segunda-feira, 10 de maio de 2010

Só trabalho e nada de brincadeira faz de Maléfico um demónio aborrecido

O que incomoda Maléfico no trabalho de Stanley Kubrick sobre o colega Jack Torrance (no brilhante The Shining), é que o colega Jack Torrance não faz nada bem feito.

Bem vistas as coisas, e acreditem que já as vi bastantes vezes, o Jack limita-se a vaguear pelo hotel sem perceber muito bem o que se passa, vários colegas dão lá um salto de propósito para lhe darem umas luzes e ele sem captar o que é preciso fazer, a mulher e filhote moem-lhe o juízo até mais não e ele ... nada. Apanha com um taco de basebol na cabeça e deixa-se fechar na dispensa como um amador.

O final é de bradar aos infernos, quando todas as forças do mal já perderam a paciência para qualquer subtileza e, basicamente, lhe passam com um machado para as mãos e apontam para a mulher e criança, o melhor que ele consegue fazer é partir uma porta e ir dormir um soninho reparador ao relento. Tudo igual, um Jack Torrance a menos.

Acho injusto todo o sucesso que este Jack tem, parece-me que poderia, e deveria, ter feito melhor. É certo que ele ainda abre a barriga a um, mas esse põe-se mesmo a jeito e era cozinheiro, e dar cabo de um cozinheiro quando se tem um machado a mais não deve ser assim tão difícil.

5 comentários:

Anónimo disse...

Antes de mais, gostaria de salientar a estranheza que me assaltou quando os meus olhos caíram sobre o título deste post. Agradavelmente surpreendido por tão raro assomo de originalidade por parte do colega Maléfico, recolhi ambos globos oculares, recoloquei-os nas respectivas orbitas e prossegui a leitura subsequente. Fiquei então mais elucidado e o efeito surpresa esbateu-se um pouco quando percebi que nada relaciona o conteúdo do referido post com tão postrockiano título.
A película cinematográfica que refere – “o shinning” – é de facto um filme de culto mas que termina mal, como muito bem refere! Na correctíssima análise que fez ao perfil desleixado do Jack, faltou mencionar que pelo meio de toda a incompetência, ainda se deixou ferir (não gravemente infelizmente) pela mulher franzina e em estado de histeria a quem ele tentava inutilmente aplicar uma machadada.
Para além da patética personagem há que referir o para sempre famoso “REDRUM, REDRUM, REDRUM!”, e o bestial triciclo com que o petiz circulava a velocidades moderadas pelos desertos e infindáveis corredores do assombrado hotel.

Maléfico Patético disse...

originalidade? como se deixou enganar ante a perspectiva de tal acontecimento?

não será um dos nossos pilares criativos o lema : "originalidade zero"?

a mulher histérica com a sua voz esganiçada é realmente um dos factores perturbadores nesta historia. cada vez que ela abre a boca desejamos fortemente que o jack faça o seu trabalho e a incapacidade em o fazer muito nos irrita. Talvez se a dama fosse uma beldade bem-falante não nos importassemos tanto que o nosso enviado fosse cortado em vez de machadar.

o triciclo é bem sopimpa.

Anónimo disse...

Penso que atingimos um patamar de sublime destreza na arte da manipulação dos vocabulos escritos, que nos permite levantar algumas das mais severas restrições que nos impusemos desde o inicio.
O lema da "originalidade zero" poderá eventualmente ser substituido pelo da "quase nenhuma originalidade".
Que lhe parece? Suficientemente repetitivo e pouco original?

Maléfico Patético disse...

"falta de originalidade quase total"?

Anónimo disse...

Não me ocorre nada melhor para qualificar a ausência de novas ideias do seu comentario: Chato e quase repetitivo?