que enchiam um espaço sub-dimensionado e que se encavalitavam, chocavam e vagueavam em todas as direcções. Isto enquanto a desculpa para todos nos encontrarmos ali (a música) ia sendo debitada nos dois palcos com um som sofrível (ia e vinha parecendo ao sabor do vento) o que foi capaz de irritar o mais sofredor dos amantes de música ali presente.
Nos dias seguintes tudo melhorou - o lixo acumulou-se. Toneladas de lixo por todo o lado, os recipientes próprios cheios, partidos, a transbordar e a serem engolidos por volume de lixo quatro vezes o seu tamanho. Sendo então possível verificar na zona do campismo como o ser humano consegue conviver de livre vontade (ainda pagando para isso, note-se) com a imundice e o nojo. Adicionado ao facto de a organização fazer questão que todos os que mais conviveram com o pó e o lixo tivessem extrema dificuldade em aceder a água para a sua higiene pessoal - suspeito que fosse algum colega nosso encarregue deste departamento.
Se na zona de campismo, as pessoas dormem com lixo, na zona de alimentação, as pessoas comem com lixo. O único sitio onde era possível sentar, sem ser na areia/chão desconfortável, era um local diminuto onde as 40 mil pessoas convergiam incessantemente. Tudo a comer por cima dos restos de alimentação de dezenas de pessoas, isto durante três dias de comilanço guloso, que isto de festivais dá fome e, infelizmente, o pó não alimenta ninguém.
A música sofrível (vários milhares de pessoas foram obrigadas a assistir a anomalias como The Gift) aliada a condições deploráveis - o mau génio latente em toda a gente começa a a vir ao de cima. Para exemplificar, após o presenciamento de várias pessoas a exigir boa educação aos berros depois de muitos encontrões e calcadelas, o momento mais hilariante foi mesmo o de uma cândida rapariga a ameaçar calcar todos os que não se levantassem do seu caminho, algumas pessoas sentadas, dificuldade em contornar e os berros: "Se não se levantam calco todos!!!, estou farta disto!!", alguns indicadores que um esganaço podia vir a caminho e tudo ficou sanado com uns olhares de ódio. Era este o ambiente festivo que se viveu, e que descambaria em mortes e batalhas campais se mais dois ou tres dias de festival existissem.
Basicamente foi isto, dir-se-ia estarmos num dos circulos do Inferno a que chamamos casa. O acesso a cerveja era fácil, no meio daquilo tudo assistiu-se a dois ou três concertos fenomenais (de um demónio lhes tirar o chapéu) e a conclusão que tiro e que muito me agrada, tem a ver com o espírito. O chamado espírito festivaleiro que há uns anos podia ser descrito como o passar de uns belos dias na natureza, com condições básicas de campista, a conviver e a assistir a música de artistas adorados ou por descobrir, agora ter-se-á transformado em passar uns dias no lixo e pó, a fazer filas para ter brindes em circos montados ao redor de vários palcos onde por acaso se ouve música.
Li que a organização considerou este evento como um sucesso completo e que jurou a sua continuidade no mesmo local por muitos e bons anos. O que me apraz muito e faz soltar uma gargalhada sonora já antecipando o sofrimento dos energumenos que lá voltarão ou irão, incautos, pela primeira vez. Só vou é pedir ao Sr. Satanás para não me enviar para lá outra vez, nunca mais, por favor.
P.S. - O meu conselho ao idiotas que insistam em falar no "espirito de festival" como razão para se aguentar condições deste género é que mergulhem de cabeça numa das poucas casas de banho disponiveis no recinto - qualquer uma, escolham.
P.S.1 - Houve música, é verdade, como mencionado no texto. Poderei debruçar-me mais sobre este aspecto se o colega mafarrico assim o desejar. Existiram alguns aspectos para louvar e desejar repetir, mas também muitos para ridicularizar e fazer suspirar pelo nosso querido Heavy Metal que nunca nos deixa mal.
Todos estamos familiarizados com o conceito de festival, a diferença mais visivel, ao que nós demónios diz respeito, é que neste festival não se ouviriam as doces melodias de Satã (vulgo Heavy Metal) - mas não era isso que lá me enviava, o que interessava mais a Maléfico era o estudo do comportamento humano, que me levou a conclusões interessantes e manifestamente optimistas quanto ao futuro da estupidez humana.
Tudo se iniciou rapidamente, um bilhete caído do céu, o rápido assumir de forma humana, e os cascos a caminho - sempre a tirar notas. O trabalho iniciara-se.
O que cedo agradou a Maléfico foi o caos que se gerou ainda a longos quilómetros se estava do epicentro do festival, o caos no trânsito, com carros parados e a certeza de se perder alguns concertos logo no primeiro dia fizeram com que os humanos começassem a mostrar sinais de irritação logo ali, foi bonito ver o desrespeito com que se tratavam mutuamente, ainda nem tinham saido do carro. Ultrapassagens pela berma, insultos, buzinadelas, algum desepero portanto, isto durante as 5 horas que se demorou a fazer os 30/40 km finais - aliado ao aspecto resignado com que viamos alguns energumenos ficar pelo caminho com os seus bólides avariados - foi bonito.
Chegando ao recinto propriamente dito, tudo melhorou aos olhos de um demónio, quase me senti em casa, não é que chegando ao local e com várias horas de música perdida (bem feito para quem comprou bilhete!) a visão se assemelhava ao Inferno na terra?! Uma neblina de pó denso encobria uma multidão de muitos milhares de pessoas que enchiam um espaço sub-dimensionado e que se encavalitavam, chocavam e vagueavam em todas as direcções. Isto enquanto a desculpa para todos nos encontrarmos ali (a música) ia sendo debitada nos dois palcos com um som sofrível (ia e vinha parecendo ao sabor do vento) o que foi capaz de irritar o mais sofredor dos amantes de música ali presente.
Nos dias seguintes tudo melhorou - o lixo acumulou-se. Toneladas de lixo por todo o lado, os recipientes próprios cheios, partidos, a transbordar e a serem engolidos por volume de lixo quatro vezes o seu tamanho. Sendo então possível verificar na zona do campismo como o ser humano consegue conviver de livre vontade (ainda pagando para isso, note-se) com a imundice e o nojo. Adicionado ao facto de a organização fazer questão que todos os que mais conviveram com o pó e o lixo tivessem extrema dificuldade em aceder a água para a sua higiene pessoal - suspeito que fosse algum colega nosso encarregue deste departamento.
Se na zona de campismo, as pessoas dormem com lixo, na zona de alimentação, as pessoas comem com lixo. O único sitio onde era possível sentar, sem ser na areia/chão desconfortável, era um local diminuto onde as 40 mil pessoas convergiam incessantemente. Tudo a comer por cima dos restos de alimentação de dezenas de pessoas, isto durante três dias de comilanço guloso, que isto de festivais dá fome e, infelizmente, o pó não alimenta ninguém.
A música sofrível (vários milhares de pessoas foram obrigadas a assistir a anomalias como The Gift) aliada a condições deploráveis - o mau génio latente em toda a gente começa a a vir ao de cima. Para exemplificar, após o presenciamento de várias pessoas a exigir boa educação aos berros depois de muitos encontrões e calcadelas, o momento mais hilariante foi mesmo o de uma cândida rapariga a ameaçar calcar todos os que não se levantassem do seu caminho, algumas pessoas sentadas, dificuldade em contornar e os berros: "Se não se levantam calco todos!!!, estou farta disto!!", alguns indicadores que um esganaço podia vir a caminho e tudo ficou sanado com uns olhares de ódio. Era este o ambiente festivo que se viveu, e que descambaria em mortes e batalhas campais se mais dois ou tres dias de festival existissem.
Basicamente foi isto, dir-se-ia estarmos num dos circulos do Inferno a que chamamos casa. O acesso a cerveja era fácil, no meio daquilo tudo assistiu-se a dois ou três concertos fenomenais (de um demónio lhes tirar o chapéu) e a conclusão que tiro e que muito me agrada, tem a ver com o espírito. O chamado espírito festivaleiro que há uns anos podia ser descrito como o passar de uns belos dias na natureza, com condições básicas de campista, a conviver e a assistir a música de artistas adorados ou por descobrir, agora ter-se-á transformado em passar uns dias no lixo e pó, a fazer filas para ter brindes em circos montados ao redor de vários palcos onde por acaso se ouve música.
Li que a organização considerou este evento como um sucesso completo e que jurou a sua continuidade no mesmo local por muitos e bons anos. O que me apraz muito e faz soltar uma gargalhada sonora já antecipando o sofrimento dos energumenos que lá voltarão ou irão, incautos, pela primeira vez. Só vou é pedir ao Sr. Satanás para não me enviar para lá outra vez, nunca mais, por favor.
P.S. - O meu conselho ao idiotas que insistam em falar no "espirito de festival" como razão para se aguentar condições deste género é que mergulhem de cabeça numa das poucas casas de banho disponiveis no recinto - qualquer uma, escolham.
P.S.1 - Houve música, é verdade, como mencionado no texto. Poderei debruçar-me mais sobre este aspecto se o colega mafarrico assim o desejar. Existiram alguns aspectos para louvar e desejar repetir, mas também muitos para ridicularizar e fazer suspirar pelo nosso querido Heavy Metal que nunca nos deixa mal.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
E o melhor guitarrista do mundo é...

Muitos teem sido os galardões atribuídos por unanimidade na Masmorra, a seres que se destacam pelas suas características e/ou prestações demoniacas e que de alguma forma contribuem para o alcance dos objectivos da nossa Organização. Assim, e com o quórum de 1 elemento garantido, foi deliberado atribuir ao guitarrista Paulo Barros o título de melhor guitarrista do mundo e de sempre. Esta decisão foi tomada na sequência do concerto do passado dia 16 no Hot five, dos Barros e Moura, a que mafarrico assistiu. Enquanto isso, outros elementos da mesma estirpe, assistiam a prestações de bandas ditas menores em um qualquer festival veraneante de surfistas. Enfim...
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